LIÇÃO Nº 3 – O CORPO E AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO

INTRODUÇÃO

-Na continuidade sobre a doutrina bíblica do homem, analisaremos as consequências do pecado sobre o corpo.

-O pecado trouxe consequências sobre o corpo.

I – AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO

-Na continuidade do estudo da doutrina bíblica do homem, analisaremos as consequências do pecado sobre o corpo.

-Ao desobedecer ao Senhor e pecar, o primeiro casal trouxe sobre si um juízo divino, que atingiu o corpo humano.

-A primeira consequência do pecado, já apontada por Deus previamente ao homem, é a morte, ou seja, a separação entre Deus e os homens (Gn.2:16,17; Is.59:2; Rm.6:23).

Ao pecar, o homem estabelece uma divisão, uma barreira entre ele e Deus, pois não é possível haver comunhão com Deus quando se está em pecado (Ef.2:11-14).

Logo no primeiro dia após o pecado, o homem não se sentiu bem com a aproximação de Deus, procurando d’Ele se esconder, como se isto fosse possível (Gn.3:8).

O estado pecaminoso do homem fez com que Deus expulsasse o primeiro casal do Éden (Rm.3:23), tendo, também, impedido o seu acesso à árvore da vida (Rm.3:22,24).

-A segunda consequência do pecado é a perda da inocência e o surgimento da malícia e da maldade.

Assim que o homem pecou, percebeu que estava nu (Gn.3:7), nudez que não era apenas a física, ou seja, a ausência de vestes para cobertura do corpo, mas, também, a nudez espiritual, pois o homem se achou, também, sem as vestes de justiça que possuía antes de pecar (Jó 29:12; Is.61:10).

O pecador está espiritualmente nu, como se vê quando o Senhor se refere à igreja de Laodiceia (Ap.3:18).

A nudez espiritual, consequência do pecado, leva-nos à questão do pudor. O homem sentiu vergonha do seu corpo, ou seja, o homem, imagem e semelhança de Deus, já não consegue ver, em si mesmo, esta imagem e semelhança de Deus, passa a ter vergonha de si mesmo, do seu próprio corpo.

Temos, assim, a substituição do “homem da inocência” pelo “homem da concupiscência”. Esta vergonha representa, antes de mais nada, a distorção operada pelo pecado na própria estrutura humana. O homem já não sabe lidar com seu corpo, alma e espírito, e, por isso, sente vergonha e medo.

OBS: Vale a pena transcrever aqui o pensamento do ex-chefe da Igreja Romana, João Paulo II (1978-2005), a respeito do pudor, pensamento cuja biblicidade recomenda a transcrição:”… 5.

O coração humano conserva em si contemporaneamente o desejo e o pudor. O nascimento do pudor orienta-nos para aquele momento em que o homem interior, «o coração», fechando-se ao que «vem do Pai», se abre ao que «vem do mundo».

O nascimento do pudor no coração humano dá-se a par e passo com o início da concupiscência — da tríplice concupiscência segundo a teologia joanina (cfr. 1 Jo. 2, 16) e em particular da concupiscência do corpo.

O homem tem pudor do corpo por causa da concupiscência. Mais, tem pudor não tanto do, corpo quanto exatamente da concupiscência: tem pudor do corpo por causa da concupiscência.

Tem pudor do corpo por causa daquele estado do seu espírito a que a teologia e a psicologia dão a mesma denominação sinónima: desejo ou concupiscência, embora com significado não de todo igual.

O significado bíblico e teológico do desejo e da concupiscência difere do usado na psicologia. Para esta última, o desejo provém da falta ou da necessidade, que o valor desejado deve satisfazer.

A concupiscência bíblica, como deduzimos de 1 Jo. 2, 16, indica o estado do espírito humano afastado da simplicidade original e da plenitude dos valores, que o homem e o mundo possuem «nas dimensões de Deus».

Exactamente essa simplicidade e plenitude do valor do corpo humano na primeira experiência da sua masculinidade-feminilidade, de que fala Génesis 2, 23-25, sofreu sucessivamente, «nas dimensões do mundo», transformação radical. E então, juntamente com a concupiscência do corpo, nasceu o pudor. 6.

O pudor tem significado duplo: indica ameaça do valor e ao mesmo tempo preserva interiormente esse valor (1).

O facto de o corpo humano, desde o momento em que nele nasce a concupiscência do corpo, conservar em si também a vergonha, indica que se pode e deve fazer apelo a ele quando se trata de garantir aqueles valores, a que a concupiscência tira a sua original e plena dimensão.

Se conservamos isto na mente, estamos capazes de compreender melhor porque, falando da concupiscência, Cristo faz apelo ao «coração» humano. …” (JOÃO PAULO
II. Audiência geral de 28 de maio de 1980. Disponível em: http://www.google.com/search?q=cache:0CYaEpcCbyoJ:www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1980/documents/hf_jp- ii_aud_19800528_po.html+pudor,+pecado&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=3 Acesso em 04 out. 2006).

-A terceira consequência do pecado é a culpa que sobrevém ao homem. Muitos estudiosos da atualidade, dentro de sua rejeição à Palavra de Deus, costumam dizer que o cristianismo representa um mal para a humanidade, porque impõe ao gênero humano a ideia de culpa, ideia esta que tiraria dos homens a alegria de viver.

No entanto, tais pensadores estão totalmente equivocados. A Bíblia Sagrada não torna os homens culpados, nem faz com que os homens percam a felicidade da vida atribuindo-lhes uma culpa.

Na verdade, as Escrituras apenas mostram que o homem, feito para ser inocente e feliz, ao pecar, fazendo mau uso de sua liberdade, de seu livre-arbítrio, tornaram-se culpados diante de Deus (Tg.2:10; Cl.2:14).

A culpa não é uma “invenção cristã”, mas o resultado do pecado. Porque pecamos, tornamo-nos culpados diante de Deus. A Bíblia é m clara ao nos mostrar que Deus não faz do culpado inocente (Ex.34:7; Nm.14:18; Na.1:3). Ao culpado está reservada a morte (Os.13:1).

-A quarta consequência do pecado é fazer com que o homem fique debaixo da ira de Deus. Já temos dito que o pecado é um distanciamento entre Deus e o homem, de modo que o homem sai do lugar da proteção de Deus (“o esconderijo do Altíssimo, a sombra do Onipotente” – Sl.91:1)

para se expor completamente, ficando à mercê do adversário e da própria ira divina. Desde os céus, Deus Se ira contra os pecadores (Rm.1:18-20),

como bem demonstrou o grande pregador Jonathan Edwards, num dos sermões mais famosos da história da Igreja, “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, cuja leitura recomendamos (entre outros endereços, este sermão está disponível em http://www.monergismo.com/textos/advertencias/pecadores_maos_deus_irado.htm).

-A ira de Deus em relação ao homem é a reação divina pela prática do pecado. Deus é bom, Deus é amor, entretanto, também é justiça.

Deus, por iniciativa Sua, somente promove o bem ao homem, somente busca conceder ao ser humano a felicidade, pois, como vimos na lição anterior, Deus quer que o homem seja feliz.

Entretanto, quando o homem, em vez de buscar a felicidade, que se encontra na comunhão com o Senhor, d’Ele se afasta, passando a pecar, traz sobre si a ira divina.

Moisés, em seu último cântico, deixa isto bem claro ao mostrar à nação israelita que, se ela se ensoberbecesse e deixasse de servir a Deus, “dando coices”, “deixando a Deus que a fez”, o Senhor a desprezaria, a abandonaria à própria sorte, provocado que foi à ira pelos Seus próprios filhos e filhas (Dt.32:15-20).

Quando Deus abandona o homem e o despreza, manifesta a Sua ira e, neste instante, o juízo de Deus apresenta-se extremamente duro.

-As pragas do Egito, reação ao endurecimento do coração de Faraó, bem como as pragas que estão profetizadas para a Grande Tribulação são demonstrações do que é cair debaixo da ira de Deus.

Como disse o escritor da carta aos hebreus: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb.10:31), como também, “como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?” (Hb.2:3a). A ira de Deus vem sobre os filhos da desobediência (Ef.5:6; Cl.3:6) e o pecador, em sua dureza e impenitência de coração, somente entesourará para o dia da ira e da manifestação do juízo de Deus (Rm.2:5). Que Deus nos guarde!

-A quinta consequência do pecado é fazer o homem perder a tranquilidade. A paz é o resultado direto da comunhão com Deus (Rm.5:1) e esta comunhão nos dá a paz de Deus (Fp.4:7; Cl.3:15).

Entretanto, se estamos em pecado, estamos separados de Deus e, por conseguinte, também não temos paz. Todo o homem que obra o mal tem tribulação e angústia (Rm.2:9), tem uma paz ilusória, porque não é a paz dada por Cristo

Jesus, o Deus Filho (Jo.14:27; 16:33). Toda a intranquilidade, toda a perturbação, todo o desespero que vemos reinando no mundo é resultado direto do pecado na vida dos homens.

-A sexta consequência do pecado é fazer com que o homem fique sujeito ao pecado (Gn.4:7). Jesus disse que todo aquele que peca é servo do pecado (Jo.8:34). Como o Senhor advertira Caim, o pecado domina o homem.

O homem, ao pecar, torna-se escravo do pecado e, por isso, já não mais faz o que quer, mas sim o que o pecado que nele habita quer que ele faça, como bem demonstrou o apóstolo Paulo no capítulo 7 da epístola aos romanos.

Ao pecar, o homem se coloca à mercê de sua natureza pecaminosa e, também, do diabo e de seus anjos, que, pela ocasião do pecado do homem, escravizam os pecadores, cegando-lhes o entendimento e os levando para o seu mesmo destino: o lago de fogo e enxofre.

-Não é verdade, portanto, que o mundo esteja sob o governo de Satanás e de seus anjos, como, infelizmente, muitos pregadores, seduzidos pelo falso ensino da doutrina da confissão positiva, estão a ensinar em muitos púlpitos na atualidade.

-O mundo e todos aqueles que nele habitam são do Senhor (Sl.24:1) e nunca deixaram de sê-lo. No entanto, os homens, quando dão ocasião à sua própria natureza pecaminosa e são atraídos e engodados pela própria concupiscência, distanciam-se de Deus e ficam à mercê do diabo e de seus anjos que passam a controlar as mentes, as vontades e os sentimentos destes homens, escravizados que estão pelo pecado.

Passam a servir ao adversário de nossas almas, a serem instrumentos de iniquidade (Rm.6:13). O diabo passa a dominar o homem, o seu ser, mas não o mundo cósmico, como se alardeia por aí. Ele é, sim, o príncipe deste mundo, entendido mundo aqui não como a criação, mas o reino das trevas, o reino do pecado e do mal.

-A sétima consequência do pecado é a perda da posição do homem na ordem cósmica. Feito para dominar sobre a criação terrena e para viver em comunhão com o Senhor, o homem, ao pecar, perdeu esta posição.

Expulso do Éden, não mais teve comunhão com Deus e a natureza, que antes lhe era servil, agora é sua competidora, precisando, inclusive, lutar contra ela para poder sobreviver (Gn.3:17-19).

Sem acesso à arvore da vida, o homem não só sofreu a morte espiritual, que é a separação de Deus, como também lhe foi imposta a morte física, vendo, pois, a separação do seu próprio ser, com a interrupção da sua unidade pelo retorno do corpo ao pó da Terra e a ida do homem interior para o local de espera do julgamento final.

-Nesta perda da posição de domínio sobre a criação terrena, o homem acaba se submetendo a suas próprias invenções, sem falar às demais criaturas.

Assim, torna-se escravo do dinheiro e das riquezas, o dá origem a toda espécie de males (Mt.13:22; I Tm.6:10), como também é levado, pela soberba, a contendas e questões de palavras, que só geram mais e mais pecados (I Tm.6:4).

É levado, também, pelos seus próprios desejos desordenados e incontrolados (Lc.21:34), chegando, mesmo, ao ponto de passar a adorar as criaturas em lugar do criador, dando origem à idolatria, fonte de toda corrupção moral e de costumes (Rm.1:21-32).

-A oitava consequência do pecado foi a desigualdade de sexo, ou seja, a diferença de tratamento entre o homem e a mulher.

Feitos para serem iguais diante de Deus, pois, para Deus, não há acepção de pessoas (Dt.10:17), homem e mulher, por causa do pecado, passaram a ter posições diferenciadas no relacionamento entre si, tendo o senhor determinado o domínio do homem sobre a mulher (Gn.3:16).

Este domínio não é desejo divino, mas reação divina ao pecado cometido. Como vimos, o pecado é gerador de desigualdade, pois é iniquidade e, em virtude disto, a humanidade sob o pecado é um triste quadro de injustiças, de desigualdades e de dominações. Entre tais desigualdades, destaca-se a “desigualdade de sexo”.

-Em que pese todo o esforço para que a mulher tenha uma melhor posição na sociedade humana, notadamente a partir do final do século XIX, o fato é que, como sistematicamente demonstram os relatórios das organizações internacionais, a mulher ainda vive nítida situação de inferioridade em relação ao homem, seja nos países ricos, seja nos países pobres;

seja no campo econômico, seja no campo social ou político, e isto quando a população de mulheres já é superior a de homens. Tudo isto está a provar que o pecado gera consequências inevitáveis e que não se consegue suprimir pela força humana.

-A nona consequência do pecado é a contaminação da vida familiar. O pecado, ao trazer a desigualdade de gênero, já tornou tensas as relações entre marido e mulher, mas, logo em seguida, com o primeiro homicídio, bem demonstrou que vinha a atacar de forma direta a própria família.

Desde então, o pecado tem transtornado muitíssimo a vida familiar, vida esta que se encontra, nos nossos dias, em frangalhos, por causa, precisamente, do pecado. Quando se verifica, por exemplo, a situação em que se encontrava a instituição familiar em períodos de juízo divino, como nos dias de Noé, nos dias de Ló ou na geração seguinte a Josué e os anciãos em Israel, vemos que a família era e é a principal vítima do estado de intensa pecaminosidade.

O pecado gera a destruição da vida familiar, pois desfaz a pureza e a estabilidade entre marido e mulher, retirando assim a necessária autoridade moral indispensável para o relacionamento entre pais e filhos, gerando milhares e milhares de vidas sem afeto e sem amor, prontas para ficarem à mercê de ação dos diversos instrumentos da iniquidade, num ambiente de depravação moral e de violência generalizada.

-A décima consequência do pecado é a desunião, o desamor, o ódio de uns contra os outros. O domínio do pecado sobre o homem faz com que sejam praticadas as chamadas “obras da carne” (Gl.5:19-21), que prejudicam grandemente a própria convivência e sobrevivência da humanidade.

O pecado, a começar da família, dilapida a estrutura social e instala a barbárie e o egoísmo como modos de sobrevivência e de permanência no convívio social.

Por mais tecnologicamente civilizados que estejam os homens, o aumento do pecado produz cada vez mais pecado, cada vez mais maldade, cada vez mais selvageria.

Apesar de estar na era da telemática, de um desenvolvimento tecnológico nunca antes visto, quem se atreveria a dizer que estamos num mundo mais honesto, mais pacífico, menos cruel do que nossos avós?

-Esta consequência é tão nefasta que o próprio Jesus nos mostra que atingirá até mesmos aqueles que já alcançaram a salvação um dia.

“E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt.24:12). Este “muitos”, no original “pólus” (πόλυς), significa “quase todos”, “a grande maioria”.

O efeito devastador do pecado é tanto que quase todos os que um dia receberam o amor de Deus derramado em seus corações pelo Espírito Santo (Rm.5:5) se esfriará, desaparecerá. Que Deus nos guarde!

-A décima primeira consequência do pecado é a cegueira espiritual. O pecado torna-nos cegos espirituais, pois temos nosso entendimento cegado pelo adversário de nossas almas (II Co.4:4) e “não enxergamos um palmo à frente do nosso nariz” em termos espirituais, tanto que abandonamos as coisas eternas, que são as que realmente têm valor, para nos prendermos às coisas passageiras e vis deste mundo.

O pecador não consegue compreender que o mundo passa e a sua concupiscência e que só quem faz a vontade de Deus permanece para sempre (I Jo.2:7).

Deixa de ajuntar tesouros para a eternidade por conta de tesouros nesta vida que é tão passageira como a flor da erva (Mt.6:19-21; I Pe.1:24). Cansa-se e fatiga-se com as coisas deste mundo, esquecendo-se da boa parte (Lc.10:41,42).

-A décima segunda consequência do pecado é a indignidade da pessoa humana. Com efeito, o pecado torna o homem indigno, à mercê do inimigo de nossas almas e separado de Deus.

Nestas circunstâncias, o homem decai completamente de sua natureza e passa a ser um instrumento de iniquidade, que se autodestrói, que, a cada instante, ocasiona a sua própria degradação.

Quando vemos a que ponto tem chegado o ser humano, a que ponto o ser humano tem se tornado vil e desprezível aos olhos dos próprios homens, vemos como o homem tem se tornado indigno, tem sido vilipendiado.

A vileza do homem alcançará seu estágio máximo na Grande Tribulação, quando ele é posto como uma simples mercadoria e das menos valiosas dos poderosos, como se lê em Ap.18:11-13.

II – AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO SOBRE O CORPO: A CORRUPTIBILIDADE – DOENÇAS E ENFERMIDADES

-Verificamos, pois, que o pecado gerou uma desordem interna em cada ser humano, que atinge toda a sua estrutura tricotômica: corpo, alma e espírito.

-Com relação ao corpo, o pecado gerou a sua corruptibilidade, ou seja, o corpo passou a sofrer degeneração, pois, sendo pó da terra, iria tornar a sê-lo, envelhecendo e se corrompendo a cada dia.

-Como diz o apóstolo Paulo, o homem exterior se corrompe, sem condição de se renovar ao longo do tempo (II Co.4:16).

-Esta corruptibilidade, a uma, faz com que se comprometa a saúde do corpo, com a possibilidade de surgimento de doenças e enfermidades.

-Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, saúde é “estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para a forma particular de vida (raça, gênero, espécie) e para a fase particular de seu ciclo vital”, é o “estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar”. Vem do latim “salus, salutis”, que significa “salvação, conservação da vida”.

-Como se pode perceber, pelas definições dadas, a saúde é um quadro de manutenção da vida, de pleno funcionamento de todos os órgãos e de uma harmonia entre todas as funções do organismo.

-Nada mais é, portanto, do que a realização daquilo que foi projetado para o organismo, o cumprimento de todo o propósito estabelecido para aquele ser vivo.

-É, portanto, claro que o estado de saúde exige, para sua ocorrência, que se tenha a perfeita realização do propósito divino para o homem.

A saúde é o pleno funcionamento do organismo humano, o cumprimento do propósito divino, pois foi Deus quem criou o homem (Gn.1:26,27), como, aliás, estudamos na lição anterior.

-Para que houvesse plena saúde, porém, seria preciso que o homem se mantivesse de acordo com o propósito divino, que era, como vemos no relato da criação, o de manter uma comunhão com Deus e de, a partir desta comunhão, dominar sobre a criação terrena.

-Contudo, o homem não obedeceu a este propósito divino e pecou. Ao desobedecer a Deus, o homem perdeu este estado de equilíbrio, tanto que um dos juízos lançados por Deus sobre ele foi o da morte física: “…maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.

Espinhos e cardos também de produzirá e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás…” (Gn.3:17 “in fine”-19).

-A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra, antes o local da realização do propósito divino para o homem, passou a ser um obstáculo para este mesmo ser humano.

-A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem. A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem.

-O homem passou a ter a natureza como um obstáculo, como um fator de estorvo, em vez de um complemento que só lhe trazia alegria e ajuda na sua sustentação (Gn.2:9).

A natureza passou a colaborar com a perda da saúde, passou a ser um fator que contribuiria para a corrupção progressiva e constante do corpo humano.

-Daí termos o fato de a natureza ter seres que, para o homem, são geradores de doenças, os chamados “agentes patogênicos”.

Isto é resultado da sentença divina sobre o homem, por causa do pecado, algo que somente será modificação depois que a natureza for redimida (Rm.8:19-23), o que ocorrerá apenas por ocasião do reino milenial de Cristo (Is.11:6; 65:25).

-Como se não bastasse o fato de a natureza passar a colaborar para a degeneração do homem, temos que o próprio organismo humano, por si só, após o pecado, haveria de iniciar sua marcha para a sua extinção.

-Como resultado do pecado, o corpo humano passou a sofrer de uma degeneração contínua, independentemente da ação de “agentes patogênicos”, porque o Senhor estabeleceu que o homem deveria tornar à terra, ou seja, que haveria uma inexorável e inevitável caminhada do organismo de volta à terra, ou seja, que o corpo tenderia a se desfazer, a deixar de existir enquanto tal.

-Assim, podemos afirmar que a doença e a morte física não estavam projetadas para o homem, não faziam parte do propósito divino, mas que são resultado do pecado, consequências do pecado.

-Quando Deus apresentou o Seu plano da salvação, esta teria, necessariamente, de propiciar um mecanismo de erradicação da doença e da morte física.

A salvação é o restabelecimento da comunhão entre Deus e o homem, o retorno à condição originalmente prevista para o ser humano, demonstrando, desta maneira, tanto a fidelidade divina, quanto a Sua misericórdia.

-A saúde do homem, portanto, é um objetivo perseguido por Deus quando do estabelecimento do plano da salvação.

O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29), ao tirar o pecado, haveria, também, de tirar tudo aquilo que era consequência do pecado, ou seja, a morte física e o seu corolário, que é a doença.

-Não é por acaso que, durante Seu ministério terreno, Jesus tenha, por diversas vezes, curado enfermos, como comprovação de que Seu trabalho, sobre a face da Terra, era restaurar aquele estado anterior ao pecado, um estado onde a doença simplesmente inexistia (Mt.8:16; 12:15; 14:14; 19:2; 21:14; Mc.1:34; 6:5; Lc.7:21).

-Na sua feliz síntese do ministério de Cristo, o apóstolo Pedro não deixou de lembrar que Jesus “…andou fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At.10:38b).

-O plano de Deus para a salvação do homem, portanto, abrange a cura das enfermidades dos homens, a erradicação da doença, o restabelecimento da saúde.

-Como afirma a Declaração de Fé das Assembleias de Deus, “in verbis”:

“…A Bíblia mostra que a obra redentora de Cristo incluiu tanto a alma e o espírito como também o corpo ‘Gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo’ (Rm.8:23).

A vontade de Deus é, portanto, curar o ser humano de modo integral: ‘É Ele que perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades’ (Sl.103:3). Faz parte da natureza divina curar os enfermos, e Deus assim o faz para demonstrar o Seu poder e amor pelos afligidos (Lc.13:11-13].” (DFAD 2. ed., VIII.11, pp.129-30).

-Como Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8), continua a ser Aquele que foi dar saúde ao criado do centurião romano (Mt.8:7), o mesmo que foi anunciado por Pedro e que deu saúde para Eneias (At.9:34). Por isso, dentre as tarefas que o Senhor deixou à Sua Igreja, está a de curar os enfermos (Mc.16:18).

-No entanto, o fato de que a saúde faz parte do plano de Deus para a salvação não significa que a doença venha a ser erradicada da vida de todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da sua vida.

-Assim como o fato de ser salvo não nos livra da morte física, consequência praticamente inevitável do pecado e que acomete tanto os salvos quanto os ímpios, assim também não estamos imunes à doença.

-Jesus cura os enfermos, este é um sinal de que venceu a morte e o inferno, de que é o Salvador do mundo, mas daí a se dizer que todo salvo não fica doente há uma grande distância.

-Assim falamos porque, lamentavelmente, entre os falsos ensinos destes últimos dias está o da chamada “doutrina da confissão positiva”, que defende a ideia de que a doença tem como causa o pecado e que, quando somos perdoados de nossos pecados, adquirimos, como efeito da salvação, a imunidade à doença.

-Sendo este falso ensinamento, que tem encontrado guarida em muitos púlpitos na atualidade, quando uma pessoa está doente isto é sinal de que perdeu a comunhão com Deus, que pecou e, por isso, adoeceu. Doença para o salvo seria, pois, efeito imediato do pecado, da perda da comunhão com Deus.

-É importante afirmar que este pensamento não é novo. Na verdade, é uma das mais antigas distorções que se tem notícia nas Escrituras.

É a tese apresentada pelos amigos de Jó, que, depois de terem chorado durante sete dias ao ver o lamentável estado em que se encontrava o patriarca (Jó 2:12,13), acometido de uma enfermidade terrível, que o transformou numa verdadeira “ferida ambulante” da cabeça aos pés (Jó 2:7), passaram a atribuir a doença dele a um suposto pecado cometido e que deveria ser confessado.

-No entanto, Jó sempre se declarou inocente, inocência esta que foi atestada pelo próprio Deus, mesmo depois que Jó estava doente (Jó 42:7).

-A começar de Jó, portanto, vemos que o fato de uma pessoa ficar doente não significa que seja, necessariamente, alguém que esteja sofrendo de uma punição divina por causa de seus próprios pecados.

-A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres de Deus que, apesar de terem uma vida de comunhão com o Senhor, adoeceram e, por vezes, até morreram doentes, sem que esta doença significasse qualquer desvio espiritual ou pecado por parte do servo do Senhor.

-A propósito, o profeta que maior número de milagres fez no Antigo Testamento depois de Moisés, Eliseu, em que repousava porção dobrada do Espírito Santo que havia estado em Elias, diz-nos as Escrituras, morreu por causa de uma doença (II Rs.13:14).

-A doença é uma consequência do juízo divino sobre a humanidade, feita ao primeiro casal, por causa do pecado. Herdamos do primeiro casal, em cujos lombos já estávamos (cfr. Hb.7:10), a natureza pecaminosa e passamos a viver numa terra amaldiçoada em virtude da iniquidade.

-Nascidos à imagem e semelhança de Adão (Gn.5:3), concebidos em pecado (Sl.51:5), não temos como deixar de possuir um corpo que está marcado para tornar à terra, como também uma natureza que, adquirida a consciência, nos leva a pecar contra Deus.

-Estamos destinados a tornar à terra e, como tal, não temos como fugir da doença. Pode ser que morramos por motivo outro que não a doença, mas jamais podemos dizer que, por causa da salvação, jamais ficaremos doentes.

-O corpo humano será redimido pela obra salvadora de Cristo Jesus, mas isto não é algo que já tenha acontecido, mas algo que ainda esperamos (Rm.8:23), algo que acontecerá somente com a glorificação, estágio final do processo da salvação (I Co.15:50-56), que, para a Igreja, se dará quando do arrebatamento.

-A morte é o último inimigo a ser vencido, algo que se dará tão somente com a destruição do sistema mundano, como nos mostra, claramente o capítulo 25 do livro do profeta Isaías.

-Assim, como ainda estamos neste “corpo do pecado”, enquanto ainda temos um corpo corruptível, o corpo que está destinado à terra, de onde foi formado, temos de conviver com a doença, ela pode aparecer como uma ocorrência em nossas vidas, ainda mais nos tempos trabalhosos em que vivemos, dias em que, apesar da multiplicação da ciência (Dn.12:4), surgiriam cada vez mais doenças (Mt.24:7).

-É oportuno deixar consignado que Deus pode atuar, ao lançar juízos sobre os homens, trazendo doenças sobre as pessoas. É uma das formas de Deus demonstrar Seu desagrado para com o pecado.

-A Bíblia está, também, repleta de exemplos em que doenças foram utilizadas para julgamento de nações e de povos, como a quinta praga lançada sobre o Egito, a praga das úlceras (Ex.9:8-12); a lepra, que, durante

toda a história do povo hebreu, sempre esteve vinculada a uma maldição ou juízo divinos, como nos casos de Miriã (Nm.12:10), de Geazi (II Rs.5:27), e do rei Uzias (II Rs.15:5) e as doenças que acometeram tanto um rei fiel como Asa, mas que havia entristecido o Senhor ao perseguir um profeta (II Cr.16:9,10,12), como um rei infiel, como o rei Jeorão de Judá (II Cr.21:18,19).

-Mas, também, não podemos nos esquecer que, por vezes, a doença foi impingida por Deus não por causa de algum pecado, mas com outros objetivos, como a retidão e sinceridade de alguém, como no caso do filho de Jeroboão (I Rs.14:12,13), ou, mesmo, para a manifestação das obras de Deus, como no caso do cego de nascença (Jo.9:1-3).

-Vemos, portanto, que a doença não está necessariamente vinculada a pecado e que é, antes de tudo, uma ocorrência a que estão sujeitos todos os homens, diante da sua própria constituição estrutural, depois que o pecado entrou no mundo.

III – AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO SOBRE O CORPO: A CORRUPTIBILIDADE: ENVELHECIMENTO

-Salomão, o homem mais sábio que existiu sobre a face da Terra depois de Jesus, descreve a velhice, a idade avançada, o instante do ocaso da existência terrena do ser humano, no capítulo 12 do livro de Eclesiastes, dias em que há a perda do vigor, onde não se tem mais aquele ânimo da juventude e onde não se é possível mais vivenciar as alegrias e o contentamento que haviam sido desfrutados na idade tenra.

-Salomão, de forma poética, começa a elencar todas as dificuldades existentes na velhice, dificuldades que afetavam até aquele que vivera em uma glória humana, como era o caso do rei de Israel, a nos demonstrar, portanto, uma vez mais, que nada neste mundo que seja feito pelo homem pode alterar o ciclo natural das coisas estabelecido por Deus, mais uma prova de que o homem é menos que nada diante do universo criado pelo Senhor (Is.40:17;41:24).

-O primeiro senão da velhice é o “escurecimento do sol, da luz e das estrelas”, a nos falar, certamente, da perda da visão, que é consequência natural da idade avançada, a chamada “presbiopia”, que todos conhecem como “vista cansada”,

“…a anomalia da visão que ocorre com o envelhecimento da pessoa, ocasionando o enrijecimento dos músculos ciliares, ocorrendo por volta dos 40 anos de idade.…” (Presbiopia. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Presbiopia Acesso em 31 out. 2013).

-Mas aqui Salomão não fala apenas da visão física, mas da própria perda da capacidade intelectual do idoso.

Como ensina o comentarista bíblico Matthew Henry (1662-1714): “…sua fisionomia está enrugada e sua beleza e brilho, eclipsados, seus poderes e faculdades intelectuais, que eram como luzes na alma, estão enfraquecidos; seu entendimento e memória falham e sua apreensão não é tão rápida nem sua imaginação tão viva quanto costumava ser…” (Comentário Completo sobre toda a Bíblia. com. Ec.12:1-7. Disponível em: http://www.biblestudytools.com/commentaries/matthew-henry-complete/ecclesiastes/12.html Acesso em 31 out. 2013) (tradução nossa de texto original em inglês).

-Mas o pregador também diz que, nos dias da velhice, “as nuvens tornam a vir depois da chuva”, o que Matthew Henry interpreta como a contínua existência de dores e enfermidades entre os idosos:

“…assim quando o tempo é de chuva, quando as nuvens tomam conta do céu, uma se sucedendo a outra, assim ocorre com os idosos, quando se livram de uma dor ou indisposição, eles são apanhados por uma outra, de modo que suas perturbações são como um contínuo gotejar num dia de chuva.

O fim de um problema é, neste mundo, apenas o começo de um outro e um abismo chama outro abismo. Idosos são frequentemente afligidos com escorrimentos, como se estivessem molhados da chuva e, depois disso, mais nuvens voltassem, alimentando a secreção, de modo que isto é continuamente penoso, e, dessa maneira, o corpo se desfaz…” (ibid.) (tradução nossa de texto original em inglês).

-Na sequência da descrição do que são os “dias maus da velhice”, Salomão diz que é o instante da vida em que “os guarda da casa tremem” (Ec.12:3), o que tem sido interpretado como a tremedeira que é própria desta idade, em que mãos, braços e o próprio corpo passam a tremer.

Também alguns interpretam esta passagem como sendo a perda de segurança e de convicção por parte dos idosos, que já não têm a mesma coragem e a impetuosidade do passado, são débeis na tomada de decisões, o que explica a expressão seguinte usada pelo pregador, qual seja, a de que, na velhice, “os homens fortes se curvam”. Salomão sabia o que estava a dizer, pois, na sua velhice, suas mulheres lhe haviam pervertido o coração e o levado a adorar ídolos (I Rs.11:4).

-Daí a importância de construirmos uma vida de comunhão com Deus desde a juventude, para estarmos, na velhice, bem perto do Senhor, com uma fé inabalável, para que a tibieza, que é própria desta idade, não nos venha a desviar dos caminhos do Senhor. Tomemos cuidado, amados irmãos!

-O “curvar-se dos homens fortes” (Ec.12:3) também tem sido entendido como a fragilidade que chegam às pernas do ser humano, que não mais conseguem sustentar o peso do corpo e, por isso, é comum vermos os mais idosos andarem “encolhidos”, “encurvados”, pois não se tem mais a força para sustentar o corpo. Há a fragilidade do esqueleto, da própria sustentação do organismo.

-A velhice, também, é o momento em que “cessam os moedores, por serem poucos” (Ec.12:3), ou seja, o momento em que os dentes se perdem, já não têm o mesmo vigor de antes, obrigando as pessoas a se utilizarem dos recursos odontológicos para poderem mastigar os alimentos.

-Salomão volta a dizer, então, a respeito da perda da visão física, o que faz com que alguns intérpretes indiquem que a primeira referência feita pelo pregador dizia respeito apenas à parte intelectual.

Os dias da velhice são dias em que “se escurecem os que olham pelas janelas”, ou seja, dias em que a visão fica comprometida, como vemos, por exemplo, no caso de Eli, o juiz e sumo sacerdote de Israel (I Sm.3:2).

-O pregador prossegue, mostrando quão maus são os dias da velhice, ao dizer que “as duas portas da rua se fecham por causa do baixo ruído da moedura”, o que Matthew Henry interpreta como sendo o fato de que

“…os idosos mantêm-se dentro de casa e não fazem caso de sair para entretenimento. Os lábios, as portas da boca, estão fechados no comer, porque os dentes se foram e o som da mastigação é pequeno, de modo que eles não têm aquele comando da sua carne em suas bocas que eles costumavam ter; eles não podem digerir a carne e, por conseguinte, pouca coisa é trazida para ser moída…” (ibid.) (tradução nossa de texto original em inglês).

-Como se isso fosse pouco, Salomão ainda que se “levantam-se à voz das aves, e todas as vozes do canto se baixam” (Ec.12:4), mostrando que os mais idosos têm sono leve, acordam com muita facilidade, levantando- se cedo, juntamente com as aves, porque já não conseguem ficar deitados por muito tempo.

-Além do mais, as muitas dores, o desgaste do corpo, todos estes incômodos fazem com que os idosos não tenham mais motivos para cantar, razão pela qual as “vozes do canto se baixam”. Já não há ânimo para se divertir com instrumentos musicais e com danças, como se fazia na juventude (Ec.2:8).

-Além disso, é fato que, com a idade, também há uma sensível perda da audição, de modo que os idosos já não mais distinguem os sons e os ruídos com clareza, tudo lhes parecendo ser “baixo” e “longínquo”, motivo por que, também se diz que “as vozes do canto se baixam”.

-Por causa desta situação física e psíquica, os idosos temem “o que está no alto” (Ec.12:5), seja porque já não têm a agilidade necessária para chegarem a lugares altos, diante do comprometimento de suas pernas e de sua locomoção, seja, mesmo, porque um lugar alto lhes faz passar mal, ante o próprio comprometimento de seu sistema de equilíbrio.

-Sua fragilidade física, o desgaste do seu organismo também faz com que eles passem a viver amedrontados com tudo o que lhes sucede na vida.

Passa a haver “espantos no caminho”, pois, sabedores de sua fraqueza insuperável, os mais velhos começam a temer as múltiplas situações em que podem ser envolvidos, máxime em nossos dias atuais, onde a maldade tem se multiplicado de tal maneira.

-Por isso mesmo, não é difícil encontrarmos os idosos reclusos em suas casas, sem coragem ou ânimo para saírem, para até mesmo se encontrarem com seus conhecidos e amigos, tendo em vista o aumento da criminalidade e o fato de, por causa de sua fraqueza, serem alvos preferenciais dos maus elementos que se multiplicam sobremaneira em nossa sociedade.

-Salomão diz que, na terceira idade, “floresce a amendoeira” (Ec.12:5), expressão que nos aponta para os cabelos brancos, as “cãs”, um sinal de que a idade chegou, de que a velhice tem alcançado alguém. A amendoeira, a primeira árvore a florescer no final do inverno e início da primavera no Oriente Médio, fica toda branca na florescência.

-As “cãs” indicam, assim, a velhice, o que, a princípio, é algo honroso, porquanto demonstram a experiência de vida, a vivência daquela pessoa, que, por isso, deve ser honrada (Lv.19:32; Pv.16:31; 20:29).

No entanto, no sentido aqui trazido pelo pregador, as cãs são um indicador de que todas as mazelas da velhice estão presentes na pessoa que as tem.

-Mas o tempo da velhice é também o tempo em que “o gafanhoto é um peso” (Ec.12:5), ou seja, os idosos não conseguem carregar nem as coisas mais leves, não aguentam mais peso, diante de sua fragilidade física.

-O tempo da velhice é, também, o tempo em que “perece o apetite” (Ec.12:5), ou seja, é o instante em que os instintos carnais estão sobremodo mitigados, de sorte que o desejo se apequena, não tendo mais o idoso vontade de se alimentar e, mesmo, vontade sexual como tinha em outros tempos.

-O tempo da velhice, com todas essas vicissitudes, mostra a triste realidade da vida debaixo do sol. Através destes penares no dia-a-dia da existência, o idoso sempre, como ninguém, a proximidade da morte, o destino de todo aquele que vive debaixo do sol.

-Assim, mesmo em meio a tantas dores e tribulações, a grande verdade é que a terceira idade permite a seu portador uma reflexão a respeito de toda a falta de sentido e da transitoriedade da vida debaixo do sol.

-Ao sentir em sua pele a degeneração do corpo humano, o idoso pode, como ninguém, perceber que tudo quanto se oferece nesta vida debaixo do sol é uma ilusão, pois tudo quanto se oferece ao homem é passageiro e nada impede que haja a degeneração do corpo e a chegada de todas estas vicissitudes que ele presencia e experimenta a cada dia.

-Na verdade, o idoso pode perceber, no seu cotidiano, que tudo quanto a vida debaixo do sol oferece e tudo quanto ele experimentou para nada serviu. Apenas a ordem divina da degeneração do ser humano, por causa do pecado, manteve-se inabalada durante todo o passar dos anos, a ponto de ele estar a presenciar, em seu próprio corpo, a veracidade e a suficiência da Palavra de Deus.

-Salomão, mesmo, depois de tanta glória, fama, riquezas, inteligência e poder, vivenciava aquilo que bem descrevia na parte final de seu sermão.

Ele que tivera tantas mulheres, tanto prazer, tanta alegria, tanto trabalho, tanto poder, tanto prestígio, estava a sentir tudo aquilo que estava a dizer, percebendo que de tudo o que tivera, nada pudera impedi-lo de se aproximar, cada vez mais, do pó da terra. “O homem se vai à sua eterna casa e os pranteadores andarão rodeando pela praça” (Ec.12:5).

-O idoso sente a proximidade da morte e entende, como ninguém, como é real o juízo divino lançado sobre o homem após o pecado, de que ele seria pó e ao pó tornaria (Gn.3:19).

A despeito de tudo quanto fizermos no mundo, em atingindo a terceira idade, a única coisa que fica, na realidade, é a proximidade da morte, a ponto

de o pregador dizer que sente que os “pranteadores”, aqueles profissionais que eram pagos para chorar nos
funerais, estavam rodeando pela praça, aguardavam o momento de chorar pelo idoso.

-É fato que os idosos passam a pensar fixamente na morte, o que, aliás, faz com que a companhia de uma pessoa mais velha seja abominada por alguns, que não querem nem pensar na morte, que é algo que sempre se encontra na mente do idoso.

Se é verdade que isto não pode ser um pensamento extremamente fixo, é natural, como nos mostra Salomão, que isto esteja permanentemente na mente do idoso, pois faz parte deste ciclo da vida a contemplação desta realidade inexorável.

-É desta contemplação da morte como uma realidade que advém a sabedoria dos mais idosos. Quando o idoso percebe esta proximidade e faz deste sentir um motivo a mais para se aproximar de Deus e para transmitir a realidade da vida debaixo do sol aos mais jovens, temos uma pessoa que muito contribuirá para o crescimento espiritual dos que o cercam.

-O idoso não deve sentir a proximidade da morte como um pavor, como um motivo de desalento ou desânimo, como um fator de depressão, mas como uma oportunidade ímpar que o Senhor lhe dá para que enxergue a vida com os olhos da fé, para entender o caráter passageiro e transitório da vida, a fim de que possa transmitir esta experiência para os mais jovens, a fim de que estes, ainda no limiar da existência, venham a se lembrar do Criador agora, quando têm vigor, para que não sofram um “choque de realidade” na terceira idade, com todas as suas vicissitudes psicofísicas.

-O pregador não está a defender que os idosos, ante a proximidade da morte, prostrem-se e fiquem inertes. Como vimos na lição anterior, o pregador convida todos a terem uma vida ativa, uma vida bem vivida, seja na juventude, seja na terceira idade.

Aliás, embora estejam restritos pela idade avançada, os velhos podem, sim, muito contribuir para o bem do próximo. Tanto é assim que Salomão resolveu chamar o povo para lhes pregar este sermão, que é o livro de Eclesiastes, mostrando, com isso, que não estava inerte nem deprimido, mas decidido a mostrar a realidade da vida debaixo do sol para todos os seus súditos.

-O idoso, ao sentir a proximidade da morte, deve lembrar que o homem está indo para a sua “eterna casa”, que existe algo além da morte física, que a vida debaixo do sol é apenas um estágio, uma fase da existência humana.

Por isso, deve se preparar convenientemente para passar para “o lado de lá”, o que não demorará a ocorrer. É um tempo de maior dedicação ao Senhor, de busca da Sua face, máxime através da oração e da meditação nas Escrituras, atividades que mais correspondem ao seu atual estado de fragilidade física.

-O idoso deve entender a velhice como uma oportunidade que o Senhor dá para que a pessoa faça aquilo que pode fazer nesta vida terrena. A concessão de idade avançada para alguém não é uma ocasião em que Deus queira fazer a pessoa sofrer, passar por dores ou algo semelhante.

-Muito pelo contrário, é um instante em que o Senhor quer que a pessoa aproveite estas “horas extras” debaixo do sol para fazer mais bem ao próximo e, principalmente, orientar os mais jovens a que tenham uma vida agradável a Deus nesta existência.

É o tempo de “repartir com sete e ainda até com oito” a sua experiência de vida e levar o próximo a se lembrar do Criador desde os dias da sua mocidade.

IV – COMO RESTAURAR O CORPO DA CORRUPTIBILIDADE DECORRENTE DO PECADO

-Vistos os efeitos do pecado sobre o corpo humano, como superá-los? Como inutilizá-los?

-A solução é a salvação em Cristo Jesus. Quando cremos em Jesus, temos a certeza de que atingiremos a glorificação, último estágio do processo da salvação, quando o corpo alcançará a incorrupção (I Co.15:52-54), seja pela ressurreição, se a pessoa já estiver morta no dia do arrebatamento da Igreja, seja pela transformação, caso a pessoa esteja viva naquela data.

-O corpo de Jesus Cristo não sofreu corrupção (At.2:27), pois Jesus ressuscitou ao terceiro dia (I Co.15:4), atingindo, então, a glorificação (Rm.8:30), tanto que, como podemos ver nas aparições de Jesus ressurreto, o corpo não era mais o corpo corruptível, mas um corpo glorioso, que entrava em um cenáculo com porta fechadas (Jo.20:19), que desapareceu no instante em que o Senhor deu graças pela refeição na casa dos discípulos em Emaús (Lc.24:31).

-A glorificação do corpo de cada salvo é o desfazimento de todas as consequências do pecado sobre o corpo. O corpo glorificado é um corpo espiritual (I Co.15:44), que não é mais imagem da Terra, uma síntese de elementos materiais, para passar a ser a imagem do celestial, uma semelhança do corpo glorioso de Jesus ressurreto (I Co.15:49; I Jo.3:2).

-Este corpo não terá carne nem sangue (I Co.15:50), ou seja, sua composição não será de elementos materiais do Universo físico, como é o atual corpo. Em vez de reproduzir a imagem da Terra, o corpo glorificado refletirá o ambiente celestial, o ambiente espiritual existente na Nova Jerusalém, nos novos céus e nova terra.

-De igual maneira, este corpo não terá sangue, porque o sangue é necessário para que o corpo físico atual do homem tenha vida, mas, na dimensão da eternidade, isto será totalmente desnecessário, porque a vida é eterna, não mais física, não mais dependente do ar que respiramos, já que é o sangue que promove a possibilidade das trocas gasosas no organismo.

-Este corpo não se submeterá às leis naturais deste Universo físico, tanto que, além de ocorrer a ressurreição, que é a superação da morte física, limite de todo ser vivo na atualidade, teremos, logo de início, a total invalidação do princípio da gravidade a estes corpos, tanto que tanto os salvos ressuscitados quanto os salvos vivos transformados serão levados até os ares, até os lugares celestiais, onde se encontrarão com seu Senhor (I Ts.4:16,17).

-Este corpo também não envelhecerá nem tampouco terá doenças ou enfermidades, nunca mais conhecendo morte, dor, lágrima ou coisas quetais (Ap.21:4).

-Esta é a verdade bíblica que se nos apresenta, mas, os homens, em sua cegueira espiritual, ao longo da história, vivem a buscar a longevidade e a superação da morte por meio de práticas como a magia ou o uso de técnicas supostamente científicas.

-Por isso, ao longo dos séculos, não foram poucos os que defenderam a utilização de “mistérios espirituais”, esoterismo, alquimia e tantas outras atividades ilusórias, criadas pelos homens e até mesmo inspiradas pelo diabo e seus anjos, para a obtenção da vida eterna como “o elixir da longa vida”, “a fonte da eterna juventude”, a criogenia, a clonagem humana, tudo com a vã esperança de que o homem sem Cristo possa viver para sempre, que o corpo seja mantido vivo indefinidamente ou em condições de, no futuro, poder ser ressuscitado.

– Não nos deixemos iludir mas creiamos em Jesus e perseveremos até o fim, porque, aí, sim, venceremos a morte e alcançaremos a glorificação do nosso corpo, vivendo para sempre com nosso Senhor e Salvador.

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11792-licao-3-o-corpo-e-as-consequencias-do-pecado-i

Glória a Deus!!!!!!!