A Pessoa Divina do Espírito Santo capacita a realizarmos a obra de Deus na face da Terra.
INTRODUÇÃO
-Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, hoje estudaremos o papel do Espírito Santo como agente capacitador da obra de Deus.
-O Espírito Santo é a Pessoa Divina que nos torna capazes a realizar as tarefas determinadas por Deus ao homem que O serve.
I – O ESPÍRITO SANTO COMO CAPACITADOR
-Na sequência dos estudos a respeito da Doutrina da Trindade, estudaremos hoje o Espírito Santo como
“agente capacitador da obra de Deus”.
-“Agente” é aquele que faz algo, que toma uma atitude, pratica uma ação. “Agente capacitador” é aquele que faz com que alguém se torne capaz a realizar algo, ou seja, tenha a habilidade de fazer algo, esteja apto a realizar algo.
-O Espírito Santo é, pois, a Pessoa Divina que nos torna aptos a realizar a obra de Deus, que nos habilita a fazer tudo quando o Senhor tem determinado o homem fazer sobre a face da Terra.
OBS: Em 2011, um documento do Sínodo dos Bispos da Igreja Romana bem caracterizou esta incapacidade humana e a necessidade de um agente capacitador em trecho que convém aqui transcrever:
“…Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que vos tenho ordenado» (Mt. 28, 19-20).
Com estas palavras, Jesus Cristo, antes de subir aos céus e se sentar à direita de Deus Pai (cf. Ef. 1, 20), enviou os seus discípulos para anunciar a Boa Nova ao mundo.
Eles representavam um pequeno grupo de testemunhas de Jesus de Nazaré, testemunhas da sua vida terrena, do seu ensinamento, da sua morte e, especialmente, da sua ressurreição (cf. Act. 1, 22). A missão era enorme, superior às suas capacidades.
O Senhor Jesus, para os incentivar, promete-lhes a vinda do Paráclito, que o Pai enviará em seu nome (cf. Jo. 14, 26) e os «guiará em toda a verdade» (Jo. 16, 13).
Assegura-lhes, além disso, a sua perene presença: «e eis que Eu estou sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt. 28, 20).
Depois do Pentecostes, quando o fogo do amor de Deus pousou sobre os apóstolos (cf. Act. 2, 3), unidos em oração «juntamente com algumas mulheres e Maria, mãe de Jesus» (Act. 1, 14), o mandamento do Senhor Jesus começou a realizar-se.
O Espírito Santo, que Jesus Cristo concede em abundância (cf. Jo. 3, 34), está na origem da Igreja, que, por sua natureza, é missionária. De facto, logo que receberam a unção do Espírito, o apóstolo São Pedro «levantou-se e falou em voz alta» (Act. 2, 14) anunciando a salvação no nome de Jesus, «que Deus constituiu Senhor e Cristo» (Act. 2, 36).
Transformados pelo dom do Espírito, os discípulos espalharam-se por todo o mundo conhecido e difundiram o «evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus in » (Mc. 1, 1). O seu anúncio chegou às regiões do Mediterrâneo, da Europa, da África e da Ásia.
Guiados pelo Espírito, dom do Pai e do Filho, os seus sucessores continuaram essa missão, que permanece actual até ao fim dos tempos.
Enquanto existe, a Igreja deve anunciar o Evangelho da vinda do Reino de Deus, o ensinamento do seu Mestre e Senhor e, sobretudo, a pessoa de Jesus Cristo. …” ( Lineamenta da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20110202_lineamenta-xiii-assembly_po.html Acesso em 12 mar. 2011) (destaques em negrito nossos).
-Quando o Espírito Santo é apresentado como Pessoa Divina, tradicionalmente é Ele apresentado como sendo a Pessoa Divina incumbida, primacialmente, da santificação.
-O Catecismo da Igreja Católica, por exemplo, diz que, no estudo do mistério da Santíssima Trindade, tem- se como objetivo demonstrar “…como é que, pelas missões divinas do Filho e do Espírito Santo, Deus Pai realiza o seu «desígnio de benevolência» de criação, redenção e santificação…” (§ 235 CIC).
E, ao falar na santificação, está a pensar precipuamente no Espírito Santo, como bem explana o Catecismo Maior de Pio X: “… 136) Que obra é atribuída especialmente ao Espírito Santo? Ao Espírito Santo atribui-se especialmente a santificação das almas.…”.
-Não é diferente o entendimento do Catecismo Maior de Westminster: “… Santificação é a obra da graça de Deus, pela qual os que Deus escolheu, antes da fundação do mundo, para serem santos, são nesta vida, pela poderosa operação do seu Espírito, aplicando a morte e a ressurreição de Cristo, renovados no homem interior, segundo a imagem de Deus, tendo os germes do arrependimento que conduz à vida e de todas as outras graças salvadoras implantadas em seus corações, e tendo essas graças de tal forma excitadas, aumentadas e fortalecidas, que eles morrem, cada vez mais para o pecado e ressuscitam para novidade de vida. (Ef 1.4; 1Co
6.11; 2Ts 2.13; Rm 6.4-6; Fl 3.10; Ef 4.23-24; At 11.18; 1Jo 3.9; Jd 1.20; Ef 3.16-19; Cl 1.10-11; Rm 6.4-
6).…” (grifo nosso) (resposta à pergunta nº 75).
-Inobstante, tal posicionamento não traz a completude do que ensinam as Escrituras com relação à ação do Espírito Santo. Se verdade é que Sua ação, como se viu na lição anterior, é fundamental para a regeneração do ser humano e seu posterior desenvolvimento espiritual, Deus, o Espírito Santo, também é fundamental na capacitação dos salvos para o cumprimento da missão deixada à Igreja.
-Reside, aqui, aliás, uma das peculiaridades da doutrina pentecostal, precisamente aquela que, com base nas Escrituras, entende que a ação do Espírito Santo iniciada no dia de Pentecostes na Igreja persiste e continuará até o final do tempo da Igreja na face da Terra, a dispensação da graça de Deus (Ef.3:1).
II – O ESPÍRITO SANTO NO REVESTIMENTO DE PODER
-A experiência do batismo com o Espírito Santo não se confunde com o novo nascimento, com a salvação, são experiências distintas, embora ambas sejam operações exclusivas do Espírito Santo.
-Entretanto, quando alguém é salvo, passa a ter o Espírito Santo habitando em si, naturalmente, ansiará pelo batismo com o Espírito Santo.
-A presença do Espírito Santo na vida do crente faz com que haja um processo contínuo de santificação na vida do cristão, de tal forma que ele irá se distanciando cada vez mais do pecado e do mal e se aproximando a cada dia do Senhor.
-Como o salmista, o crente passará a dizer que para ele bom é aproximar-se do Senhor (Sl.73:28) e, em sua vida, estará concretizando aquele processo mútuo de atração que é descrito por Tiago: chegai-vos a Deus e Ele Se chegará a vós (Tg.4:8).
-Sendo assim, é uma consequência natural na vida do crente que, passando a ter uma vida progressiva de santificação e de inclinação às coisas do espírito, estando envolvido na obra do Senhor e disposto a glorificar o nome de Jesus em sua vida, o crente deseje e anseie por ser revestido de poder e batizado com o Espírito Santo.
-Este desejo, este anelo é algo que decorre da própria intimidade que se passa a ter com o Espírito Santo.
-O batismo com o Espírito Santo é uma necessidade para que possamos levar a efeito, na sua plenitude, a obra que o Senhor tem destinado à Sua igreja. Quem o diz é o próprio Jesus, que condicionou o início da evangelização ao revestimento de poder (Lc.24:49).
-Dirão alguns que isto era uma necessidade apenas para o início da Igreja, mas assim não entendemos.
-A primeira geração da igreja tinha de enfrentar um mundo hostil, alheio aos valores divinos, imerso no pecado e no maligno.
As gerações posteriores, de igual modo, tiveram de enfrentar um mundo tão hostil quanto o enfrentado pelos apóstolos e, diremos mesmo, um mundo ainda pior, pois Jesus nos afirma que, até a Sua volta, a iniquidade se multiplicará (Mt.24:12).
-Desta maneira, não se trata de uma necessidade histórica ou restrita àqueles dias, mas, sim, de um princípio que deve nortear a vida da Igreja, pois, afinal de contas, a dispensação que estamos a viver é, a um só tempo, a dispensação da Igreja e do Espírito Santo, tanto que são ambos que anelam pela volta do Senhor ao término da revelação escriturística (Ap.22:17).
-Uma vez tendo conhecimento desta promessa de Deus para os Seus servos, o crente, que tem o Espírito Santo, certamente tem desejo de buscar o revestimento de poder, como nos mostra o episódio dos crentes encontrados por Paulo em Éfeso (At.19:1-7).
OBS: ” … todos os autênticos crentes recebem o Espírito Santo ao serem regenerados, e a seguir precisam experimentar o batismo no Espírito Santo para receberem poder para serem suas testemunhas (At 1.5,8; 2.4; …).” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. A regeneração dos discípulos (estudos doutrinários). CD-ROM.)
-O “sopro da boca de Deus” dado por Jesus no dia de Sua ressurreição sobre os discípulos, dando-lhe a “nova vida” não bastou para que eles fossem devidamente capacitados para exercer aquilo que lhes fora incumbido pelo Senhor.
-A evangelização de todo o mundo exigia algo mais que o “sopro da boca de Deus”. Este “sopro de Jesus”
lhes garantia a salvação, a vida eterna, mas não lhes dava o poder necessário para enfrentar o maligno.
-Para tanto, fazia necessário o “revestimento de poder”, a “virtude do Espírito Santo” (At.1:8), o “dom do Espírito Santo” (At.2:38; 10:45).
-Necessário era que o Espírito Santo viesse e habitasse na vida dos discípulos, para não os deixar órfãos, mas,
para evangelizar o mundo, era indispensável que eles tivessem o “batismo com o Espírito Santo”.
-Daí a ordem do Senhor Jesus para que ficassem em Jerusalém até do que do alto fossem revestidos de poder (Lc.24:49; At.1:8).
-Este outro “sopro” que veio aos discípulos no dia de Pentecostes, é o “sopro de poder”, como bem o denominou o pastor José do Prado Veiga da Assembleia de Deus do Belenzinho, São Paulo/SP em ensino dado na reunião de obreiros realizada em 7 de março de 2011: “E, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados” (At.2:2).
-Se o “sopro da boca de Deus”, em Jo.20:22, “regenerou” os discípulos, tornou-os “novas criaturas”, este “sopro de poder” tornou-os aptos a evangelizar, a exercer o seu ministério, a cumprir o “ide de Jesus”.
-O batismo com o Espírito Santo, pois, é um pressuposto para que se possam exercer os dons ministeriais, bem como o pressuposto para que se possam receber os dons espirituais.
-Em Cantares de Salomão, o poeta fala do “jardim fechado” que é a noiva para o seu noivo (Ct.4:12), um “manancial fechado”, uma “fonte selada”.
-No entanto, neste jardim fechado, nesta fonte selada, foram necessários dois ventos: o vento norte, que é o vento que trazia a chuva (Pv.25:23 ARA, TB, NVI), principalmente ao término do inverno, limpando as plantas, retirando tudo quanto de daninho a elas se agregara a partir do outono, com a perda da folhagem; e o vento sul, que é um vento fresco, agradável, suave (Lc.12:55), que dá condições para que “se destilem os aromas” (Ct.4:16).
-Assim, enquanto o “sopro da boca de Deus” traz ao salvo a sua nova geração, a sua salvação; o “sopro de poder” dá condições para que esta planta possa testemunhar Cristo (o noivo) a outrem, possa levar “o bom cheiro de Cristo” às criaturas (II Co.2:14-16).
-O “sopro de poder” torna-nos idôneos para tratar das “coisas de cima” (Cl.3:1-3).
OBS: “… Esta é uma oração.
1. Para a igreja em geral, para que possa haver uma efusão plena do Espírito sobre ela, com o fim do florescimento de sua herança. Os dons ministeriais são os aromas; quando o Espírito é derramado sobre estes flui publicamente e o deserto se torna um campo frutífero, Is.32:15. Esta oração foi respondida no derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecoste (At.2:1), introduzido por um vento veemente e, então, os apóstolos, que antes eram presos a um lugar, como que amarrados, saíram publicamente e foram “bom cheiro para Deus”, II Co.2:15.
2. Para os crentes em particular: Notem
(1) as almas santificadas são como jardins, jardins do Senhor, fechado para Ele.
(2) As graças na Salma são como aromas nestes jardins, tudo o que neles é útil e de valor.
(3). É muito desejável que os aromas da graça se mostrem publicamente tanto em piedade quanto em devoções e em ações de graças santas e que com elas honremos a Deus, adornando nossa profissão e façamos o que é gracioso para todo homem bom.
(4) O Espírito, bendito seja Ele, em Suas operações sobre a alma é como o “vento norte e o vento sul”, que assopra onde quer e de vários pontos, Jo.3:8.
Há o vento norte das convicções e o vento sul do consolo; mas todos, como o vento, apresentando os tesouros de Deus e cumprindo a Sua Palavra.
(5) A demonstração pública dos aromas da graça depende das ventanias do Espírito; Ele incita as boas afeições e obras bem como trabalha em nós tanto o querer como o fazer o que é bom; é Ele que faz manifestar em nós o cheiro do conhecimento de Cristo por nós.
(6) Consequentemente, nós deveríamos aguardar pelo Espírito de graça, pela aceleração de Suas influências, oram por elas e colocar nossas almas debaixo delas.
Deus tem prometido dar a nós o Seu Espírito, mas Ele quer que nós isto Lhe peçamos.…” (HENRY. Matthew. Comentário bíblico completo. Comentário a Ct.4:15,16. Disponível em: http://www.biblestudytools.com/commentaries/matthew-henry- complete/song-of-solomon/song-of-solomon-4.html Acesso em 09 mar. 2011) (tradução nossa) (texto em inglês).
III – O ESPÍRITO SANTO COMO O RENOVADOR ESPIRITUAL
-Mas não basta recebermos o batismo com o Espírito Santo. Este “sopro de poder” não traz apenas “o dom do Espírito Santo”, mas, a partir dele, a Igreja tem de ser adornada pelos “dons espirituais”, que o Espírito dá a cada um segundo a Sua própria vontade (I Co.12:11), para o que for útil na casa do Senhor (I Co.12:7).
-Mas, também, não se pode ter o Espírito Santo apenas como “sopro de poder”, mas, uma vez mais se utilizando do estudo do pastor José do Prado Veiga, é mister que Ele seja um “sopro de renovo”, como se verifica em At.4:31, quando todos os crentes foram cheios do Espírito Santo, tanto os que haviam se convertido no dia de Pentecostes e ainda não tinham recebido “o dom do Espírito Santo”, como também os que haviam sido revestidos de poder no dia de Pentecostes, mas foram, naquela oportunidade, renovados.
-A constante renovação espiritual é uma necessidade para todo e qualquer servo do Senhor. O Espírito
Santo deve estar sobre nós como “óleo fresco” (Sl.92:10).
-O óleo nunca pode faltar sobre as nossas cabeças (Ec.9:8), pois o Espírito é como o vento, ou seja, tem de ser sempre em movimento, atuando em nossas vidas. O que não se renova, envelhece e o que é velho, perto está de acabar (Hb.8:13b). A aliança que firmamos no sangue de Cristo é uma “nova aliança” (I Co.11:25; Hb.8:13a).
-No jardim fechado de Cristo, apesar de ele estar fechado, cercado pelo “muro da salvação” (Is.26:1), tem de haver o soprar constante do “vento norte e do vento sul”, pois, se assim não se der, não haverá como se ter o florescimento e a produção de frutos pelo jardim. Sem o renovo espiritual constante não se poderá cumprir a tarefa a nós confiada pelo Senhor: de ir e produzir fruto, e fruto permanente (Jo.15:16).
-A falta de renovação espiritual leva à reprovação divina. Das sete igrejas para as quais o Senhor Jesus mandou cartas por intermédio do apóstolo João, cinco tinham problemas de renovação espiritual.
-Que problemas eram estes? Em Éfeso, a perda do primeiro amor (Ap.2:4); em Pérgamo, os seguidores da doutrina de Balaão e da doutrina dos nicolaítas, ou seja, os seguidores de falsas doutrinas (Ap.2:14); em
Tiatira, a tolerância de Jezabel, a profetisa que levava o povo à prostituição e à participação dos sacrifícios da idolatria (Ap.2:29); em Sardo, a morte espiritual do anjo da igreja (Ap.3:1,2); em Laodiceia, a mornidão espiritual, i.e., a mistura com o pecado e o mundo (Ap.3:16).
-Estes fatores continuam a ser, ainda hoje, obstáculos para que tenhamos o “sopro de renovo” em nossas vidas. Sem este sopro, não seremos capazes de produzir o fruto permanente, de exalar “o bom cheiro de Cristo”.
-Mas, para todos estes que perderam a renovação espiritual, temos a última capacitação do Espírito Santo, o “sopro da restauração”, que vemos na visão do vale dos ossos secos, em Ez.37:9, o “sopro do Espírito que faz tornar da morte para a vida”.
-Os ossos sequíssimos, ao receber este sopro, tornaram-se num exército em pé, grande em extremo (Ez.37:10). Conquanto a visão se refira a Israel, que será restaurado espiritualmente e cujo remanescente será salvo (Rm.11:26), também ela se aplica aos que perderam o renovo espiritual na Igreja, pois, em todas as mencionadas cartas, o Senhor Jesus dá um caminho de escape para os Seus servos, mandando, ao final, que todos ouvissem o que o Espírito estava a dizer àquelas igrejas.
-O Espírito Santo, conquanto Se afaste daqueles que transgridem a Palavra de Deus, não os abandona, mas continua a lhes falar, a fim de que eles ouçam e aceitem a Sua voz, não endureçam seus corações (Sl.95:8; Hb.4:7) e, assim, recebam este “sopro da restauração”, que os fará levantar novamente e os transformar, uma vez mais, em bons soldados de Cristo Jesus (II Tm.2:3).
-Somente pelo Espírito Santo podemos ser salvos, reconhecer a Cristo como nosso Senhor (I Co.12:3), ter condições de alcançar a vida eterna.
-O Espírito Santo é indispensável para que nos mantenhamos em comunhão com Deus, pois é Ele a Pessoa Divina encarregada de promover esta comunhão (II Co.13:13), depois da obra redentora do Calvário, operada pelo Filho, enviado que foi pelo Pai (Ef.2:11-18).
-Não nos iludamos, pois, e sempre sejamos sensíveis à voz do Espírito de Deus, pois, se assim não fizermos, teremos o mesmo fim da geração do êxodo que, por se rebelar contra o Senhor, não crer em Suas palavras, pereceu sem alcançar a Terra Prometida (Hb.3:15-19). Que Deus nos guarde!
-É somente neste sentido de renovação espiritual que podemos falar em “nova unção”, ou seja, o revigoramento espiritual daquele que se encontra espiritualmente abatido, daquele que necessita de despertamento (Ef.5:14), de avivamento (Hc.3:2).
-Muitos têm denominado de “nova unção” uma série de manifestações espirituais que, no entanto, são espúrias e não têm qualquer respaldo bíblico, verdadeiras “inovações” e “novidades” que tão somente representam falsos ensinos e atuações, por vezes, diretamente fomentadas por demônios.
-Este falso ensino disseminou-se a partir da chamada “bênção de Toronto”, iniciada no aeroporto dessa cidade canadense a partir de 1994 e que se mostrou um movimento espúrio e que grande mal trouxe e ainda tem trazido à Igreja, como bem demonstrou o pastor Paul Gowdy, que de tudo participou.
OBS: Assim se manifesta Gowdy a respeito da chamada “bênção de Toronto”: “…Durante alguns anos falei da experiência de Toronto como uma bênção misturada. Penso que James A.
Beverly o chamou assim em seu livro “Risada Santa” e a “Bênção de Toronto 1994”. Hoje diria que foi uma mistura de maldição, concluindo que qualquer coisa boa que alguém recebeu através desta experiência pessoal é enormemente ultrapassada pela gravidade do mal e do engano satânico.…” (Gowdy, Paulo. Avivamento – o engano de Toronto. Disponível em: https://igrejaurbana.com/avivamento-o-engano-de-toronto/ Acesso em 04 nov. 2025).
IV – O ESPÍRITO SANTO COMO O DISTRIBUIDOR DOS DONS ESPIRITUAIS
-Uma vez revestidos de poder, os doze apóstolos iniciaram, então, o exercício daquilo que haviam recebido de Cristo, ou seja, o exercício do ministério da palavra e da oração, para o que haviam sido enviados pelo Senhor (At.6:2,4).
-Mas isto ainda era pouco. Alguns dias depois, já revestidos de poder, os discípulos passaram a demonstrar o poder do Espírito Santo em suas vidas, por intermédio da realização de curas, sinais e maravilhas (At.3:1-8; 4:33; 5:12,15,16), algo que não privativo dos apóstolos, mas que se espalhou por toda a Igreja, inclusive entre os gentios, como atesta o apóstolo Paulo ao dizer que, em Corinto, não faltava dom algum (I Co.1:7).
-Notamos, portanto, que, além da salvação propriamente dita, o Senhor quis adornar a Igreja com muitos outros dons, com muitas outras dádivas, a começar pelo dom do Espírito Santo (At.2:38), expressão que envolve tanto o Espírito Santo em Si como o revestimento de poder.
-Se o dom do Espírito Santo é dado a toda a Igreja, o mesmo não ocorre com os demais dons.
-Para sermos participantes do corpo de Cristo, necessário se faz que recebamos o Espírito Santo, pois é Ele quem nos guiará em toda a verdade, que nos levará ao encontro de Jesus Cristo nos ares, mas os demais dons são distribuídos pelo Senhor, porque são dons dados à Igreja e a Igreja, embora seja um só corpo, é formado de diversos membros (I Co.12:12,20).
-Jesus, sendo a cabeça da Igreja (Ef.1:22; 5:23), distribui os dons como quer entre os membros do corpo (I Co.12:18), até porque um corpo precisa ter seus membros exercendo diferentes funções para que haja a unidade.
-Por isso, é extremamente relevante sabermos que os dons são repartidos particularmente (I Co.12:11), ou seja, o Senhor dá os dons conforme a necessidade da Igreja para certas pessoas, nem todas receberão os mesmos dons (Rm.12:4-6) e o mais lindo disto tudo é que, recebendo as pessoas diferentes dons, completam- se um ao outro, cristalizando e consolidando a unidade do corpo de Cristo.
-Os dons espirituais são aqueles elencados em I Co.12:8-11, onde vemos que são dons dados pelo Espírito Santo a certos membros da Igreja para que haja a manifestação do Espírito Santo no meio da Igreja no que for útil (I Co.12:7), para o fim de edificação, exortação e consolação da Igreja (I Co.14:3).
-Com relação a estes dons espirituais, chamados de “carismáticos”, as Escrituras são clarividentes em nos mostrar que cabe ao Espírito Santo distribuí-los, conforme a Sua vontade, entre os membros em particular da Igreja, o corpo de Cristo (I Co.12:11).
-Devemos, no entanto, observar, que se trata de “dons”, ou seja, estamos diante de uma “doação” de Deus. Ora, como explicam os juristas, somente ocorre uma doação quando além de alguém disposto a dar algo, outra pessoa aceite receber o que é dado.
OBS: Isto fica bem esclarecido na leitura do artigo 539 do Código Civil, que assim dispõe: “O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade. Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que aceitou, se a doação não for sujeita a encargo”.
-Tem-se, portanto, que, em se tratando de uma doação, a entrega de dons aos salvos pelo Senhor tem duas características fundamentais: a primeira, que se trata de um ato de liberalidade de Deus, ou seja, algo que decorre de Sua exclusiva vontade soberana, de modo que quem dá e o que dá é exclusivamente o Senhor, que não está obrigado a entregar este ou aquele dom a quem quer que seja. É por isso que é dito que o Senhor dá a quem quer, escolhe o dom que quiser a quem quiser.
-A segunda característica é que os dons devem ser queridos por quem os recebe, pelo chamado donatário. Não há que se falar em entrega de dons se o receptor não aceitar recebê-lo. É por este motivo que se torna indispensável a busca dos dons, como recomenda o apóstolo Paulo (I Co.12:31).
-Esta aceitação, ademais, não deve existir apenas para receber o dom, mas, também, no momento de seu exercício, pois, uma vez recebido o dom, deve ser ele devidamente cuidado e mantido em exercício pelo receptor, segundo a graça de Deus (Rm.12:6).
-No direito, entende-se que o donatário que for ingrato ao doador pode, em determinadas circunstâncias, perder o dom que lhe foi dado. O doador pode revogá-lo.
-O mau exercício dos dons pode fazer com que o percamos ou, pelo menos, não seja mais ele posto em exercício, como, aliás, vemos, claramente, tanto na parábola dos talentos quanto na parábola das minas, em que o mau e negligente servo perdeu aquilo que se lhe havia sido dado (Mt.25:28-30; Lc.19:24-26).
-Muitos objetam este pensamento, invocando o que se encontra escrito em Rm.11:29, onde o apóstolo Paulo afirma que os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. Assim, uma vez tendo o Senhor dado um dom a alguém, não poderia Se contradizer, retirando o dom da pessoa.
-O referido texto, entretanto, está a falar da eleição de Israel como reino sacerdotal e povo santo. Deus não Se arrependeu de fazer de Israel Sua propriedade peculiar dentre os povos e, apesar da desobediência de Israel, este propósito divino será cumprido, o que ocorrerá no reino milenial de Cristo, mas a rejeição de Israel ao Messias fez com que o Senhor deixasse de ter a Israel como Seu povo durante a dispensação da graça, passando a ter como tal a Igreja. Assim, perdeu Israel a condição que Deus lhe havia dado ou, pelo menos, deixou de ter tal condição de modo ativo.
-Assim, Deus, na entrega dos dons, que é uma doação, não está preso ao homem, mas, sim, mantém a Sua soberania, podendo, pela ingratidão do homem, revogar ou, ao menos, tornar inativa a dádiva concedida.
-Seus propósitos serão cumpridos mas aqueles que não forem obedientes, mesmo tendo recebido dons, perdê- los-ão ou, pelo menos, terão a inatividade dos referidos dons, que são sempre exercidos pela graça de Deus, até que venham a se arrepender, até que venham a se converter dos seus maus caminhos.
-O Espírito Santo reparte os dons como quer e é evidente que não atuará na vida daqueles que não se mantiverem em comunhão com Ele, pois é um ser que Se entristece quando não há fidelidade por parte do homem (Ef.4:30) e que não deixa sem castigo aquele que, por sua impiedade, O agrava (Hb.10:29).
-Os dons espirituais, portanto, são dádivas, poderes que o Espírito Santo concede a alguns crentes, a fim de que seja evidenciada, no meio do povo de Deus, a presença do Senhor e seja confirmada a pregação do Evangelho (Mc.16:20), ele próprio poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê (Rm.1:16).
-Por isso dizemos que o crente pentecostal, ou seja, o crente que crê na operação ainda hoje do Espírito Santo como agente transmissor de poder divino na pregação do Evangelho, é um crente que crê no Evangelho completo, pois a pregação do evangelho abrange não só a notícia de que Jesus é o Senhor e Salvador do mundo e que é preciso n’Ele crer para alcançar o perdão dos pecados e a salvação da alma, obtendo, assim, a vida eterna, como também esta mensagem é confirmada da parte de Deus mediante a operação do Seu poder, através do batismo com o Espírito Santo e, depois, dos dons espirituais, cuja recepção se torna possível em virtude do revestimento de poder, do mergulho, da imersão do ser do crente no fogo do Espírito de Deus, no seu completo envolvimento com a Terceira Pessoa da Trindade Divina.
-Uma pregação do evangelho, sem a confirmação dos sinais, é um evangelho incompleto. Não resta dúvida de que se trata de uma genuína pregação do Evangelho, pois o Evangelho é poder de Deus para salvação e, portanto, não está no pregador a capacidade para o convencimento dos pecadores, para o seu arrependimento e para o novo nascimento, mas, sim, na virtude que emana da própria Palavra de Deus, que é mais penetrante do que espada alguma de dois gumes e que penetra na divisão da alma e do espírito e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração (Hb.4:12).
-Entretanto, tal pregação será, sempre, algo que ficará sem a devida confirmação, sem o devido respaldo, que ateste que o que foi falado não foi apenas palavra persuasiva de sabedoria humana, uma grande exposição retórica, um discurso emocionador, mas demonstração de Espírito e de poder (I Co.2:4).
-Em o nosso cotidiano, temos algo que pode bem ilustrar esta situação: o serviço postal abre-nos a possibilidade de, quando encaminhamos um telegrama, termos a recepção de uma confirmação. Quando optamos pelo recebimento da confirmação, temos a certeza de que a correspondência foi entregue, podemos até usar a confirmação como prova caso surja algum problema posterior.
Se não temos a confirmação, temos a ideia de que a correspondência tenha sido entregue, mas não teremos como provar. Assim é a pregação do evangelho que é confirmada pela demonstração de Espírito e de poder.
-Devemos, também, aqui distinguir os dons espirituais dos dotes naturais, dos talentos individuais que alguém tenha. Sabemos que todas as coisas pertencem ao Senhor (Sl.24:1) e que somos simples administradores do que Deus nos concede desde quando passamos a existir como seres humanos, como vimos no estudo do trimestre anterior, a respeito da doutrina da mordomia (Gn.1:26-28).
-Assim, tudo que achamos ter não é nosso, mas, sim, algo que nos foi confiado pelo Senhor. Entretanto, não podemos confundir os dons espirituais, que são “…meios pelos quais o Espírito revela o poder e a sabedoria de Deus, através de instrumentos humanos, que os recebem e bem usam…”(BÉRGSTEN, Eurico. Teologia sistemática: doutrina do Espírito Santo, do homem, do pecado e da salvação, p.39-40), com habilidades que Deus tenha concedido a alguém, que as possua naturalmente, que façam parte da sua natureza.
-Assim, por exemplo, sabemos que há pessoas que têm habilidades musicais ou artísticas, alguém que tem uma memória prodigiosa, outros que têm uma capacidade de liderança, e assim por diante, que são, sim, como sabemos, dádivas dadas por Deus aos indivíduos, mas que são dádivas inseridas na natureza de cada um, sem que, para tanto, tenha havido a operação sobrenatural de Deus, através do Espírito Santo, sem que tenha existido o envolvimento, o revestimento de poder.
-Tais dotes naturais não podem, portanto, ser considerados como dons espirituais, pois são talentos, dotes, dádivas naturais que, como tudo, provém de Deus, mas sem o sentido que aqui estamos estudando.
-São habilidades, tendências e dotes que são dados ao homem natural, ou seja, a qualquer ser humano, qualidades que existem independentemente de um relacionamento de comunhão entre Deus e o homem.
Já os dons espirituais, porém, são manifestações sobrenaturais do poder de Deus através de um indivíduo, é o próprio Espírito Santo atuando, através de um servo do Senhor, para a realização de ações que fogem às leis naturais e que são feitos que não se encontram na natureza do indivíduo, mas algo que foi adquirido pelo instrumento de Deus pela Sua própria e soberana vontade.
-Os dons espirituais, também, distinguem-se das qualidades decorrentes da conversão, do novo nascimento. Quando uma pessoa aceita a Cristo como seu Senhor e Salvador passa por uma completa transformação, pois o trabalho do Senhor é este mesmo: fazer com que as pessoas passem da morte para a vida (Jo.5:24), saiam das trevas para a luz (I Pe.2:9).
-Como disse Paulo, quem está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas passaram e tudo se fez novo (II Co.5:17). Em razão disto, a pessoa nascida de novo, convertida ao Senhor, passa a ter um novo caráter, tendo novas qualidades e realizando outras obras (Gl.5:22), o que caracteriza o que se denomina, nas Escrituras, de fruto do Espírito Santo, algo que será objeto de lições futuras neste trimestre.
-Não obstante, este fruto do Espírito não se confunde com os dons espirituais. O fruto do Espírito está presente em toda pessoa convertida, em toda nova criatura, em todo filho de Deus, o que não acontece com os dons espirituais, que são dados individualmente, não a todos mas apenas a alguns dentre os servos do Senhor, pois a Bíblia nos ensina que é repartido particularmente (I Co.12:11), enquanto que o fruto é geral, tanto que Jesus disse que, por ele, seriam identificáveis os Seus seguidores (Mt.7:17-20).
-Assim, não confundamos os dons espirituais com os “dons do Espírito Santo” mencionados pela teologia romanista, que são “…disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito.” (§ 1830 CIC).
-Baseados em Is.11:2, os romanistas entendem que “… Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de Davi. Completam e levam ã perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecer prontamente às inspirações divinas.” (§ 1831 CIC).
-Entretanto, estes chamados “dons”, nada mais são que as virtudes incutidas no salvo pela presença do Espírito
Santo em seu ser.
-Quando o Espírito Santo vem ao homem, Ele entra em comunhão com o espírito divino, passa a dirigir o salvo e, deste modo, passamos a agir com sabedoria, inteligência, segundo o conselho divino, fortaleza, ciência espiritual, piedade e temor de Deus, porque passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4).
-É bem por isso que o Espírito Santo é chamado de “os sete Espíritos de Deus” ou “sete Espíritos” (Ap.1:4; 3:1; 4:5; 5:6), expressão que indica a plenitude do Espírito Santo, somente presente em Jesus, mas que nos dá a indicação de quais virtudes Sua presença incute em cada salvo, algo que, aliás, era prefigurado nas sete lâmpadas do candelabro do templo ou tabernáculo (Ex.25:37; 37:23).
– Tanto o fruto do Espírito como esta participação em a natureza divina são ações relacionadas com o desenvolvimento espiritual do cristão, que nos fazem conformes à imagem do Filho (Rm.8:29), não à capacitação para o serviço.
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12180-licao-10-espirito-santo-o-capacitador-i


