INTRODUÇÃO
-Na sequência do estudo sobre a igreja em Jerusalém, estudaremos o caráter missionário da igreja-mãe.
-A igreja em Jerusalém cumpriu a Grande Comissão.
I – O QUE É O EVANGELHO
-Neste trimestre, estamos estudando a igreja em Jerusalém, a igreja-mãe local da Cristandade, modelo e referência para todas as igrejas locais, tanto que sua história foi registrada nas Escrituras Sagradas.
-A igreja em Jerusalém é, sem dúvida, um modelo a ser seguido quanto ao cumprimento da Grande Comissão, qual seja, a ordem dada pelo Senhor Jesus para que o Evangelho fosse pregado por todo o mundo a toda criatura.
-Lucas, no limiar do livro de Atos, faz questão de dizer que, durante os quarenta dias em que esteve sobre a face da Terra após a ressurreição e antes de ascender aos céus, Cristo Se dedicou a dar mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera (At.1:2) e os demais evangelistas explicitam, entre estes mandamentos, o da pregação do Evangelho (Mt.28:19; Mc.16:15; Lc.24:47; Jo.20:21), dando continuidade ao ministério terreno de Nosso Senhor.
-As últimas palavras do Senhor Jesus antes da ascensão foram relacionadas a esta Grande Comissão, quando afirmou que caberia aos Seus discípulos serem Suas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra (At.1:8).
-Evangelização é, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “processo ou efeito de evangelizar, de difundir os ensinamentos do Evangelho”.
É palavra que não se encontra nas Escrituras, que, no entanto, contém o verbo “evangelizar”, na Versão Almeida Revista e Corrigida, como verificamos em Lc.4:18 e I Co.1:17 na sua forma infinitiva impessoal e em formas conjugadas em I Pe.1:25; I Co.9:18 e Ef.2:17.
-Segundo a Bíblia de Estudo Palavras Chave, em todas estas passagens, temos o verbo grego “euangelidzo” (εύαγγελίζω), cujo significado é “anunciar boas novas (‘evangelizar’), especialmente o Evangelho declarar, trazer (declarar, mostrar) boas novas, pregar (o Evangelho) (op.cit., verbete 2097, p. 2214).
-A palavra grega “evangelion” (εύαγγέλιοον) tem o significado de “boas novas” e era utilizada, em
Roma, para designar as notícias referentes a feitos extraordinários e miraculosos feitos pelos
imperadores, notícias que tinham o propósito de fazer os súditos de Roma crerem que os imperadores eram dotados de poderes divinos e que, assim, trariam melhores dias para a vida terrena.
-Este sentido de “boas novas”, de notícias vindas da divindade para o bem do ser humano, foi dado pelo próprio Senhor Jesus quando iniciou Seu ministério terreno, pois, como nos dá conta o evangelista Marcos (que foi, aliás, o primeiro a adotar esta nomenclatura para tratar da narrativa da vida e ministério de Cristo – Mc.1:1), ao iniciar a Sua pregação, conclamou Seus ouvintes a crerem no “evangelho”, crendo que o tempo da redenção havia chegado, que o reino de Deus estava próximo e que era preciso se arrepender (Mc.1:15).
-Ao longo de Seu ministério, Jesus identificaria a Sua mensagem como sendo “o evangelho” (Mt.11:5; 24:14; Mc. 8:35; 10:29; 13:10; 14:9; 16:15; Lc.4:43; 7:22), tendo, inclusive, mandado que fosse essa a mensagem a ser pregada pelos Seus discípulos em continuidade à Sua obra.
-Não é por outro motivo, aliás, que o apóstolo Paulo diz ser “o Evangelho de Cristo” “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu, e também do grego, porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: mas o justo viverá da fé” (Rm.1:16,17).
-É elucidativo que o apóstolo Paulo resuma o “evangelho” à assertiva do profeta Habacuque de que “o justo viverá da fé” (Hc.2:4), pois “…a tradição judaica parece ir por dois caminhos com a ideia de que a Torá pode ser explicada por meio da halakhah (explicações dos rabinos, dos doutores da lei) (…) [um dos quais] refinar os vários mandamentos em princípios gerais que são cada vez menores em número.
Por exemplo, em Makkot 23b-24a [tratado do Talmude – observação nossa], a discussão vai de uma enumeração dos 613 mandamentos identificados na Torá, para a redução de Davi do número para 11 (Salmo 15), da redução de Isaías para o número de seis (Is.33:15,16), para a redução de Miqueias para o número de três (Mq.6:8), para mais uma redução de Isaías para dois (Is.56:1), para um essencial mandamento por Habacuque (“mas o justo pela fé viverá”).
Obviamente, o apóstolo Paulo refinou as várias mitzvot para o mesmo princípio da fé (veja Rm.1:17; Gl.3:11 e Hb.10:38).…” (PARSONS, John J. Taryag Mizvot: os 613 mandamentos da Torá. Disponível em: http://www.hebrew4christians.com/Articles/Taryag/taryag.html Acesso em 10 fev. 2015) (tradução nossa de texto em inglês) (destaques originais).
-Este único princípio a que se reduz toda a Torá é chamado por Paulo de “Evangelho de Cristo”, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiramente do judeu e depois do grego, a síntese de toda a Torá, a “Torá do Messias”, quando se pode, então, cumprir o mandamento dado por Deus neste novo tempo, o de amar uns aos outros como Jesus nos amou.
-Portanto, proclamar o Evangelho nada mais é que anunciar a notícia de que se pode alcançar a justiça, se pode alcançar a salvação por intermédio da fé em Cristo Jesus, o Senhor e Salvador da humanidade.
II – O QUE É EVANGELIZAÇÃO
-Ora, verificado que evangelização é o ato de evangelizar e que evangelizar é proclamar o Evangelho, vemos, com clareza, que a evangelização é o ato de proclamação do Evangelho, do anúncio de que chegou o tempo de se obter a justiça diante de Deus, de se ter a salvação, mediante a fé em Jesus Cristo, Aquele que veio restaurar a comunhão entre Deus e os homens, que veio restabelecer a amizade com Deus, que veio libertar o homem do pecado e do maligno.
-Esta notícia foi dada, em primeira mão, pelo próprio Deus, quando estava a impor o juízo sobre o primeiro casal por causa do pecado.
No próprio ato em que punia o homem por ter transgredido Sua ordem de não comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, o próprio Deus anunciou que haveria de nascer uma semente da mulher que poria inimizade entre a humanidade e o diabo, aniquilando o poder que Satanás havia obtido sobre os homens, em virtude do pecado, algo que não seria sem custo, vez que esta “semente da mulher” teria ferido o seu calcanhar, ou seja, teria de pagar um preço para realizar esta obra redentora (Gn.3:15).
-Somente Deus poderia dar esta notícia, pois só Deus, dentro de Sua onisciência, sabia que o homem haveria de pecar e que teria de haver um meio para a redenção, para a salvação deste homem.
-A evangelização, portanto, é algo que nasce no próprio Deus, sendo por este motivo, aliás, que as Escrituras dizem que o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo (Ap.13:8), já era conhecido ainda antes da fundação do mundo (I Pe.1:20), pois, estando já na mente divina esta verdade, foi ela divulgada somente após a queda do homem, no exato instante da aplicação do juízo.
-A evangelização, portanto, é uma tarefa inicialmente divina, pois somente Deus poderia dar a notícia de que haveria de salvar o homem e é, por isso mesmo, que temos aqui um “desafio”, ou seja, uma tarefa que é superior à própria condição humana e que, por isso mesmo, não poderia ser executada senão pelo próprio Deus, o que se deu precisamente na pessoa do Filho, Jesus Cristo, cujo ministério era precisamente o de pregar o Evangelho do reino de Deus (Mc.1:14,15) na plenitude dos tempos, quando ainda se estava sob a lei (Gl.4:4).
-No entanto, esta tarefa não ficaria circunscrita ao ministério terreno de Jesus Cristo. Muito pelo contrário, tendo cumprido a lei e vencido o pecado e a morte, o Senhor edificou a Igreja (Mt.16:15) para que ela, como Seu corpo (I Co.12:27), prosseguisse a proclamação do Evangelho, que agora não é o “Evangelho do reino de Deus”, que havia sido pregado aos judeus (Mt.10:6; 15:24; Jo.1:11; At.28:25-28), mas, sim, o “Evangelho da graça de Deus” (At.20:24), porquanto, com o ministério terreno de Cristo, revelou-se outro mistério que estava escondido na mente divina, qual seja, a de que os gentios são coerdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo Evangelho (Ef.3:3-6).
-Todavia, para que esta evangelização pudesse ser feita pela Igreja, composta de homens, despidos do poder de Deus (Cf. Sl. 9:20; 62:11), o Senhor Jesus tratou de capacitar o Seu povo para que isto pudesse ser feito e, por isso mesmo, lhes enviou o Espírito Santo (Jo.20:22) e não somente lhes deu o outro Consolador (Jo.14:16), que só poderia vir quando Cristo fosse glorificado (Jo.7:39), como também os revestiu de poder com este Espírito para que pudessem executar a contento a obra da evangelização (Lc.24:49).
-Não bastou, porém, a recepção do Espírito Santo e o revestimento de poder para que a evangelização fosse efetuada, mas o próprio Jesus passou a cooperar com a Igreja (Mc.16:20), a estar sempre com a Igreja (Mt.28:20), assim como o Espírito Santo (I Co.2:4) sem o que esta tarefa, superior à condição humana, jamais poderia ser realizada.
-A evangelização, portanto, é o ato de proclamar o Evangelho, Evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. É, portanto, o anúncio da notícia de que se deve crer em Jesus Cristo como Senhor e Salvador da humanidade, arrependendo-se dos pecados e passando a obedecer ao Senhor Jesus, com o que se alcançará a salvação e a vida eterna, que é o convívio para sempre com o Senhor na glória celestial.
III – O QUE É PREGAR O EVANGELHO
-Recorrendo, uma vez mais, à Bíblia de Estudo Palavras-Chave, no seu já mencionado verbete 2097 do Novo Testamento, temos ali três sentidos que bem demonstram o que é a evangelização, o que é pregar o Evangelho.
-Por primeiro, ali é dito que pregar o Evangelho, evangelizar é “…pregar o reino de Deus com o significado de coisas relativas ao Reino de Deus (Lc.4:43; 8:1; At.8:12). Com o reino implícito (Lc.3:18; 9:6; 20:1) …” (op.cit., p.2214).
-Já vimos que Jesus, ao iniciar Seu ministério público, fê-lo para pregar o “Evangelho do reino de Deus”, mensagem que era ansiosamente guardada pelos judeus, que esperavam a chegada do Messias que restauraria o reino a Israel e que, através de Israel, reinaria sobre todo o mundo, trazendo justiça e paz para toda a humanidade.
-Este reino era, portanto, na mente dos israelitas, sobretudo um reino terreno e político. Tanta era a ansiedade por este reino, que, mesmo após a ressurreição, os discípulos perguntaram a Cristo a respeito da instauração deste reino (At.1:6), ocasião em que o Senhor foi bem claro ao afirmar que não era este reino o objeto da proclamação a ser feita pela Igreja, que, ao contrário, deveria ir até os confins da Terra para proclamar o poder de Deus para salvação (At.1:7,8).
-A mensagem do reino de Deus não é uma mensagem de caráter político ou terreno, pois o reino de Cristo não é deste mundo (Jo.18:36), mas, sim, a pregação da justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm.14:17).
-Por isso, as mensagens que se têm ouvido, ao longo da história da Igreja, em que se prega o estabelecimento de um reino terreno, de um Paraíso na Terra a partir de uma entidade política, seja ela um governo instituído por cristãos, seja ela um governo decorrente de uma “revolução” ou uma “transformação social” baseada em princípios éticos constantes das Escrituras, não é o genuíno e autêntico Evangelho, de sorte que não tem qualquer chancela divina o que se tem feito, em nome do Evangelho, com esta conotação política e terrena, como é o caso, em nossos dias, da teologia da libertação e de algumas vertentes da chamada teologia da missão integral.
-Pregar o Evangelho é, portanto, dizer que chegou o momento de nos tornarmos súditos do Rei, do Soberano de toda a Terra, de sermos Seus súditos e, mais do que súditos, concidadãos dos santos e da família de Deus (Ef.2:19), de passarmos a pertencer ao povo de Deus, de termos direito de entrar na cidade celestial, onde seremos transformados deste corpo abatido em um corpo glorioso (Fp.3:20,21).
-“… A Igreja, seguindo a pregação de Jesus, enfatiza o governo de Deus com “nova ênfase, visto que o próprio Jesus torna-se parte da mensagem” (Marshall, 1980, p. 57; cf. At 28.31)- Proclamar os fatos do ministério, morte e ressurreição de Cristo é proclamar a mensagem do Reino. …” (ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger (ed.). Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.625).
-O evangelho é a mensagem de que o ser humano pode ser um cidadão diante de Deus, ou seja, alguém que goza de direitos e de proteção da parte do Senhor, alguém que tem a Deus como seu amigo e não como um inimigo, como um adversário.
-Para entendermos isto, devemos observar que, ao contrário do que ocorre hoje em dia, para ser cidadão romano era necessário que a pessoa fosse livre e reconhecida como tal pelo soberano.
-Para pertencer ao reino de Deus precisamos ser libertos do pecado, o que somente Jesus pode fazer (Jo.8:36), como também podermos ser “registrados” como cidadãos na pátria celestial, através do novo nascimento, da nossa inserção no livro da vida (Jo.3:3,5; Ap.3:5; 21:27), algo que somente pode alcançar quem crer em Jesus Cristo 9Jo.5:24).
-Por isso, a mensagem do Evangelho é uma mensagem para que as pessoas se arrependam dos seus pecados e recebam a Cristo como Senhor e Salvador das suas vidas.
-Não é possível pregar o Evangelho sem conclamar o povo a se arrepender dos seus pecados, a se reconhecer pecador e crer que Jesus morreu na cruz do Calvário para pagar o preço dos nossos pecados, satisfazendo a justiça divina e, deste modo, alcançar o perdão.
-Jesus, ao iniciar a pregação do Evangelho do reino de Deus, foi enfático ao dizer: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15).
É esta a mensagem que a Igreja continuou a pregar, como vemos, claramente, no dia de Pentecostes, pela boca de Pedro e dos apóstolos: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo (…). Salvai-vos desta geração perversa…” (At.2:39,40).
-Foi isto também que Paulo afirmou quando disse aos coríntios que sua mensagem era “a palavra da cruz” (I Co.1:18), pois a cruz nada mais é que o instante em que Jesus morre por nós pecadores, faz-Se pecado por nós (II Co.5:21), levando sobre Si todas as nossas iniquidades (Is.53:4-6).
-Paulo, ao falar sobre a cruz, estava a dizer que somos pecadores e precisamos nos arrepender e que Jesus já
pagou o preço de nossos pecados, de modo que, crendo n’Ele, seremos perdoados.
-Não há, portanto, possibilidade de se pregar o Evangelho sem que se fale em necessidade de arrependimento dos pecados, sem que se fale na cruz de Cristo, onde o Senhor ganhou a nossa redenção.
-Temos de crer que Jesus, ao morrer por nós, pagou o preço de nossos pecados e que este sacrifício foi aceito por Deus, tanto que Cristo ressuscitou ao terceiro dia, garantindo, assim, a nossa fé n’Ele, daí porque o apóstolo ter afirmado que se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé (I Co.15:14). Feliz foi o poeta sacro traduzido/adaptado por Paulo Leivas Macalão ao afirmar que “Tema do bom pregador: o Calvário” (terceiro verso da terceira estrofe do hino 192 da Harpa Cristã).
-Somente nos arrependendo dos pecados e crendo em Jesus, poderemos ser libertos do poder do pecado e passar a ter uma nova vida, a nascer de novo para não mais vivermos, mas Cristo viver em nós (Gl.2:20), passando, então, a pertencer ao reino de Deus e a fazer a vontade deste Rei, sendo, a partir de então, cidadãos da cidade celestial, em perfeita amizade com Deus, não sendo mais Seus inimigos, estando por Ele protegidos e aquinhoados, como os servos da parábola das minas (Lc.19:11-27), onde há perfeita distinção entre os servos e os inimigos do Senhor, que eram precisamente aqueles que não queriam que Ele reinasse sobre eles.
-Mas a Bíblia de Estudo Palavras-Chave também diz que há um segundo significado para evangelizar, que é o de “…pregar Jesus Cristo ou o Senhor Jesus (At.5:42; 8:35; 11:20; 17:18; Gl.1:16; Ef.3:8).…” (op.cit., p.2214).
-O anúncio das boas novas da salvação só pode ser o anúncio de Jesus Cristo, pois Ele é o Salvador (Mt.1:21), Ele é a graça de Deus que se manifestou trazendo salvação a todos os homens (Tt.2:11).
-A pregação do Evangelho é o anúncio do Salvador e foi, aliás, o que fez Deus no chamado “protoevangelho”, ou seja, quando do primeiro anúncio da salvação, ainda no Éden, quando disse que a “semente da mulher” esmagaria a cabeça da serpente, embora fosse ferida em seu calcanhar (Gn.3:15), semente esta que era o Senhor Jesus, pois é Ele que traz a paz entre Deus e o homem (Ef.2:17).
-Por isso, o apóstolo Pedro, no início de seu sermão no dia de Pentecostes, depois de ter esclarecido o que ocorrera com os quase cento e vinte irmãos que haviam sido batizados com o Espírito Santo, logo anunciou a “Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por Ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis” (At.2:22), dizendo ainda que “esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo” (At.2:36).
-Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo disse aos coríntios que seu assunto era um só: Cristo, e Este, crucificado (I Co.2:2), repetindo, assim, o que era feito por todos os demais apóstolos e evangelistas, como se verifica nas referências supramencionadas no verbete 2097 da Bíblia de Estudo Palavras-Chave.
-Jesus é o assunto da evangelização. Se temos de dar a notícia, as boas novas da salvação do homem, não temos como deixar de falar de Jesus, que é o Salvador, que é quem conquistou, na cruz do Calvário, a vitória sobre o pecado e sobre a morte. Pregar o Evangelho é falar de Jesus aos pecadores, é dizer que Jesus salva o miserável pecador.
-Conforme já dissemos, a evangelização é baseada nas Escrituras, na Bíblia Sagrada e vemos aqui o porquê disto. Como o assunto da Bíblia é Jesus e o assunto da evangelização é Jesus, não há como evangelizarmos se não nos utilizarmos da Palavra de Deus, pois evangelizar é falar de Jesus.
-A pregação é Jesus, o objetivo da evangelização é Jesus. Quando evangelizamos levamos Jesus aos homens, pregamos a Cristo e as pessoas somente serão salvas se crerem em Cristo, se receberem a Cristo, se se entregarem a Jesus.
-Por isso, não é evangelização autêntica nem genuína aquela em que não se fala em Jesus ou, quando se fala em Jesus, fala-se d’Ele apenas como um instrumento para outro objetivo.
-Nos dias hodiernos, infelizmente, pouco se fala de Jesus, pouco se fala de Cristo, dando-se ênfase mais às bênçãos trazidas por Jesus, aos benefícios que se pode ter com a salvação em Cristo.
-Assim, enquanto a pregação deva ser Cristo, prega-se a cura de enfermidades por Cristo, os milagres e maravilhas que se pode obter por intermédio de Cristo e, pior do que isto, as bênçãos materiais que podem ser proporcionadas por Cristo.
-A pregação do Evangelho deve ser a pregação de Cristo e Este, crucificado. Devemos mostrar aos pecadores o amor de Deus revelado na pessoa de Jesus e o interesse de Deus de nos salvar, de nos levar para os céus, para vivermos para sempre com Ele, o que somente é possível por causa de Cristo e, assim, devemos crer n’Ele e entregar nossas vidas a Ele.
-Com Cristo, estaremos com a vida eterna; com Cristo, entraremos em comunhão com Deus e, por isso, deveremos sempre estar unidos a Cristo, desde agora, para que esta união perdure pelos séculos dos séculos.
-A mensagem trazida pelos pioneiros das Assembleias de Deus no Brasil era a pregação de Cristo: “Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e brevemente voltará”. Falava-se de Jesus e tão somente d’Ele e, por isso, esta mensagem teve o grande êxito nestes pouco mais de 114 anos em nossa nação.
-No entanto, nossos púlpitos estão carentes desta pregação de Cristo. Prega-se prosperidade material, cura divina, milagres e manifestações sobrenaturais, mas não se fala mais de Jesus, que, quando não é completamente esquecido nos sermões, aparece apenas como um instrumento para a obtenção das bênçãos.
-As pessoas não vão mais aos cultos para adorar a Deus, para sentir a presença do Senhor no meio dos salvos, mas, sim, para “receber bênçãos”, pois não se está mais a pregar a Cristo, mas os benefícios que Cristo pode trazer.
-Não é isto que vemos na Bíblia Sagrada. Os discípulos não cessavam de anunciar a Jesus Cristo (At.5:42), ainda que tal anúncio viesse acompanhado de sinais, prodígios e maravilhas (At.5:12), o que também ocorreu com Felipe em Samaria (At.8:12,13) e, como lemos em Mc.16:20, com todos os discípulos do Senhor, que tinham a Palavra confirmada com sinais.
-Precisamos anunciar o Salvador, o Abençoador e não as bênçãos. É certo que o Evangelho apresenta bênçãos espirituais e materiais, que não se pode omitir este aspecto, mas tudo isto é decorrência da salvação, é consequência da chegada do Salvador, de sorte que, no anúncio, não devemos, como diz o povo, “colocar a carroça na frente dos bois”.
-Em nossos dias, é muito triste vermos pregações que se preocupam tão somente com os benefícios do Evangelho e não com o próprio Evangelho. Pessoas que, querendo atrair multidões, adotam um discurso sensacionalista e afável, enfatizando as bênçãos em vez de enfatizar o Abençoador.
-Trata-se de um “falso evangelho”, um “evangelho” baseado em sinais e manifestações sobrenaturais, que não tem sua base em Cristo Jesus e que, por isso mesmo, pode, muito bem, levar ao engano e à frustração, porquanto o inimigo de nossas almas também é capaz de realizar sinais e maravilhas, como vemos, aliás, ter ocorrido na ação dos magos de Faraó (Ex.7:22; 8:7) e ter sido profetizado pelo próprio Senhor Jesus em Seu
sermão escatológico (Mt.24:24), ensino que foi reiterado pelos apóstolos Paulo e João (II Ts.2:8-10; Ap.13:11- 15).
-É assaz preocupante vermos hoje as pessoas correndo de um lado para outro atrás de manifestações sobrenaturais, de sinais e de maravilhas, quando deveriam estar à busca de Cristo, Este, sim, a fonte de todas as bênçãos.
-Quando se tem o Abençoador, estamos de posse de todas as bênçãos espirituais, pois o Abençoador nos leva aos lugares celestiais n’Ele (Ef.1:3). Quando estamos apenas atrás das bênçãos, estamos à mercê do engano e da mentira, já que rejeitamos entrar em comunhão com Jesus, que é a própria Verdade (Jo.14:6).
-O terceiro significado de pregar o Evangelho é, segundo a Bíblia de Estudo Palavras-Chave, “…pregar o Evangelho, a Palavra, a fé (At.8:4,25,40; 14:7,15,21; 15:35; 16:10; Rm.1:15; 15:20; I Co.1:17; 9:16,18; 15:1,2; II Co.10:16; 11:7; Gl.1:8,9,23; 4:13; I Pe.1:12).…” (op.cit., p.2214).
-Pregar o Evangelho é “pregar a Palavra” (At.8:4,25; 15:35), “a fé” (Gl.1:23), ou seja, anunciar o que está nas Escrituras Sagradas, cujo assunto, como já dissemos supra, outro não é senão o Senhor Jesus, pois são elas que d’Ele testificam (Jo.5:39).
-A pregação do Evangelho é fundamentalmente bíblica, tem de estar baseada na Palavra de Deus, retirando dos textos bíblicos o seu verdadeiro sentido e significado, o que se obtém através de uma boa hermenêutica, ou seja, de uma correta interpretação, interpretação esta que é dada pela própria Bíblia, pois, como afirma a regra de ouro da hermenêutica bíblica, “a Bíblia interpreta a própria Bíblia”, pois texto algum das Escrituras é de particular interpretação (II Pe.1:20).
-A pregação do Evangelho tem de ter base bíblica, extrair o real sentido daquilo que foi revelado por Deus aos homens que a escreveram, homens que eram inspirados pelo Espírito Santo (II Pe.1:21).
-Quando se foge da Bíblia Sagrada, passamos a ter não a pregação do Evangelho, mas, sim, a proliferação de fábulas (I Tm.1:4; 4:7; II Tm.4:4; Tt.1:14; II Pe.1:16), ou seja, histórias fantasiosas, ficções, frutos da imaginação humana, com as quais o Senhor não tem qualquer compromisso, pois Ele vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12) e nada mais.
-Por isso, aliás, o apóstolo Paulo fazia questão de dizer que não ia além do que estava escrito (I Co.4:6), pois ir além do que está escrito, ir além do Evangelho, que se confunde com as próprias Escrituras, nada mais é que “abuso de poder” no evangelho (I Co.9:18).
-Quando se prega um evangelho baseado em experiências pessoais, em “visões”, “revelações” ou quaisquer outras manifestações sobrenaturais, em completo desprendimento das Escrituras Sagradas, não é o verdadeiro genuíno Evangelho, não é evangelização.
-Precisamos ter muito cuidado com isto, pois corremos o risco de nos tornamos anátemas, ou seja,
amaldiçoados, visto que é isto que recebe quem pregar qualquer “outro evangelho” (Gl.1:6-9).
-Por isso, o apóstolo Pedro fazia questão de dizer que fora a Palavra de Deus o objeto da evangelização por ele realizada (I Pe.1:25).
III – A IGREJA EM JERUSALÉM: EXCELENTE NA EVANGELIZAÇÃO LOCAL, PÉSSIMA NAS MISSÕES TRANSCULTURAIS
-Tendo visto o que é o evangelho, o que é a evangelização e o que é pregar o Evangelho, logo verificamos que a igreja em Jerusalém, a igreja-mãe local da Cristandade, bem cumpriu o propósito estatuído pelo Senhor Jesus, a cabeça da Igreja.
-Uma das características da Igreja é ser “apostólica”, como diz o Credo Niceno-Constantinopolitano, “in verbis”: “E numa só Igreja santa, católica e apostólica”.
-A Igreja é apostólica porque foi enviada para pregar o Evangelho a toda criatura por todo o mundo. Assim como o Pai enviou Jesus, a Igreja é enviada por Cristo para esta tarefa (Jo.20:21).
-Não nos esqueçamos de que a palavra “apóstolo” significa “enviado” em grego.
-Uma igreja que não evangeliza, que não procura ganhar almas para o Senhor, não é apostólica e, por conseguinte, não é mais uma igreja, sendo, quando muito, um clube social ou uma organização não governamental. Lamentavelmente é o que tem sido muitas igrejas locais, mas não foi o caso da igreja em Jerusalém.
-No dia mesmo da inauguração da Igreja, no dia de Pentecoste do ano 29, vemos Pedro e os apóstolos a pregar o Evangelho, como determinado por Jesus, anunciando a salvação na pessoa de Jesus e a pregar o arrependimento e a remissão dos pecados em Seu nome.
-O sermão proferido no dia de Pentecostes é um modelo, um exemplo de como se deve pregar o Evangelho, pois ali se está a dizer, com todas as letras, que Jesus salva e batiza com o Espírito Santo.
-Esta evangelização prosseguia, incessantemente, havendo uma unânime perseverança de todos na pregação do Evangelho, tanto que, diariamente, havia conversão de almas, pois o resultado da pregação da palavra da verdade é a salvação das pessoas (At.2:46,47).
-No segundo sermão, proferido após a cura da porta Formosa do templo, Pedro retoma a mesma linha da pregação anterior, pregando a Jesus Cristo, a salvação mediante o arrependimento dos pecados e, ainda, dizendo que não se tinha de haver qualquer preocupação com um reino terrestre, já que o que se estava a pregar eram “os tempos de refrigério na presença do Senhor” até que Jesus Cristo fosse enviado (At.3:19-21), utilizando-se das Escrituras para respaldar a sua mensagem (At.3:22-26).
-Pedro estava a pregar que Jesus salva, cura e brevemente voltará, completando, assim, o chamado “Evangelho pleno” ou “Evangelho quadrangular”, como se denominaria esta pregação por ocasião do avivamento pentecostal: “Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e brevemente voltará”.
-Aproveitando a atração decorrente da cura do paralítico do coxo da porta Formosa do templo, Pedro anuncia Jesus como o Salvador, o Abençoador, bem como Aquele que voltará dos céus para buscar a Sua Igreja e promover a restauração de tudo, o cumprimento das profecias messiânicas ainda não realizadas.
-A pregação do Evangelho trouxe a perseguição, como já vimos em lição anterior, mas os discípulos, diante da ação das autoridades, pediram ousadia ao Senhor para que prosseguissem pregando o Evangelho, anunciando a Palavra de Deus (At.4:31).
-Havia, na igreja em Jerusalém, a plena consciência que a razão de ser da Igreja era a pregação do Evangelho, que a ação do Sinédrio com o intuito de proibir tal pregação nada mais era que uma verdadeira ação maligna, que exigia a ação do poder de Deus para sua contraposição, uma consciência de que se tratava, sobretudo, de uma batalha espiritual a ser enfrentada (At.4:24-31).
-Tanto assim é que mencionaram, em sua oração, o Salmo 2, que, sabemos todos, revela a rebeldia das nações contra o Senhor, que atingirá seu ápice após o arrebatamento da Igreja, quando será retirado o povo que, sendo templo do Espírito Santo, resiste ao maligno na presente dispensação (II Ts.2:3-13).
-Diante da perseguição, tendo noção da própria razão de ser da Igreja, a igreja em Jerusalém não só não se acovardou, mas pediu ousadia para continuar a pregar o Evangelho e tal ousadia lhe foi concedida, com o revestimento de poder a toda a membresia da igreja local (At.4:31), a ponto de, conforme admitiram os próprios inimigos da Igreja, toda Jerusalém foi evangelizada (At.5:28).
-A igreja em Jerusalém, unida, pregava o Evangelho. Os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e em todos os crentes havia abundante graça (At.4:33).
-A pregação do Evangelho exigia a busca do poder de Deus. Não há como evangelizar sem a demonstração do Espírito Santo e de poder (I Co.2:4). Ao dizer que havia abundante graça em toda a membresia, notamos que, para evangelizar, os crentes buscavam a plenitude do Espírito Santo em suas vidas.
-Não foi por outro motivo que, ao conceder a ousadia pedida pela igreja para evangelizar, o Senhor revestiu de poder a todos os crentes, pois o revestimento de poder só tem razão de ser se for utilizada para a evangelização.
-Neste ponto, feliz, nesta parte, a nova redação do item 8 do Cremos da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que reproduzimos também parcialmente: “[CREMOS] …[no] batismo no Espírito Santo, com a evidência física inicial do falar em outras línguas, que nos é dado por Jesus Cristo, conforme a Sua vontade para testemunhar do evangelho; …”.
-Por isso mesmo, os apóstolos pregavam com grande poder e muito sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos (At.5:12) e o resultado disto é que “a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens quanto mulheres, crescia cada vez mais” (At.5;14).
-A pregação do Evangelho não só se dava no templo e nas casas (At.5:42), como também se dava mediante disputas nas sinagogas, onde alcançou destaque o diácono Estêvão (At.6:9,10), Estêvão que, a exemplo dos apóstolos (e certamente de outros membros da igreja), também realizava prodígios e grandes sinais entre o povo.
-A igreja em Jerusalém congregava diariamente no alpendre de Salomão, no templo (At.5:12), mas também evangelizava nas casas e até mesmo nas sinagogas. Era uma igreja que não era “templocêntrica”, ou seja, limitava-se a pregar o Evangelho nas reuniões no local destinado ao culto coletivo, mas ia ao encontro dos pecadores, como o Senhor havia determinado.
-Para se utilizar de uma expressão cunhada pelo ex-chefe da Igreja Romana, o papa Francisco (1936-2025, Papa de 2013 a 2025), a igreja tem de ter consciência de que é “uma igreja em saída”, uma igreja que deve sair e ir ao encontro dos pecadores.
OBS: Reproduz-se aqui trecho da Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’, a primeira do papa Francisco, que continha um rascunho preparado pelo seu antecessor Bento XVI: ‘… 20. Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de «saída», que Deus quer provocar nos crentes.
Abraão aceitou a chamada para partir rumo a uma nova terra (cf. Gn 12, 1-3). Moisés ouviu a chamada de Deus: «Vai; Eu te envio» (Ex 3, 10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf. Ex 3, 17). A Jeremias disse: «Irás aonde Eu te enviar» (Jr 1, 7).
Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária.
Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho. 21.
A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária. Experimentam-na os setenta e dois discípulos, que voltam da missão cheios de alegria (cf. Lc 10, 17). Vive-a Jesus, que exulta de alegria no Espírito Santo e louva o Pai, porque a sua revelação chega aos pobres e aos pequeninos (cf. Lc 10, 21).
Sentem-na, cheios de admiração, os primeiros que se convertem no Pentecostes, ao ouvir «cada um na sua própria língua» (Act 2, 6) a pregação dos Apóstolos.
Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar. Mas contém sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além.
O Senhor diz: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim» (Mc 1, 38).
Ele, depois de lançar a semente num lugar, não se demora lá a explicar melhor ou a cumprir novos sinais, mas o Espírito leva-O a partir para outras aldeias.…” (Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html Acesso em 16 maio 2025).
-Mas o texto sagrado, demonstrando, uma vez mais, que é ele a Palavra de Deus, a própria verdade (Jo.17:17), mostra a grande falha da igreja em Jerusalém, qual seja, a total falta de providências com relação às missões transculturais.
-A igreja em Jerusalém saiu em direção aos pecadores em toda a cidade de Jerusalém (At.5:28), mas não saíram da cidade de Jerusalém, como determinara o Senhor Jesus.
-O Senhor havia mandado pregar o Evangelho por todo o mundo a toda a criatura (Mc.16:15), ir e fazer discípulos nas nações (Mt.28:19), pregar o arrependimento e remissão dos pecados em nome de Jesus a todas as nações, começando por Jerusalém (Lc.24:47), bem como que Seus discípulos fossem testemunhas d’Ele em Jerusalém, Judeia e Samaria até aos confins da terra (At.1:8).
-No dia de Pentecostes do ano 29, o Senhor mostrou que a mensagem do Evangelho era para ser pregada a todo o mundo, tanto que havia judeus de todas as partes do planeta que ouviram as grandezas de Deus em seus próprios idiomas (At.2:7,8).
-Todavia, a mentalidade cultural judaica prevaleceu e a igreja em Jerusalém não realizou missões transculturais, não pregando o Evangelho a não ser na cidade, nem mesmo indo às aldeias e cidades circunvizinhas (At.5:16).
-A igreja em Jerusalém não saía de Jerusalém e isto perdurou, segundo os cronologistas bíblicos, durante seis anos, e, ante esta inércia, teve o Senhor de tomar providências para que o Seu propósito se realizasse e, deste modo, permitiu, por primeiro, a morte de Estêvão e, por segundo, a perseguição liderada por Saulo.
-Não tendo saído por vontade própria, os crentes da igreja em Jerusalém tiveram de sair por causa da perseguição (At.8:1).
-Obrigados a deixar Jerusalém, os crentes da igreja-mãe local da Cristandade não fizeram outra coisa senão pregar o Evangelho às pessoas que habitavam nos locais onde foram eles se refugiar.
-Os crentes de Jerusalém sabiam que sua razão de ser era realizar a obra do Senhor. Tinham a convicção de que davam prosseguimento ao ministério de Jesus Cristo (Jo.20:21) e, como tal, não podiam deixar de fazer a obra de Deus (Jo.4:34).
-Por isso, aonde chegavam, não cessavam de anunciar a Jesus Cristo (At.5:42) e o resultado disto foi o surgimento de igrejas locais na Judeia, Samaria e Galileia (At.9:31).
-Mas os crentes de Jerusalém não se limitaram a pregar o Evangelho na terra de Israel, foram eles também para cidades gentílicas, na Fenícia, Chipre e Antioquia, onde também anunciavam a Palavra de Deus, ainda que somente a judeus (At.11:9), fazendo, naturalmente, surgirem igrejas locais também nestes locais, o que não era novidade.
-Com efeito, os judeus salvos no dia de Pentecostes levaram a mensagem do Evangelho para as comunidades judaicas às quais pertenciam, o que fez surgirem outras igrejas locais, ainda que restritas a judeus, entre os chamados “judeus da diáspora” (ou seja, os judeus que viviam fora da terra de Israel), como a igreja em Damasco (tanto que o Senhor fez um deles, Ananias, ir orar em favor de Saulo, após a conversão deste – At.9:10, bem como os irmãos ajudaram na fuga de Saulo da cidade – At.9:25) e a própria igreja em Roma, provavelmente fundada pelos “forasteiros romanos” que se converteram no dia de Pentecostes (At.2:10).
-No entanto, alguns destes crentes, que eram judeus da diáspora de Chipre e de Cirene (norte da África) finalmente compreenderam o caráter universal da mensagem do Evangelho e, em Antioquia, ousaram pregar
o Evangelho a gentios e, com a conversão destes gentios, ao saber do acontecimento, os apóstolos enviaram a Barnabé, um levita cipriota, para verificar a situação.
-Surgia, então, a primeira igreja gentílica, a igreja em Antioquia, que seria a base missionária da pregação do Evangelho aos gentios.
-A igreja em Jerusalém, ainda que mediante perseguição, entendeu o caráter universal do Evangelho e, deste modo, proporcionou o cumprimento da ordem de Jesus, fazendo o Evangelho chegar a Judeia e Samaria, bem como Antioquia, o início dos confins da Terra e seria esta igreja decorrente da ação missionária de membros da igreja em Jerusalém que daria continuidade a esta expansão do Evangelho por toda a Terra.
– Que tenhamos este mesmo senso missionário e levemos o Evangelho aonde ele precisa chegar.
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11729-licao-12-o-carater-missionario-da-igreja-de-jerusalem-i


