INTRODUÇÃO
-Na sequência do estudo sobre a Doutrina da Trindade, analisaremos hoje a obra do Filho.
-Jesus veio ao mundo para salvar o homem.
I – O PAPEL EXECUTOR E REALIZADOR DO FILHO
-Na sequência do estudo sobre a Doutrina da Trindade, já no segundo bloco do trimestre, em que estamos a estudar a Pessoa Divina do Filho, analisaremos a obra do Filho.
-Temos visto que há apenas um único Deus, mas são três as Pessoas Divinas e Pessoa é um núcleo de vontade, sentimento e intelecto, de modo que, como as Pessoas são distintas, têm peculiaridades, papéis próprios, ainda que isto não retire a unidade de substância e de ser.
-Assim, há como que uma divisão de tarefas e de competências entre as Pessoas Divinas, que agem sempre em conjunto, com um só propósito e desígnio, pois têm uma perfeita unidade entre Si (Jo.17:21,23), unidade que é desde a eternidade, mas que, ante a distinção entre Elas, faz com que cada qual tenha um papel definido perante as demais em cada ação divina.
-Isto nos faz recordar os ensinos de Jules Henri Fayol (1841-1925), um dos teóricos clássicos da ciência da administração, segundo os quais o processo administrativo envolve quatro fases, a saber: planejamento, organização, direção e controle.
-O planejamento é a etapa primeira do processo, em que se visualiza o futuro e se traça o programa de ação.
-Evidentemente, como estamos a falar das ações divinas, não há que se falar em futuro, porque o tempo não existe para Deus, mas esta “previsão” é a tomada de decisões ante a presciência divina, para que tudo se faça dentro do tempo existente para as criaturas.
-Deste modo, por exemplo, o Pai enviou o Filho “na plenitude dos tempos” (Gl.4:4), ou seja, previu qual seria, dentro do Universo, o instante em que o Verbo Se faria carne para habitar entre os homens (Jo.1:14), como também quando se teria “o princípio” em que todas as coisas seriam criadas (Gn.1:1).
-Esta tarefa do planejamento é exercida pelo Pai, que, portanto, dá início a todo o processo e bem por isso, como já temos visto, é chamado de Primeira Pessoa da Trindade e d’Ele se costuma dizer que é “…não procede de outra Pessoa, mas é princípio das duas outras Pessoas, que são o Filho e o Espírito Santo…” (resposta à pergunta nº 25 do Catecismo Maior de Pio X).
-Após o planejamento, temos a organização, que é a constituição do organismo, ou seja, a geração e manutenção da ordem, a fim de que se tenha o campo em que se tornará concreto o que foi planejado.
-A criação de todas as coisas faz parte desta organização, bem como a manutenção do que foi criado (Gn.1:1,2; Jo.1:1-3; Hb.11:3).
-A própria criação, em si, por ser uma ação divina, foi um processo, em que o Pai exerceu o planejamento; o Filho, a execução e o Espírito Santo, o controle: “…O Pai proclamou as palavras criadoras [Sl.33:9; Hb.11:3], e o Filho executou-as [Jo.1:3; Cl.1:16] …” (DFAD 2.ed., II.1, p.40), enquanto o Espírito Santo
“…desempenhou um papel ativo na obra da criação. Ele é descrito como que ‘pairando’ (‘Se movia’) sobre a criação, preservando-a e preparando-a para as atividades criadoras adicionais de Deus (…) (Sl.33:6). Além disso, o Espírito Santo continua a manter e sustentar a criação (Jó 33:4; Sl.104:30) …” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. A criação, p.31).
-Deus não é de confusão (I Co.14:33) e, portanto, não só estabeleceu como mantém a ordem em todas as coisas criadas, para que possa realizar o que planejou. Esta tarefa de organização está incumbida tanto ao Filho, que, pelo Seu poder sustenta todas as coisas (Hb.1:3), como pelo Espírito Santo (Sl.104:30).
-Tem-se, então, a outra fase do processo administrativo que é a direção. Fayol considerou duas tarefas que, posteriormente foram unificadas sob o nome de “direção”. Para Fayol, a administração exigia “comandar”, que é dirigir e orientar a organização e “coordenar”, que é “unir e harmonizar os atos e esforços coletivos”.
-Na chamada “abordagem da qualidade total”, uma outra teoria administrativa, estas duas tarefas são chamadas de “execução”, que é a implementação prática dos planos, execução que exige
“…liderança forte, engajamento e desenvolvimento contínuo dos funcionários, garantindo que estejam motivados e capacitados para realizar suas tarefas de acordo com os padrões de qualidade estabelecidos.
A execução eficaz também envolve a disseminação de informações e a tomada de decisões baseada em fatos.…” (material produzido pela IA do Google – Relacionando a sigla POEA com a Qualidade Total).
-A execução é incumbência do Filho e daí porque se falar em “obra do Filho”, porque ele põe em prática aquilo que foi planejado pelo Pai.
-É o próprio Cristo quem assim denomina a sua tarefa, ao dizer aos discípulos, quando estava junto ao poço de Jacó, que a Sua comida era realizar a obra d’Aquele que o enviara, ou seja, do Pai (Jo.4:34) e, na oração sacerdotal, que havia glorificado ao Pai na Terra consumando a obra que Lhe fora dada a fazer (Jo.17:4).
-Em ambos os textos, “obra” é a palavra grega “ergon” (ἔργον), cujo significado é “…trabalho árduo (como um esforço ou ocupação); consequentemente, um ato:— obra, feito, trabalho, esforço…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 2041, p.2210).
-Por fim, temos o controle, que é a verificação se as normas e regras estabelecidas estão sendo seguidas. Tal tarefa foi incumbida ao Espírito Santo, que fica a acompanhar e a manter o quanto realizado.
-No plano da salvação elaborado pelo único e verdadeiro Deus, cada Pessoa assumiu um papel peculiar, ou seja, cada Pessoa Se incumbiu de exercer, com proeminência, um papel, neste propósito único de salvar o homem.
-Como afirma a Declaração de Fé das Assembleias de Deus, “…O Pai planejou a redenção, e o Filho, ao ser enviado ao mundo, realizou-a [Jo.17:4; Hb.5:9]. Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e o Ensinador [Jo.14:26].…” (DFAD, 2.ed., II.1, p.40).
-Conforme já vimos em lição anterior, o papel do Pai, no plano da salvação, foi a de planejar a redenção do homem, bem como enviar o Filho para que, então, este exercesse o Seu papel de realizar a obra.
-Nesta execução, o Senhor Jesus implementou a qualidade total. Por primeiro, exerceu uma liderança forte, edificando a Igreja contra a qual não podem prevalecer as portas do inferno (Mt.16:18) e que, desde a Sua inauguração, no dia de Pentecostes, tem cumprido eficazmente a tarefa que Jesus, a Sua cabeça (Ef.1:22; 5:23), determinou.
-Sua liderança é tão forte (nem podia ser diferente, pois é Ele o Deus Forte – Is.9:6) que todos quantos quiseram destruir a Igreja ao longo dos séculos foram destruídos e vencidos e a Igreja se mantém vitoriosa, porquanto a vitória que vence o mundo é a fé que ela tem em seu líder (I Jo.5:4).
-O Senhor Jesus também promove o engajamento dos membros em particular da Igreja, Igreja que é um corpo, onde os membros se ajustam bem e se ligam pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, fazendo o aumento do corpo para sua edificação em amor (Ef.4:16), aperfeiçoando-se a cada dia em unidade, para que sejam um não só com Cristo mas com todas as Pessoas Divinas, até chegarem à perfeição no dia que se aproxima, em que atingiremos a glorificação e seremos semelhantes a Ele (Jo.17:22- 24; I Jo.3:1-3).
-O Senhor Jesus igualmente promove o desenvolvimento contínuo dos membros em particular da Igreja, uma vez que deu para a Igreja os dons ministeriais (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores), para o aperfeiçoamento dos santos, visando que eles atinjam a condição de varões perfeitos, alcancem a estatura completa de Cristo (Ef.4:11-13).
-O Senhor Jesus, ainda, promove a disseminação de informações, na medida em que promove, com a atuação dos dons ministeriais, o conhecimento do Filho de Deus e a consequente constância, impedindo que Seus discípulos sejam atingidos por ventos de doutrina e pelo engano, permitindo que prossigam a seguir a verdade em amor (Ef.4:13-15), e, deste modo, que todos tomem suas decisões baseadas em fato e não sendo enganados ao longo da jornada de fé (Mt.24:4,24-26), perseverando até o fim para que a salvação seja alcançada (Mt.24:13).
II – A OBRA SALVÍFICA DO FILHO
-Tendo sido demonstrada a tarefa proeminente de execução do Filho na Santíssima Trindade, debrucemo-nos sobre a “obra” dada a fazer ao Senhor Jesus, que era a Sua comida (Jo.4:34) e que Ele, ao consumá-la, glorificou ao Pai na Terra (Jo.17:4).
-Esta obra é a execução da salvação do homem, a chamada “obra salvífica” ou “obra salvadora” empreendida pelo Senhor Jesus.
-Cumpre, por primeiro, registrar que a salvação, como toda ação divina, é um ato que tem a participação de toda a Santíssima Trindade, pois Deus é um só (Dt.6:4; Mt.22:29; Ef.4:4-6). Deus é nosso Salvador (I Tm.2:3), Pai, Filho e Espírito Santo.
-O Pai planejou a salvação e, neste planejamento, enviou o Filho; o Filho executou este plano, fazendo- Se carne e entregando Sua vida, derramando Seu sangue, pela humanidade (Mc.10:45; Jo.1:14; 10:17,18) e o Espírito Santo convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:7-11).
-Entretanto, a execução da salvação, a sua colocação em prática, deve-se ao Filho, porque foi a Pessoa Divina que Se humanizou, veio habitar entre os homens, tendo assumido a forma humana para que, como homem, não pecasse e Se oferecesse em sacrifício perfeito para tirar o pecado do mundo e satisfazer a justiça humana, resgatando os homens da escravidão do pecado.
-A obra salvífica começa pela encarnação do Verbo. O Filho é enviado pelo Pai ao mundo para Se fazer homem e, como tal, realizar a obra da salvação.
-Já no anúncio do plano da salvação, feito no dia mesmo da queda, é dito que o Salvador seria da semente da mulher, ou seja, um nascido de mulher (Gn.3:15; Gl.4:4).
-Assim, para realizar a obra da salvação seria necessário que uma das Pessoas Divinas Se tornasse um ser humano e foi escolhido que tal Pessoa fosse o Verbo, que, por ter sido o escolhido para ser enviado para a Terra, passou a ser chamado de Filho, ante a “eterna geração”, como bem explica o Catecismo Maior de Pio X: “71)
Por que a segunda Pessoa é chamada Filho? A segunda Pessoa é chamada Filho porque é gerada pelo Pai por via de inteligência, desde toda a eternidade…”
-Tanto assim é que, antes mesmo de Se encarnar, já é chamado pelo anjo Gabriel de “Filho de Deus” (Lc.1:35), pois era a Pessoa Divina que viria executar a salvação da humanidade.
-Para tanto, o Filho “aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens” (Fp.2:7). Esta aniquilação ou esvaziamento, foi deixar a glória divina (Jo.17:5) e assumir a humanidade, a começar pela assunção de um corpo terreno e corruptível (Hb.10:5).
-A humanidade do Filho foi completa e perfeita. Recebeu um nome, Jesus (Mt.1:21; Lc.1:31), cujo significado é “Deus salva”, atestando assim qual seria a Sua tarefa.
-Como a humanidade era completa, Ele seria nascido de mulher, mas não teria a natureza pecaminosa e, por isso, nasceu de uma virgem, como, aliás, fora profetizado (Is.7:14), sengo gerado pelo Espírito Santo (Lc.1:35). Enviado pelo Pai, o Filho é gerado como homem pelo Espírito Santo.
-Por isso, é dito que o Filho, ao Se tornar homem, foi semelhante aos homens, visto que, ao contrário dos demais homens, não tinha a natureza pecaminosa.
-Por isso, Jesus é chamado ‘último Adão” (I Co.15:45), pois que, a exemplo do “primeiro Adão”, não tem ascendentes biológicos, foi criado diretamente por Deus.
-No entanto, o Filho é o único homem que foi realmente “imagem e semelhança de Deus”, porquanto, ao contrário do “primeiro Adão”, passou por todas as fases do desenvolvimento humano, pois, se Adão já foi formado adulto, Jesus foi célula-ovo, embrião, feto, recém-nascido, criança, adolescentes, jovem e homem adulto. Ademais, nunca pecou e, portanto, nunca perdeu a condição de imagem e semelhança de Deus, ao contrário de Adão, que pecou.
-A obra salvífica exigia que o Filho vivesse esta plena humanidade e, como tal, aprendeu a obediência (Hb.5:8), tendo crescido em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens (Lc.2:52).
-Nesta sua vivência enquanto homem, desde que adquiriu a consciência, escolheu o bem (Is.7:15), sendo sempre tentado, mas nunca tendo pecado (Hb.4:15), tendo sempre Se santificado a Si mesmo para que nós pudéssemos ser santificados na verdade (Jo.17:19).
-Para Se manter santo e vencer as tentações, Jesus teve uma vida de meditação nas Escrituras (desde criança era frequentador da sinagoga, onde foi ensinado na lei – Lc.4:16, e o seu conhecimento é demonstrado logo aos doze anos de idade no templo quando dialogou com os doutores da lei – Lc.2:46,47), uma vida de oração e de jejum (Mt.4:2; Lc.11:1), uma vida de adoração a Deus tanto no templo quanto nas sinagogas (Mt.4:23; 9:35; Lc.21:37).
-Com a pregação de João, Jesus vai tornar pública a Sua messianidade, e, para tanto, vai Se batizar. Seu batismo é um gesto relacionado com a Sua obra, na medida em que, ao ser batizado, assume o lugar da humanidade pecadora.
-Com efeito, João não queria batizá-l’O (Mt.3:14), pois sabia que Ele não tinha pecado para Se arrepender, mas isto era necessário, porque, como Jesus disse, era mister cumprir toda a justiça (Mt.3:15).
-Notamos, pois, que a obra do Filho era cumprir toda a justiça de Deus e isto importava em Jesus assumir o lugar do pecador, morrendo em substituição à humanidade. O salário do pecado é a morte (Rm.6:23) e, como consequência do pecado, adveio ao homem a morte física (Gn.3:19).
Era, pois, necessário que um homem inocente, sem pecado, morresse pela humanidade, a fim de satisfazer a justiça divina.
-Nesta resposta de Jesus a João, que fez com que o profeta O batizasse no rio Jordão, vemos a natureza da obra salvífica do Filho, que envolvia a Sua morte vicária, isto é, deveria morrer em lugar dos pecadores.
-“…A morte de Jesus foi vicária, isso significa morte substitutiva. Todo o sistema sacrificial do Antigo Testamento fundamenta-se na ideia de substituição, e essa transferência da culpa do pecador para a vítima é simbolizada pela imposição de mãos sobre a cabeça do animal. (…)
O caráter da morte substitutiva de Cristo é anunciado de maneira direta desde o Antigo Testamento: ‘Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos’ (Is.53:6).
A palavra profética continua mais adiante dizendo: “porquanto derramou a Sua alma na morte e foi contado com os transgressores, mas Ele levou sobre Si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is.53:12). Jesus via a Si mesmo nessa profecia de Isaías [Lc.22:37] …” (DFAD 2.ed., VII.2, pp.104-5).
-Jesus chamou este momento da Sua morte no lugar dos pecadores de “a hora” (Jo.2:4; 7:30; 8:20; 12:23,27; 13:1; 16:32; 17:1), dizendo que, para isto, havia vindo ao mundo.
-Jesus é o “apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão” (Hb.3:1). É “apóstolo”, porque foi “enviado pelo Pai” (Jo.3:17,34; Gl.4:4, I Jo.4:9).
-Mas foi enviado para ser “sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl.110:4; Hb.5:6,10; 6:20; 7:17,21), ou seja, um sacerdote do Deus Altíssimo, que é rei de paz e de justiça, como era o rei de Salém, Melquisedeque (Gn.14:18; Hb.7:2) cujo sacerdócio não depende, como o sacerdócio levítico, de genealogia (Hb.7:6), mas que, desde a eternidade, foi escolhido para oferecer o sacrifício que removesse o pecado do mundo, o sacrifício perfeito, que satisfizesse a justiça divina (Hb.10:12-18).
-Para que o sacrifício fosse perfeito, por primeiro, o sacerdote deveria ser perfeito, sem pecado, inocente, que era não era o caso dos sacerdotes estabelecidos pela lei de Moisés, os filhos de Arão (Hb.5:4; 7:23-28).
-A inocência de Jesus foi solenemente proclamada pelo próprio julgador que O condenou à morte. Pôncio Pilatos, o presidente da Judeia, representante da maior autoridade terrena da época, Tibério César, em alto e bom som proclamou que Jesus não tinha qualquer culpa, era inocente. Ao lavar as mãos, disse: “Estou inocente do sangue deste justo, considerai isto” (Mt.26:24 “in fine”).
-Mas, o Senhor Jesus é chamado “sumo sacerdote da nossa confissão”. Por que não apenas sacerdote? Por que sumo sacerdote? Porque Ele seria o sacerdote principal, mas, quando morresse pelos homens e obtivesse a salvação da humanidade, faria de outros homens “reis e sacerdotes” (I Pe.2:9; Ap.1:5,6), que estariam sob o Seu comando, pois os “reis e sacerdotes” são membros em particular do corpo de Cristo (I Co.12:27), cuja cabeça é o Senhor Jesus (Ef.1:22; 5:23).
-Mas, para que o sacrifício fosse perfeito, era necessário que a vítima também fosse perfeita. Os animais q ue eram sacrificados na lei não podiam ter defeito algum (Lv.22:20,21; Dt.15:21; 17:1).
-Mesmo assim, o sangue destes animais não poderia senão cobrir os pecados do povo (Sl.32:1), “porque é impossível que o sangue dos touros ou dos bodes tire pecados” (Hb.10:4).
-No ritual dos sacrifícios na lei de Moisés, o pecador impunha suas mãos na cabeça do animal, transferindo- lhe os pecados, para que o animal morresse em lugar do ser humano (Lv.1:4; 4:4,15,24,29).
-Tal sacrifício, porém, apenas adiava a condenação pela prática do pecado, pois havia aí uma desigualdade que impedia a justiça divina, porque morria um ser de natureza diversa da do pecador, um animal, que não tinha moralidade, em lugar de um ser humano, este, sim, dotado de moralidade.
-Assim, era preciso que um homem morresse pelos demais, assim como, por um homem, o pecado entrou na humanidade; a salvação, também, tinha de vir pela morte de um homem (Rm.5:12-21; I Co.15:21,22), pois só há remissão de pecados com derramamento de sangue (Hb.9:22).
-A vítima, pois, do sacrifício, tinha de ser um homem, e um homem perfeito, pois não se pode oferecer coisa com defeito.
-Por isso, o Filho vai ser chamado de “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29), porque haveria de ser a vítima do sacrifício perfeito que, uma vez oferecido, remiu a humanidade, constituindo-Se em propiciação pelos nossos pecados (I Jo.2:2).
-Assim como o cordeiro que era oferecido na celebração da Páscoa tinha de ficar sob observação durante três dias e meio, para que se verificasse se tinha algum defeito (Ex.12:5,6), Jesus foi posto sob observação pública durante três anos e meio, a duração de Seu ministério terreno, para que achassem alguma culpa n’Ele.
-Declarado solenemente inocente, como vimos, pela máxima autoridade terrena da época, representada por Pilatos, foi, então, entregue para ser levado ao sacrifício (Jo.19:6,16).
-Mas o texto diz que Jesus é “o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão”. Isto nos mostra com clareza que, para que desfrutemos da graça e da verdade que vieram por Jesus Cristo (Jo.1:17) e da vida abundante que Ele nos trouxe (Jo.10:10), é necessário que O confessemos, que O reconheçamos como nosso Senhor e Salvador (Rm.10:9).
-“Confissão” aqui é a palavra grega “homologia” (ὁμολογία), cujo significado é “…reconhecimento:— confissão, profissão, professado. Substantivo de homologeo, concordar, confessar, dizer o mesmo…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 3671, p.2322).
-Por isso, o próprio Cristo Jesus dirá que “…a vida eterna é esta: que conheçam a Ti por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a Quem enviaste” (Jo.17:3).
-O sacrifício do Salvador estava previsto desde o primeiro anúncio do plano da salvação, no Éden, pois ali foi dito que a semente da mulher teria ferido o seu calcanhar, ou seja, derramaria o seu sangue, pois, como ensina a anatomia humana, o calcanhar é uma região bem irrigada por sangue, com um complexo sistema de artérias e veias, a chamada “rede do calcâneo”.
-“…O Senhor Jesus ofereceu-Se como sacrifício voluntário e isso agradou o Pai [Jo.10:17,18] …” (DFAD 1.ed., V.2, p.61). Jesus entregou a Sua vida por nós (Gl.2:20; Ef.5:2,25). O Pai entregou o Filho para que fosse morto por nós (Rm.8:32).
-A obra salvífica do Filho envolvia a expiação dos nossos pecados. “…Cremos que Deus aceitou a morte de Seu Filho Jesus Cristo como expiação pelos nossos pecados: “mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus’ (Hb.10:12); ‘levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça, e pelas Suas feridas fostes sarados’ (I Pe.2:24). O termo ‘expiação’ ou o verbo ‘expiar’ refere-se sacrifício para purificação e perdão dos pecados (…).
Isso é chamado propiciação — o ato que apazigua a ira divina e satisfaz a santidade e a justiça de Deus — resultando no perdão dos pecados [At.1:3].
Deus propôs Cristo Jesus para propiciação por meio da fé no Seu sangue [Sl.16:8-10]. Jesus é a propiciação pelos pecados do mundo inteiro [Jo.2:20-22]. A ira divina é a reação da santidade de Deus ante a pecaminosidade humana [At.2:27]. A expiação é o meio para aplacar essa ira.…” (DFAD 2.ed., VII.2, pp.107-8).
-Jesus veio para morrer em nosso lugar e, assim, pagar o preço dos nossos pecados e nos reconciliar com Deus, uma vez que, havendo sido feito o pagamento dos pecados e a sua purificação, o pecado é removido daquele que confessa a Cristo como seu Senhor e Salvador, não havendo mais separação entre Deus e esta pessoa, pois os pecados nos separaram de Deus (Is.59:2).
-A prova de que o sacrifício de Cristo foi aceito pelo Pai está no fato de que o véu do templo de Jerusalém se rasgou de alto a baixo no instante mesmo da morte do Senhor (Mt.27:51; Mc.15:38; Lc.23:45).
-Ora, este véu, que fazia divisão entre o lugar santo e o lugar santíssimo no templo, era o símbolo da divisão entre Deus e o homem por causa do pecado, pois, no lugar santíssimo, ficava a arca do concerto, o símbolo da presença de Deus no meio do povo.
-Este lugar santíssimo era de acesso negado, somente nele entrando, uma vez ao ano, o sumo sacerdote, para fazer a propiciação pelos pecados seus e do povo, aspergindo o sangue sobre a tampa da arca, o chamado propiciatório (Lv.16:15).
-Esta data era, precisamente, chamada de “o dia da expiação”, o décimo dia do mês sétimo, que, ainda hoje, é uma das principais, senão a principal data para os judeus de todo o mundo, o “dia do perdão” (Iom Kippur).
-O rasgo do véu mostra que agora todos tinham acesso para “entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele consagrou, pelo véu, isso é, pela Sua carne” (Hb.10:19,20).
-Como resultado deste rasgo do véu, o Senhor Jesus, ao expirar, como todo homem, foi até o lugar dos mortos, chamado Seol (Jó 17:6; Sl.139:8) ou Hades (At.2:27,31), mas lá chegando, não poderia ali permanecer, porquanto não tinha pecado e a morte física é resultado da natureza pecaminosa do homem.
-Ali chegando, pregou aos mortos (I Pe.3:18,19), dando ciência a todos de que se cumprira a promessa da salvação e, em seguida, levou os justos, que habitavam o seio de Abraão (Lc.16:22), para o Paraíso ou terceiro céu (II Co.12:2-4), subindo ao alto, pois a morte não O pôde deter ali, levando cativo o cativeiro, ou seja, libertando os que haviam morrido crendo na salvação prometida desde o Éden, para que aguardassem a glorificação (Ef.4:8,9; Sl.68:18).
-A partir de então, inclusive, a começar do ladrão arrependido na cruz, todos os que cressem em Jesus não mais iriam para o seio de Abraão, pois “as portas do Hades não prevalecem contra a Igreja” (Mt.16:18), mas diretamente ao Paraíso (Lc.23:43).
-Entretanto, para que dúvida alguma houvesse sobre a aceitação do sacrifício de Cristo pelo Pai, Deus O ressuscitou dos mortos (Gl.1:1), entregando-Lhe todo o poder no céu e na terra (Mt.28:18; Rm.1:4). A ressurreição do Senhor é a garantia de que Ele realmente venceu o pecado, o mundo e a morte e que pode salvar aqueles que O confessarem (I Co.15:14-16,21; II Co.5:15; I Pe.1:3,21).
-“…A morte e a ressurreição de Jesus são os principais elementos que distinguem o cristianismo de todas as religiões da terra, pois Jesus, o Seu fundador, vive para sempre: ‘havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não terá domínio sobre Ele’ (Rm.6:9).
A Sua morte vicária seria destituída de significado teológico se Ele tivesse permanecido na sepultura [Lc.24:46,47]. Aquele corpo que foi crucificado não pôde ficar na sepultura [Mc.16:19; Ef.1:20]. Essa ressurreição significa a glorificação e exaltação de Jesus [Hb.10:12], a vitória esmagadora sobre Satanás, sobre o pecado, sobre a morte e sobre o inferno [Ex,32:30].…” (DFAD 1.ed., V.4, p.62).
-A ressurreição é, pois, a garantia da nossa fé, a certeza de que o Filho realizou a Sua obra e que é ela digna de toda a aceitação. Não crer na ressurreição de Jesus ou não crer em Jesus apesar de Sua ressurreição é uma recusa evidente da graça de Deus.
-Trata-se de um gesto de verdadeira rebeldia e insubmissão ao Senhor Jesus, a quem foi entregue todo o poder nos céus e na terra (Mt.28:18; Jo.3:35) e a prova deste poder está, precisamente, na ressurreição (At.17:31).
-Jesus morreu e ressuscitou para ser Senhor tanto dos vivos quanto dos mortos (Rm.14:9).
-Por isso, faz parte indispensável da confissão o reconhecimento da ressurreição (Rm.10:9).
-Após ter ressuscitado, o Filho, então, consoante o plano da salvação, voltou para o céu. Tendo deixado a glória como Deus para Se fazer carne, agora retornava ao céu como Deus-homem.
-Já na ressurreição, o Filho, enquanto homem, é glorificado, visto que Seu corpo, agora, era um corpo glorioso, semelhante ao que teremos quando do arrebatamento da Igreja (I Jo.3:2).
-A glorificação do Filho no Seu retorno aos céus é descrita no Salmo 24:7-8: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra”.
-Aclamado como o “Rei da Glória”, o Senhor Jesus entrou triunfantemente nos céus e Se assentou à destra do Pai (At.3:2; 7:55; Hb.8:1; 10:2; 12:2; I Pe.3:22; Ap.3:21; 5:7).
-No céu, o Filho, atualmente, está a dirigir a Igreja, pois dela é cabeça, com o objetivo de santificá-la, purificando-a com a Palavra (Ef.5:26), Palavra que é lembrada pelo Espírito Santo aos membros em particular da Igreja, e, neste gesto de manutenção da memória dos ditos de Jesus, o Espírito Santo estará a glorificar o Filho (Jo.14:26; 16:13,14).
-Mas o Filho não apenas trabalha pela santificação da Igreja, como também promove a sua edificação, pois, para tanto, dá os dons ministeriais, que são, na feliz expressão de Russell Norman Champlin (1933- 2018), “homens-dons”, pois quer o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério (Ef.4:11,12).
-Estes homens são dados à Igreja por Cristo (por isso serem os dons ministeriais também chamados de “dons de Cristo”) para que os santos sejam aperfeiçoados, para que cheguem ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, enfim, para que os salvos tenham crescimento espiritual e se assemelhem a cada dia à imagem do próprio Filho (Ef.4:12-15; Rm.8:29).
-Quem, pois, estabelece os ministros na Igreja é o próprio Senhor Jesus, pois é Ele a cabeça da Igreja, tanto que tem os pastores das igrejas locais em Suas mãos, como revelou a João na ilha de Patmos (Ap.1:16,20).
-Ao promover tanto a santificação quanto o aperfeiçoamento dos santos, o Senhor Jesus prepara para que a Igreja se apresente a Si “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef.5:27).
-Atualmente, também, o Filho intercede, nos céus, pela Igreja. Após ter retirada a separação entre Deus e os homens pelo Seu sacrifício na cruz do Calvário, abrindo um novo e vivo caminho, Cristo Jesus agora Se apresenta como “…grande sacerdote sobre a casa de Deus” (Hb.10:21), tanto que aparece a João, na ilha de Patmos, com vestes sacerdotais (Ap.1:12-16).
-Na Sua qualidade de sacerdote, está o Senhor a interceder pela Sua Igreja diante do Pai (Rm.8:27,34), assim como intercedeu pelos homens quando de Sua morte (Is.53:12).
-Eis porque, sempre que orarmos, devemos orar ao Pai em nome de Jesus (Jo.14:13,14; 15:16; 16:23), o único mediador entre Deus e os homens (I Tm.2:5).
-Ultimamente, temos visto, lamentavelmente com cada vez maior frequência, pessoas que terminam suas orações “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, o que é um grave e lastimável equívoco, demonstração de uma enorme ignorância bíblica.
-Devemos orar ao Pai, em nome de Jesus, que é o Filho, tendo, na oração, a companhia do Espírito Santo, que ora conosco com gemidos inexprimíveis (Rm.8:26), fazendo a intercessão aqui na Terra, enquanto o Filho faz a intercessão nos céus.
-É obra do Filho, e só d’Ele, a intercessão no céu com relação às nossas orações, até porque “ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu” (Jo.3:13).
-Junto ao trono de Deus, somente está um, que é Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (At.3:2; 7:55; Hb.8:1; 10:2; 12:2; I Pe.3:22; Ap.3:21; 5:7).
-Os justos aperfeiçoados (Hb.12:23), os que dormiram no Senhor (I Ts.4:13-16), que constituem a chamada “Igreja triunfante”, que é “… constituída dos irmãos que já partiram deste mundo, tendo vencido todos os seus inimigos e que agora estão com o Senhor Jesus…” (DFAD 1.ed., XI.4, p.121), encontram-se no terceiro céu,
no Paraíso (Lc.23:43) e não ainda no trono de Cristo, porque ainda não terminaram o processo da salvação, pois lhes falta a redenção do corpo (Rm.8:23).
-Assim, as orações dos santos, que vão para o trono de Deus (Ap.5:1-8; 8:3), não podem ser escutadas nem tratadas pelos que se encontram no Paraíso, onde, por serem mortos, não podem ter qualquer comunicação com os vivos (Is.8:19).
-Portanto, não podem ser tais justos intercessores dos homens que ainda se encontram vivos na Terra.
-Também, não é verdade que Maria, a mãe de Jesus, possa também interceder pelos homens, muito menos ser “medianeira de todas as graças”, pois, assim como os demais justos, aguarda a ressurreição no Paraíso, pois só o Filho retornou ao céu, porque de lá veio, tendo sido Ele escolhido para ser o Salvador e ninguém mais.
-A obra salvífica foi dada única e exclusivamente a Cristo e o Seu retorno ao céu representa a consumação e êxito desta obra, não poderia qualquer outro ser ingressar no céu sem que a tivesse feito e é Ele o único Salvador (At.4:12).
-Restam, ainda, ao Filho algumas tarefas, pois Ele deve ficar à direta de Deus até que ponha os Seus inimigos por escabelo de Seus pés (Sl.110:1; At.2:34,35; Hb.1:13; 10:12,13).
-A primeira destas tarefas, que dá início às “últimas coisas” da história humana, é o arrebatamento da Igreja, que se dará no dia e hora determinados pelo Pai (Mt.24:36).
-Determinado o arrebatamento da Igreja pelo Pai, o Filho descerá até as nuvens, ressuscitará os salvos que estão no Paraíso e transformará os salvos que estiverem vivos, encontrando-Se com a Sua Igreja nos ares (I Co.15:51-56; I Ts.4:16,17).
-Em seguida, fará cair sobre a Terra a Sua ira, pela impenitência dos homens, judeus e gentios, representados pelos sete selos, sete trombetas e sete taças (Ap.5:5; 6:16,17; 15:1).
-Enquanto a Terra estará sofrendo a ira do Cordeiro, a Igreja terá as suas obras julgadas pelo Filho, a quem foi destinado o julgamento dos vivos e dos mortos (II Tm.4:1; I Pe.4:5) pois o julgamento começa pela casa de Deus (I Pe.4:17), e, em seguida, haverá as bodas do Cordeiro, a festa de casamento entre Cristo e a Sua Igreja, quando se estabelecerá a unidade perfeita que é o objetivo da obra salvífica (Jo.17:11,21-23).
-Terminadas as bodas, o Filho, então, voltará à terra, para o tempo da restauração de tudo (At.3:21), quando, então, promoverá a redenção de Israel, com a extinção da transgressão, o fim dos pecados, a expiação da iniquidade e a vinda da justiça eterna para a propriedade peculiar de Deus entre os povos (Dn.9:24; Ex.19:5,6; Rm.11:25-27).
-Após remir Israel e derrotar os seus inimigos, o Senhor Jesus fará com que Israel seja o reino sacerdotal e povo santo que nunca tinha conseguido ser, e estabelecerá Seu reino milenial, retirando a maldição da terra e estabelecendo a justiça e paz entre os homens por mil anos (Ap.20:4; Is.11; Mq.4:1- 8).
-Ao término destes mil anos, o diabo e seus anjos, que haviam sido mantidos aprisionados no período, serão soltos e enganarão a muitos, que se rebelarão contra o Senhor Jesus, que os vencerá (Ap.20:7-9).
-Terminado o propósito da existência do próprio Universo físico, ele desaparecerá (II Pe.3:10-12; Ap.20:11).
-O Filho, então, procederá ao julgamento de todos os demais seres humanos, o chamado juízo do trono branco (Ap.20:11-15), exercendo o poder que o Pai Lhe deu por ter promovido a redenção da humanidade e, como Senhor dos vivos e mortos, determinado o destino eterno de cada ser humano.
– Após este julgamento, ter-se-á, então, a vitória de todos os inimigos de Cristo, que os terá posto debaixo de Seus pés e, neste instante, “a dispensação da plenitude dos tempos” (Ef.1:10), o Filho concluirá a Sua obra, sujeitando-Se ao Pai e todas as coisas, que haviam sido congregadas em Cristo, serão congregadas no Pai e aí Deus será tudo em todos (I Co.15:27,28).
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12129-licao-7-a-obra-do-filho-i


