LIÇÃO Nº 7 – UMA IGREJA QUE NÃO TEME A PERSEGUIÇÃO

INTRODUÇÃO

-Na sequência do estudo da igreja em Jerusalém, analisaremos a perseguição sofrida por aquela igreja local.

-A perseguição é inevitável para a Igreja na face da Terra.

I – A PERSEGUIÇÃO É CARACTERÍSTICA DA IGREJA

-A vida da igreja primitiva é permeada por perseguições. Lucas registra em Atos uma igreja que, apesar de triunfante, era severamente perseguida, a começar da igreja em Jerusalém. É este elemento que teremos a oportunidade de estudar nesta lição mais amiúde.

-A Igreja, dizem-nos as Escrituras, estava no plano de Deus ainda antes da fundação do mundo (Ef.3:9,10), mas tal propósito somente foi revelado por Jesus Cristo depois que o Pai revelou a Pedro que Jesus era o Filho do Deus vivo (Mt.16:16-18).

-Naquela ocasião, conhecida como a “declaração ou confissão de Cesareia” (pois os discípulos se encontravam com Jesus em Cesareia de Filipe), o Senhor Jesus já apontou quais seriam as três características singulares da Igreja.

-A primeira característica da Igreja é o fato de ser “de Jesus Cristo”. O Senhor Jesus foi bem claro ao dizer: “Edificarei a Minha Igreja”. A Igreja pertence a Jesus Cristo, é d’Ele. Por isso, quando Jesus Se apresenta a Saulo no caminho de Damasco, diz que Ele é quem está sendo perseguido, pois a Igreja é Sua propriedade.

-Nos dias de Jesus, máxime no mundo greco-romano, havia muitas “igrejas”, i.e., muitas “ekklesiai”, reuniões de pessoas que, fora de suas casas, normalmente em espaços para isso destinados na cidade. Entretanto, Jesus formaria a “Sua Igreja”, uma reunião de pessoas que seria tirada do mundo, que estaria liberta do poder do pecado (Jo.8:31-36).

-A segunda característica da Igreja é o fato de ser “edificada por Jesus Cristo”. A Igreja não é só de Jesus, mas é edificada, é construída pelo próprio Jesus, que é “a principal pedra de esquina” (Ef.2:20), o único fundamento (I Co.3:11).

-A Igreja, portanto, é sempre dinâmica, está sempre crescendo e crescendo para cima, almejando o céu. Não é uma “torre de Babel”, onde os homens buscam demonstrar sua independência em relação a Deus (Gn.11:4), mas uma edificação que, tendo a Cristo por base, depende de Cristo para sua contínua edificação.

-E tanto assim é que, no dia de Pentecoste, ocorre o contrário do que aconteceu na torre de Babel. Se lá a variedade de línguas afastou a todos, na inauguração da Igreja, todos ouviram os apóstolos falar das grandezas de Deus em suas próprias línguas (At.2:8), ou seja, em Cristo as nações haveriam de se reunir para viver eternamente com o Senhor (Ap.5:9).

-A terceira característica da Igreja é o fato de que, uma vez instituída, sofrerá ela a oposição do maligno.
Disse Jesus: “Edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt.16:18).

-Ao mencionar a Igreja, Jesus não deixou de dizer que haveria um embate, uma luta constante entre esta Igreja e “as portas do inferno”, expressão cujo significado é discutido pelos estudiosos da Bíblia, mas que representa aqui o poder do maligno, a força do pecado, o que o próprio Jesus chamou de “serpentes, escorpiões e toda a força do inimigo” (Lc.10:19) e o apóstolo Paulo denominou de “principados, potestades, os príncipes das trevas deste século, as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Ef.6:12).

-Jesus, ao anunciar a Igreja, poderia ter dito que ela viveria eternamente com o Senhor, habitaria nas mansões celestiais, seria revestida de poder, curaria enfermos, expulsaria demônios, teria dons espirituais, mas o Senhor Jesus foi direto ao ponto, como se costuma dizer: a Igreja seria perseguida, enfrentaria feroz oposição do maligno e, portanto, a perseguição seria uma nota característica deste povo que Ele resgataria com o Seu precioso sangue vertido na cruz do Calvário.

-Mesmo antes de anunciar o mistério da Igreja, o Senhor Jesus, no sermão do monte, já comparara os Seus discípulos aos profetas que O haviam antecedido.

-Com efeito, disse que uma das nove características do discípulo de Jesus, uma das nove bem-aventuranças é a bem-aventurança da perseguição.

“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por Minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus, porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt.5:12).

-Lucas, ao registrar o chamado “sermão da planície” (Lc.6:17), é ainda mais enfático, ao nos afirmar que o Senhor Jesus não só comparou os Seus discípulos aos profetas, como também afirmou que a falta de perseguição, a simpatia popular é um indício de que não se está bem na vida espiritual, pois somente os falsos profetas eram bem aceitos pelo povo (Lc.6:26).

-João, também, em seu evangelho, mostra-nos que o Senhor Jesus, nas Suas últimas instruções, foi bem claro ao afirmar aos discípulos que a Igreja seria, sempre, perseguida pelo mundo. Assim como o mundo havia aborrecido ao Senhor Jesus, também aborreceria aos Seus discípulos (Jo.15:18-25).

-Aliás, quando do primeiro anúncio da salvação do homem, feito pelo próprio Deus no Éden, foi dito claramente que o objetivo da redenção seria trazer inimizade entre a serpente e a humanidade (Gb.3:15) e, deste modo, não haveria, pois, como se ter outra reação do mundo, imerso no maligno (I Jo.5:19), em relação à nação santa que é a Igreja de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (I Pe.2:9,10).

-Não é, portanto, de se espantar que, ao longo da narrativa de Atos dos Apóstolos, tenhamos relatos de perseguições à Igreja. O livro, inclusive, termina com o apóstolo Paulo, embora sem impedimento algum para pregar o Evangelho, morando numa casa alugada, em verdadeira prisão domiciliar, por causa do nome de Jesus.

-Segundo os estudiosos das Escrituras, ainda, Lucas escreveu os dois livros para Teófilo precisamente para, através do histórico do ministério terreno de Jesus e dos primeiros anos da Igreja, mitigar a perseguição sofrida pelos cristãos naquele instante, particularmente do próprio Paulo.

-Esta tônica da perseguição estará com a Igreja até o dia do arrebatamento. O Senhor Jesus, em Seu sermão escatológico, foi claríssimo ao mostrar que “o princípio das dores”, a fase de agonia que antecede o arrebatamento da Igreja, que são os nossos dias, seria caracterizado pela intensificação da perseguição à Igreja, que, em Lucas, é apresentado como um sinal que antecede a outros:

“Mas, antes de todas estas coisas [grandes terremotos, e fomes, e pestilências, haverá também coisas espantosas e grandes sinais do céu — observação nossa] lançarão mão de vós, e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, e conduzindo-vos à presença de reis e presidentes, por amor do Meu nome” (Lc.21:12).

-O relatório da organização Portas Abertas de 2025 indica que há, na atualidade, 380 milhões de cristãos que estão sofrendo elevados níveis de perseguição por causa da fé, o maior número em 32 anos de investigação, tendo sido mortos, em 2024, 4.476 cristãos por motivos ligados à fé.

-O registro feito por Lucas da igreja em Jerusalém é mais uma demonstração de que se está diante de uma igreja que é modelo e referência para todas as igrejas locais ao longo da dispensação da graça.

-A palavra “perseguir”, no texto do sermão escatológico em Lucas é o verbo grego “dióko” (διώκω), cujo significado é “pôr para correr de forma prolongada, contínua”, “ir atrás sem descanso, de modo persistente”.

-O verbo, mesmo, é uma derivação para dar a ideia de ação prolongada e motivada. A “perseguição”, portanto, é uma ação sem trégua, continuada, uma articulação do inimigo de nossas almas, que não se cansa em acusar os servos do Senhor de dia e de noite (Ap.12:10).

-É este o mesmo sentido da palavra hebraica para “perseguir”, no texto sagrado, a saber, “radap” ou “radaf” (רדף), cujo significado é “andar detrás de um inimigo com a intenção de alcançá-lo e derrotá-lo”, como fez Abrão quando foi libertar seu sobrinho Ló (Gn.14:14).

-Assim, quando a Bíblia nos diz que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja” está a dizer, claramente, que o maligno perseguirá a Igreja, andará atrás dela com o nítido objetivo de alcançá-la e derrotá- la, mas que isto não ocorrerá pela atuação de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que venceu o mundo (Jo.16:33), a morte e o inferno (Ap.1:18). Aleluia!

-Atos é bem claro, em sua narrativa, ao mostrar que a perseguição faz parte da vida da Igreja, é uma
necessidade: “…por muitas tribulações nos importar entrar no reino de Deus” (At.14:22 “in fine”).

-Assim, completamente mentirosas as afirmações, cada vez mais frequentes, de que a Igreja alcançará lugar de destaque e proeminência na sociedade e que esta posição precederá o retorno de Cristo ao mundo. Não nos deixemos enganar com este discurso, que é o discurso justificador da apostasia que grassa atualmente entre os que cristãos se dizem ser.

II – A PERSEGUIÇÃO EM JERUSALÉM: A REAÇÃO DO SINÉDRIO À CURA DO COXO DA PORTA FORMOSA DO TEMPLO

-Em seu plano de apresentação da expansão da Igreja de Jerusalém até Roma, Lucas também vai mostrando a perseguição ao longo deste crescimento quantitativo-qualitativo da Igreja.

-Assim como os crentes foram testemunhas desde Jerusalém até a capital do Império, também a perseguição começou em Jerusalém e foi até Roma.

-A propósito, a palavra grega para testemunha é “martys” (μάρτυς), que deu origem à palavra “mártir”, que é aquele que morre por uma causa. A perseguição, o sofrimento está tão ligado à Igreja que as “testemunhas de Cristo” nada mais são que os “mártires”, os que dão suas vidas por uma causa, a causa do Evangelho.

-A primeira notícia de oposição à Igreja se apresenta no próprio dia de sua “inauguração”, no dia de Pentecoste, quando, antes mesmo que Pedro iniciasse a pregação após a vinda do Espírito Santo no cenáculo, já surgiu um grupo dizendo que os crentes nada mais eram que ébrios (At.2:13).

-Tanto assim é que o início da fala de Pedro é uma resposta àquela injúria (At.2:15). A oposição ao trabalho do Senhor surge assim que o trabalho é realizado, de modo que não podemos nos abalar quando, em meio a uma festa espiritual, a um momento de êxtase na presença do Senhor, logo venha alguma injúria mentirosa. Isto é próprio, peculiar de quem está a servir a Deus. Lembremos disto!

-A primeira perseguição, no entanto, ocorreu logo após o primeiro milagre, a cura do coxo da porta Formosa do templo de Jerusalém.

-Em seguida à grande manifestação da glória de Deus, seja pela cura, seja pela conversão de pessoas que levou o número de crentes a quase cinco mil (At.4:4), desencadeou-se a perseguição. É sempre assim, após grandes manifestações do poder de Deus, não nos iludamos: as “portas do inferno” se voltarão contra a Igreja.

-Notemos que eles ainda estavam pregando ao povo, no templo, quando veio o capitão do templo, os sacerdotes e os saduceus e prenderam os apóstolos Pedro e João, sem que tivesse havido qualquer reação seja por parte dos crentes, seja por parte dos que ouviam a pregação.

-O motivo de ter havido a prisão é claro no texto sagrado: “doendo-se muito que ensinassem o povo e anunciassem em Jesus a ressurreição dos mortos” (At.4:2).

Por que as pessoas perseguem a Igreja? Porque não admitem, não toleram, não aceitam que se ensine a verdade ao povo, que se pregue que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva para o céu. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma motivação satânica que leva as pessoas a se indignarem com a pregação do Evangelho.

-Por isso, não podemos, de modo algum, hostilizar ou odiar as pessoas que perseguem o Evangelho. São elas escravas do pecado, pessoas que, iludidas pelo inimigo de nossas almas, muitas vezes, a exemplo do apóstolo Paulo, no seu zelo (Gl.1:14), religioso ou não, não têm como ver a realidade da salvação na pessoa de Cristo e, cegadas em seu entendimento pelo deus deste século (II Co.4:4), tudo fazem para que o Evangelho não venha a ser pregado.

-O inimigo excita um verdadeiro ódio a Cristo, que está por trás de toda iniciativa contrária ao Evangelho. Tem-se uma verdadeira “cristofobia”, que está se alastrando cada vez mais nos dias difíceis em que vivemos.

-Os dois apóstolos foram levados ao Sinédrio, o mesmo Sinédrio que havia condenado Jesus pouco tempo antes (Mt.26:57).

-As autoridades judaicas indagaram os apóstolos com que poder e em nome de quem haviam feito aquele milagre (At.4:7) e Pedro, cheio do Espírito Santo, começou, então, a responder a esta indagação, cumprindo- se, assim, o que havia sido prometido por Jesus em Seu sermão escatológico (Lc.21:14,15).

-Pedro, em seu discurso, ensina-nos como devemos proceder quando levados diante das autoridades por causa de nossa fé.

-Por primeiro, mostrou que estava ali por causa do benefício feito a um homem enfermo e do modo como havia sido curado (At.4:9).

Quando instados pelos perseguidores, devemos mostrar o que Jesus está a fazer, devemos apresentar os fatos relacionados com o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Em outras palavras: diante das autoridades, Pedro continuou a pregar a Cristo!

-Em resposta ao Sinédrio, afirmou que tudo fora feito em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, o mesmo que havia sido crucificado por ordem do próprio Sinédrio, mas que havia sido ressuscitado por Deus, a pedra rejeitada por Israel, o único nome pelo qual se tem salvação (At.4:9-12).

-Nestas suas afirmações, Pedro demonstra, por primeiro, respeito às autoridades, eis que respondeu ao que lhe foi indagado. Tudo fizera em nome de Jesus, pelo poder de Cristo.

-Na identificação de Jesus, não deixa de mostrar que era o mesmo que eles haviam mandado crucificar, mas que havia ressuscitado e cujo poder se mostrava pela cura do coxo. Assim deve fazer a Igreja: agir em nome de Jesus e confiar neste Cristo que faz sinais e maravilhas, não temendo anunciar que Ele venceu a morte, tem todo o poder.

-Por segundo, Pedro nos ensina que não podemos compactuar com o inimigo. Fizera aquilo em nome de Jesus que, para o Sinédrio, era um criminoso, mas que, na realidade, era o Senhor, o Messias ressurreto, o Todo-Poderoso.

A Igreja não pode se intimidar diante do inimigo. O respeito às autoridades não significava, em absoluto, aceitação da rejeição de Cristo por parte delas.

-Por terceiro, Pedro nos ensina que não podemos abrir mão da verdade de que só Jesus Cristo salva. Pedro não amaldiçoou o Sinédrio nem tampouco os constrangeu a aceitar a Cristo, mas não deixou de dizer que só Jesus Cristo salva.

-As propostas hodiernas de um “diálogo inter-religioso” ou de um “ecumenismo” têm de ser rechaçadas, visto que significa admitirmos que há salvação fora de Jesus, o que sabemos ser impossível. A “ditadura do relativismo” de nossos dias é algo com que jamais poderemos compactuar e a razão pela qual seremos sempre perseguidos pelo mundo.

OBS: O ex-chefe da Igreja Romana, Papa Bento XVI (1927-2022, Papa de 2005-2013), foi um dos maiores críticos deste relativismo na atualidade, caminho, aliás, que não foi seguido por seu sucessor Francisco, assim se expressou em 5 de agosto de 2009:

“…na época actual registra- se em muitos ambientes uma espécie de ‘ditadura do relativismo’.

Ambas parecem ser respostas inadequadas à maior exigência do homem, de usar plenamente a sua razão como elemento distintivo e constitutivo da própria identidade.

O racionalismo foi inadequado porque não teve em consideração os limites humanos e pretendeu elevar só a razão como medida de todas as coisas, transformando-a numa deusa; o relativismo contemporâneo mortifica a razão, porque de facto chega a afirmar que o ser humano nada pode conhecer com certeza, para além do campo científico positivo.

Porém, tanto hoje como ontem, o homem ‘mendicante de significado e cumprimento’ vai à procura contínua de respostas exaustivas às interrogações fundamentais que não cessa de levantar.…” (BENTO VI. Audiência geral de 5 de agosto de 2009. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20090805_po.html Acesso em 04 jan. 2011).

-Após estas declarações do apóstolo Pedro, o Sinédrio reconheceu e admirou a ousadia de ambos, pois João não se apresentara com qualquer temor.

Ficaram, também, admirados de que fossem “homens sem letras e indoutos”, o que não quer dizer que eram “analfabetos”, como alguns dizem por aí, mas apenas que não tinham qualquer passagem pelas academias rabínicas já então existentes em Israel, embora demonstrassem profundo conhecimento das Escrituras.

-O mesmo Sinédrio, porém, descobriu de onde viera tal ousadia: “eles haviam estado com Jesus” (At.4:13).

-Para enfrentar a perseguição, portanto, é fundamental que “tenhamos estado com Jesus”. Verdade é que, ao contrário dos apóstolos Pedro e João, não podemos ter uma companhia física com Jesus, mas, na medida em que estivermos em comunhão com o Espírito Santo, desfrutaremos do “Emanuel”, o “Deus conosco”. Pela comunhão com o Espírito Santo, tornamo-nos morada do Pai e do Filho (Jo.14:23).

-Quando temos comunhão com o Senhor, somos usados por Ele para a propagação da Sua Palavra e isto incitará o diabo e suas hostes para que venham nos perseguir.

-Na perseguição, porém, tendo agido em nome de Jesus e pelo Seu poder, não temos o que temer, porque,
“por termos estado com Jesus”, agiremos com ousadia e causaremos admiração diante dos que nos perseguem.

-O Sinédrio ficou sem argumentos, já que o homem curado ali estava e não podiam contrariar a obra realizada pelo Senhor Jesus. Precisamos fazer a obra de Deus e os perseguidores nada terão que argumentar diante das maravilhas operadas pelo Senhor.

-Diante disto, chamaram os apóstolos e os proibiram de pregar o Evangelho. Pedro e João, no entanto, responderam-lhes que não era justo ouvir antes às autoridades do que a Deus (At.4:19).

-Temos aqui uma outra importante lição: nossa obediência às autoridades tem de ser feita no Senhor, ou seja, não pode avançar sobre mandamentos divinos. Não há possibilidade alguma de nos submetermos a determinações governamentais que vulnerem a Palavra de Deus.

-O Sinédrio lançou ameaças sobre os apóstolos, o que se continua a fazer na atualidade. Autoridades religiosas (as sinagogas de Lc.21:12), civis (os reis e presidentes de Lc.21:12) quererão calar-nos, impedir-nos de pregar o Evangelho, não só totalmente, como se fazia mais nos tempos antigos, mas também parcialmente, como se costuma fazer na atualidade, quando se está a negar o “espaço público” para a pregação, querendo circunscrever a pregação da Palavra aos lares e aos templos.

-Entretanto, diante de tais iniciativas, ameaças, a Igreja deve, sem qualquer manifestação de hostilidade ou zombaria, manter-se firme em obedecer a Cristo, a Sua cabeça, pois não é justo, diante de Deus, ouvi-las e não ao Senhor, porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido. Aleluia!

-Diante da soltura dos apóstolos, sem qualquer castigo nessa ocasião, o que fez a igreja? Lucas nos conta que, unanimemente, oraram a Deus, lembrando o Salmo 2, que fala da oposição do mundo ao Messias, bem como a própria conspiração que havia levado Jesus à cruz e pediram ao Senhor que olhasse para todas as ameaças das autoridades e concedesse aos crentes que falassem com toda a ousadia a Palavra de Deus, enquanto o Senhor estendesse a mão para curar e para que se fizessem sinais e prodígios pelo nome de Jesus (At.4:23- 30).

-A oração é outro elemento que não pode, em absoluto, faltar em uma perseguição. A Igreja tem de orar a Deus a fim de que mantenha a ousadia para pregar o Evangelho mesmo diante da perseguição.

Não se vence a perseguição com a força humana, nem tampouco com os sinais e milagres realizados, mas com oração, com contínua oração. A perseguição é um fator que Deus utiliza para levar os homens aos pés do Senhor Jesus.

-Nestes dias em que vivemos, o princípio das dores (Mt.24:8), que se caracteriza precisamente pelo incremento da perseguição (Mt.24:9), é preocupante que se verifique que a igreja tem cessado de orar, tem deixado de buscar a presença de Deus. Como poderemos vencer a perseguição sem nos utilizarmos da oração?

-A igreja em Jerusalém, após os apóstolos terem sido soltos, foi buscar a Deus em oração, porque sabia que persistiria a perseguição e que esta luta não é contra a carne nem contra o sangue, mas contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais em Cristo (Ef.6:12).

-Como resposta à oração feita pela igreja depois da libertação dos apóstolos, Deus fez mover-se o lugar onde os crentes estavam reunidos e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a Palavra de Deus (At.4:31).

-Deus respondeu à oração da Igreja, derramando o Espírito Santo sobre os crentes e os comissionando para que anunciassem a Palavra de Deus.

-Temos aqui o segundo relato de batismo com o Espírito Santo na igreja. A perseguição alcançava um novo patamar, mas a igreja em Jerusalém, que perseverava em oração (At.2:42), foi buscar a Deus e o resultado foi o revestimento de poder daqueles crentes que ainda não tinham sido batizados com o Espírito Santo. Para poder enfrentar a contento o que haveria de vir, era mister que todos estivessem cheios do Espírito Santo.

-Como, então, amados irmãos, podemos querer que a Igreja hoje enfrente um mundo onde a iniquidade e as forças malignas ganham intensidade e projeção sem oração e sem revestimento de poder? Pensemos nisto!

-Se a igreja orar, mesmo diante da perseguição, o Espírito Santo será derramado e a Palavra frutificará, muitas pessoas crendo em Jesus.

-Não foi por outro motivo que, em meio às cruéis perseguições romanas, no início da história da Igreja, Tertuliano (160-220) afirmou: “o sangue dos mártires é a semente da Igreja”.

III – A PERSEGUIÇÃO EM JERUSALÉM: A PRISÃO DOS APÓSTOLOS POR INICIATIVA DOS SADUCEUS

-A segunda perseguição ocorreu pouco tempo depois, em meio a um grande crescimento vivido pela igreja (At.5:14).

-Os saduceus, juntamente com o sumo sacerdote, “encheram-se de inveja” e lançaram mão dos apóstolos,
pondo-os na prisão pública (At.5:17).

-Os saduceus eram uma das seitas principais dos judeus nos dias de Jesus. Era o grupo proeminente na liderança religiosa de Israel e detinham a administração do templo, enquanto os fariseus, a seita rival, eram mais relacionados com as academias rabínicas.

-Os saduceus eram muito influenciados pela filosofia grega, tanto que eram materialistas, não crendo em anjos, ressurreição ou espírito (At.23:8), ao passo que os fariseus criam em todas estas coisas e eram defensores da aplicação rigorosa da lei mosaica, não aceitando os postulados filosóficos.

-Mais uma vez, vemos a atuação maligna nos corações dos saduceus e do sumo sacerdote. Quem incita os homens contra a Igreja é o inimigo de nossas almas, pois não lutamos contra a carne nem contra o sangue (Ef.6:12).

-Por isso, não podemos nutrir qualquer sentimento de mágoa ou ressentimento para com estas pobres vidas que estão servindo de joguete nas mãos do diabo.

-A inveja é um poderoso elemento que Satanás se utiliza para promover a perseguição contra a Igreja.

-Os saduceus, que controlavam o templo em Jerusalém, observavam que os crentes, apesar de se reunirem no alpendre de Salomão, no templo, também se reuniam em casas e, pelo caminho onde passavam, eram bênçãos para os enfermos e necessitados, que eram curados independentemente de irem ao templo, como ocorrera com o coxo da porta Formosa.

-Viram, então, que seu “status” religioso estava em decadência e, deste modo, tiveram “inveja”. Tomemos
cuidado com este comportamento, tão comum no meio dos que cristãos se dizem ser.

-Entretanto, de noite, um anjo abriu as portas da prisão e tirou os apóstolos da prisão, mandando que eles se apresentassem e fossem ao templo e dissessem ao povo todas as palavras de vida (At.4:19).

-Esta ação miraculosa por parte do Senhor mostra-nos que, diante da perseguição e da ação bruta das autoridades usadas pelo diabo, os crentes não podem se intimidar e devem prosseguir pregando o Evangelho nos mesmos lugares em que são proibidos a fazê-lo.

-Estamos dispostos a seguir a ordem do Senhor? Ou nos tornaremos tímidos, covardes e, por causa desta timidez e covardia, aceitaremos pregar tão somente onde queiram os governantes teleguiados pelo nosso adversário? Quem optar pela timidez, ficará do lado de fora da cidade santa (Ap.21:8). De que lado ficaremos?

-Com tristeza, por ocasião da pandemia do COVID-19, vimos como muitos se acovardaram e aceitam passivamente ordens nitidamente ilegais e despidas de qualquer fundamento científico e movidas única e

exclusivamente por ódio a Cristo e a Sua Igreja e permitiram que fosse suprimida a liberdade religiosa, privando-nos do culto a Deus.

-Hoje em dia, vemos revelada toda a falsidade das medidas de distanciamento social, uso de máscaras e tantas coisas mais, voltadas única e exclusivamente para a desarticulação da obra do Senhor.
-Logo de manhã, os apóstolos cumpriram a ordem divina e começaram a pregar no templo (At.5:21).

-Convocado o Sinédrio, puderam testemunhar o milagre ocorrido, pois a prisão estava fechada, mas os apóstolos lá não se encontravam, sendo achados pregando no templo.

-Foram, então, levados à presença das autoridades mas com cuidado, sem violência, pois o povo os tinha em grande estima.

-Em novo discurso de Pedro, os apóstolos reiteraram que deviam obedecer a Deus e não aos homens (At.5:29).

-Diante de tal ousadia, foi deliberado que fossem mortos (At.5:33), mas Gamaliel os impediu de fazê-lo, lembrando que, se aquela obra fosse de Deus, não poderia ser impedida (At.5:34-39).

-Um fariseu, usado pela Providência Divina, teve a visão de que a obra de Deus não pode ser impedida pelas autoridades nem por ninguém.

Por que, então, muitos de nós, ante as perseguições, ameaças e lutas contra a pregação do Evangelho, preferimos nos acomodar e nos submeter a tais medidas, num conformismo que nega nossa fé de que estamos diante de um trabalho mandado por Cristo Jesus, numa falta de fé de que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16)?

-Diante da palavra de Gamaliel, o Sinédrio desistiu de matar os apóstolos, tendo, porém, açoitado e os mandado que não falassem em o nome de Jesus (At.5:40).

-Vemos que a perseguição aumentava: antes apenas dois apóstolos haviam sido presos e soltos; agora, todos haviam sido presos e, embora miraculosamente soltos, agora eram açoitados.

-Qual foi a reação deles diante da ofensa à sua integridade física? Eles se regozijaram de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus (At.5:41).

-Os apóstolos eram masoquistas, ou seja, gostavam de sofrer? Não, não e não! Por que, então, estavam alegres, mesmo tendo sido açoitados, açoites que, quase que certamente, foram a aplicação de quarenta golpes menos um nas costas (Dt.25:2,3)?

-Porque, com este gesto, reconheceram que faziam parte do “corpo de Cristo”, estavam sofrendo assim como o Senhor (II Co.1:5; Fp.1:29; 3:10; II Tm.1:8) e, por isso, tinham a certeza de que seus nomes estavam escritos no livro da vida, o que era motivo de se alegrarem (Lc.10:20).

-Mostrando o seu destemor e a convicção de que eram possuídos, imediatamente, após terem sido açoitados, continuaram a obedecer a Deus, todos os dias, no templo e nas casas, não cessando de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo (At.5:42).

-Diante das perseguições, não cabe à Igreja fazer outra coisa senão continuar a dizer que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva para o céu. Temos esta disposição, apesar das feridas que as perseguições nos causam ao longo de nosso ministério?

IV – A PERSEGUIÇÃO EM JERUSALÉM: A MORTE DE ESTÊVÃO

-A terceira perseguição seguiu-se depois da solução do primeiro problema interno ocorrido na Igreja,
a respeito do “ministério cotidiano”, que será objeto de lição específica.

-A vida na igreja é sempre assim: superada uma dificuldade interna, advém dificuldade externa. Como costuma dizer o saudoso pastor Walter Marques de Melo (1933-2013), um querido irmão que conosco frequentava o Estudo dos Professores da EBD no Belenzinho, na vida do crente, “depois de uma tempestade, vem outra tempestade”.

-A Igreja, apesar da perseguição, crescia e se multiplicava. A própria classe sacerdotal, de onde vinha a maior parte da oposição, já estava atingida pela evangelização que, inclusive, avançava também sobre as sinagogas de Jerusalém (At.6:7,9).

-Jesus confirmava a Palavra com sinais e prodígios (At.6:8) e, dentre todos, destacava-se Estêvão, um dos diáconos eleitos pela igreja em Jerusalém (At.6:5).

-Surge, então, outro elemento sempre presente na perseguição: a mentira.

-Os perseguidores subornaram alguns para que dissessem que Estêvão tinha blasfemado contra Moisés e contra Deus (At.6:11) e, diante da acusação, excitaram o povo, os anciãos e os escribas e o arrebataram e o levaram ao conselho, apresentando falsas testemunhas (At.6:12-15).

-Temos, então, outro elemento que costuma estar presente na perseguição, notadamente nos dias de hoje: a excitação do povo.

-Os inimigos do Evangelho gostam de “trombetear” as suas mentiras, injúrias e difamações, buscando, junto à sociedade, por sua pirotecnia e por sua “voz alta” e “clamores”, fazer com que suas versões fantasiosas se tornem verdade. É a máxima que seria sintetizada pelo ministro da Propaganda da Alemanha Nazista, Paul Joseph Goebbels (1897-1945): “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

-Levado ao Sinédrio, Estêvão, assim como haviam feito os apóstolos anteriormente, com ousadia e graça de Deus, pregou o Evangelho e mostrou a dureza dos corações daquele povo (At.7:1-53).

-Ao término de sua prédica, embora seu rosto brilhasse como o de um anjo, a mostrar quanto estava ele sendo dirigido e orientado pelo Espírito Santo (At.6:15), a multidão se enfureceu, arremeteu unânime contra ele e o expulsou da cidade, apedrejando-o, sem que sequer uma sentença fosse proferida contra ele, tendo as autoridades consentido com isto, tanto que mandaram para lá Saulo, a cujos pés depuseram as vestes de Estêvão, que morreu apedrejado, não antes de pedir a Deus perdão pelo pecado de seus algozes, a nos provar, uma vez mais, que não devemos ter mágoa nem ressentimento dos perseguidores (At.7:54-60).

-Para perseguir os cristãos, o Sinédrio, que não podia aplicar a pena de morte sob o domínio romano (Jo.18:31), resolveu aplicar, ineditamente, um entendimento rabínico de que, nos casos de pecados mais graves, que comprometessem o próprio relacionamento do povo com Deus, identificados na lei como sendo aqueles cuja punição do faltoso faria “tirar o mal de Israel” (Dt.17:7,22; 22:21,22,24; 24:7), poderia o tribunal atuar como um “tribunal administrativo” e o próprio povo poderia, então, aplicar a pena capital, apedrejando o faltoso, devendo o Sinédrio apenas dar a sua aquiescência.

-A perseguição chegava, então, a mais um estágio: o da morte. Até então, os crentes não haviam morrido por causa do Evangelho, mas Estêvão inaugurou o martírio. Era o primeiro que morria por causa da fé em Jesus.

-A perseguição chega até este ponto, porque Deus não prometeu poupar a vida física da Igreja. Pelo contrário, Jesus foi bem claro ao dizer que Seus discípulos seriam entregues à morte (Mt.10:21,22; Jo.16:1-3), sensação que Paulo tinha todo dia (Rm.8:36).

-Diante do êxito na morte de Estêvão, que não trouxe qualquer repercussão negativa para as autoridades religiosas judaicas, apesar da nítida afronta à lei, tanto a lei de Moisés quanto a própria lei romana (cfr. Jo.18:31), a perseguição ganhou força e o Sinédrio, então, comissionou Saulo para que assolasse a igreja, entrando pelas casas e arrastando homens e mulheres, encerrando-os na prisão (At.8:1,2).

-Ficara impossível servir a Deus em Jerusalém e, por causa desta impiedosa perseguição, muitos crentes deixaram Jerusalém, dispersando-se pelas terras da Judeia e Samaria, exceto os apóstolos.

-Mas por que Jesus permitiu tamanha perseguição? Para que se cumprisse a Sua ordem de pregar em Jerusalém, Judeia e Samaria e até os confins da terra.

-A igreja em Jerusalém fizera ouvidos moucos à ordem do Senhor de testificá-l’O em Jerusalém, Judeia e Samaria e até aos confins da terra. Não pregava sequer o Evangelho nas circunvizinhanças da cidade, tanto que os moradores dos arredores tinham de ir até Jerusalém para obter curas (At.5:16).

-Como não havia qualquer mobilização no sentido de cumprir a ordem do Senhor, e já iam doze anos desde o dia de Pentecoste, a perseguição fez com que os crentes, mesmo contra a vontade, se dispersassem pela Judeia e Samaria, onde passaram a anunciar a Palavra (At.8:4).

-Assim, embora, à primeira vista, o inimigo tivesse tido vantagem, na verdade, a perseguição serviu tão
somente para a expansão do reino de Deus. “As portas do inferno não prevalecem contra a Igreja”. Aleluia!

IV – A PERSEGUIÇÃO EM JERUSALÉM: A MORTE DE TIAGO E A PRISÃO DE PEDRO

-Em Jerusalém, Saulo conseguiu que o sumo sacerdote autorizasse que fosse ele para Damasco, importante cidade da Síria, onde havia uma grande colônia judaica, a fim de que lá, também, perseguisse os crentes.

-Seria o início da perseguição fora de Jerusalém, mas, a caminho de Damasco, o perseguidor tem um encontro com o Senhor Jesus e, de perseguidor, torna-se um perseguido (At.9).

-A conversão de Saulo representou um baque na perseguição empreendida pelo Sinédrio. Com efeito, toda a perseguição contra os crentes, que eram conhecidos como “a seita dos nazarenos” (At.24:5), talvez uma alusão ao primeiro discurso de Pedro perante o Sinédrio, em que o apóstolo dissera que agia “em nome de Jesus Cristo, o Nazareno” (At.4:10), havia sido centralizada em Saulo, um fariseu extremamente zeloso e que estudara aos pés de Gamaliel (At.22:3), ou seja, alguém que conseguia obter a anuência daqueles que, primitivamente, eram contrários à perseguição.

-Com a sua conversão, a força perseguidora se atrapalhou, passando, então, os crentes de Jerusalém a voltar a gozar um certo período de paz, ainda que Saulo, uma vez em Jerusalém, tenha de dali se retirar a fim de que não fosse morto (At.9:29,30).

-Esta situação, no entanto, alterar-se-ia quando Herodes Agripa I torna-se rei da Judeia, conseguindo restaurar o reino que havia sido de seu avô Herodes, o Grande, a partir do ano 41.

-Querendo ser simpático aos judeus, com o objetivo de angariar-lhes a simpatia, retoma a perseguição contra os “nazarenos”, mandando, inclusive, matar o apóstolo Tiago, irmão de João e um dos integrantes do “círculo íntimo” do Senhor Jesus, ao lado de Pedro e de João (At.12:1).

-Esta atitude de Herodes Agripa I teve repercussão positiva entre os judeus e, diante disso, o rei mandou prender Pedro, com o intuito de também matá-lo, “respeitando”, porém, as festividades da Páscoa (At.12:2,3).

-No entanto, a igreja, enlutada por Tiago e abalada com a prisão de Pedro, já sabia qual era o caminho diante de uma perseguição: a oração, que passou a ser contínua (At.12:5).

-Pedro, então, foi miraculosamente solto da prisão e, depois de ter ido ao encontro dos irmãos que oravam por ele na casa de Maria, mãe de João Marcos, transformando aquele culto de súplica em culto de ação de graças, partiu de Jerusalém, indo para outro lugar (At.12:17). Os tempos eram outros e não havia mais plena liberdade para se pregar o Evangelho em Jerusalém.

-Diante deste milagre, Herodes Agripa I castigou os soldados e partiu para Cesareia, onde, pouco tempo depois, no ano 43, morreu comido de bichos, relato que Lucas fez questão de registrar, inspirado pelo Espírito Santo, para mostrar que a vingança contra os perseguidores vem da parte de Deus, não devendo ser nem sequer desejada pela Igreja (At.12:23).

-Depois deste episódio, não se tem mais notícia de perseguição à Igreja em Jerusalém, salvo no que toca à prisão de Paulo, que se tratou, porém, de uma perseguição individual, que não se alastrou para a Igreja.

-Isto não significa dizer que a Igreja não tenha sido perseguida mais até a destruição do templo no ano 70, pois a história registra, inclusive, que Tiago, o irmão do Senhor, que passou a ser o pastor em Jerusalém, foi morto numa perseguição que se deu por volta do ano 63 em Jerusalém, quando o sumo sacerdote Anano, aproveitando-se da morte de Festo, reuniu o Sinédrio e condenou a apedrejamento alguns “desobedientes à lei”, entre os quais estaria Tiago, segundo afirma o historiador Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas, XX, 8, 856). Anano teria ficado como sumo sacerdote apenas três meses. Morreu assassinado em 68.

-Entendem alguns, aliás, que, diante da morte de Tiago, o irmão do Senhor, tenha sobrevindo um tal desânimo aos crentes não só de Jerusalém, mas de toda a Judeia, ainda mais que se vivia um período de intenso conflito entre judeus e romanos, que acabaria desencadeando a guerra que levou à destruição de Jerusalém e do templo no ano 70, que tenha o Espírito Santo inspirado a redação da carta aos hebreus, uma exortação àqueles crentes para que não abandonassem a fé em Jesus apesar das dificuldades sofridas.

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11651-licao-7-uma-igreja-que-nao-teme-a-perseguicao-i

Glória a Deus!!!!!!!