LIÇÃO Nº 13 – A TRINDADE SANTA E A IGREJA DE CRISTO

INTRODUÇÃO

-Na conclusão do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos a atuação da Santíssima Trindade na Igreja de Cristo.

-Toda a Santíssima Trindade atua na e pela Igreja.

I – A IGREJA DE CRISTO, O POVO DE DEUS NA TERRA

-Na conclusão do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos a atuação da Santíssima Trindade na Igreja de Cristo.

-As Escrituras revelam-nos que, com a vitória de Cristo sobre a morte e o inferno, forma-se um povo diferente, especial, zeloso e de boas obras, a saber, a Igreja.

-A palavra “igreja” surge, pela vez primeira, nas Escrituras, no evangelho segundo Mateus (Mt.16:18), quando é declarada pelo próprio Jesus que, assim, revela o “mistério de Cristo”, como o apóstolo Paulo chamou a “igreja” na epístola aos efésios. É a palavra grega “ekklesia” (εκκλησια), cujo significado é “reunidos para fora”, “chamados para fora”.

-A palavra “ekklesia”, porém, já havia sido utilizada na Versão Grega do Antigo Testamento (a chamada Septuaginta) para traduzir a palavra hebraica “qahal” (ָקָהל), que as nossas versões em língua portuguesa costumam registrar como “congregação”, nome pelo qual era conhecida a reunião do povo de Israel, principalmente no tempo da peregrinação no deserto, quando Moisés costumava chamar todo o povo para algumas reuniões solenes à frente do tabernáculo que, por isso mesmo, era denominada de “tenda da congregação” (Nm.10:1-3).

-Notamos, pois, de início, que a palavra “igreja” fala de uma “reunião”, ou seja, um grupo de pessoas. Igreja não é um indivíduo, não é uma pessoa solitária, mas, sim, um grupo de pessoas, um conjunto de pessoas.

-Desta forma, ficamos sabendo, já pela etimologia da palavra, que a salvação proporcionada por Jesus Cristo cria um novo grupo de pessoas, um novo povo. Não se pode, pois, biblicamente falando, ser salvo e permanecer isolado, solitário na vida sobre a face da Terra.

-Este novo povo, esta “igreja”, vem, portanto, realizar, concretizar aquilo que Israel, a “propriedade peculiar de Deus dentre todos os povos” (Ex.19:5,6) era apenas uma figura, um símbolo, uma sombra (Hb.10:1).

-Temos aqui, de imediato, a falsidade da “doutrina do desigrejamento”, que está tendo a adesão de muitas pessoas na atualidade, que defende que, para servir a Jesus, não se necessita estar vinculado a nenhum grupo, pode-se servir a Deus individualmente, como um “desigrejado”, situação que se potencializou após a pandemia do COVID-19.

-Mas “igreja” não é apenas uma “reunião”, mas é o conjunto dos “reunidos para fora”, ou seja, daqueles que foram chamados, convocados, para sair do lugar onde estavam, da sua habitação, como, aliás, acontecia toda vez que Moisés tocava as duas trombetas de prata no deserto, sinal de que todo o povo deveria sair das suas habitações e comparecer até a frente do tabernáculo.

-A “igreja”, pois, não é um povo que se formou por vontade própria, mas que foi resultado de um chamado, de uma ação divina. Por isso, Jesus diz que edificaria a Sua igreja e o apóstolo Paulo a denomina de “lavoura de Deus” e “edifício de Deus” (I Co.3:9).

-A igreja não é uma criação humana, mas, sim, divina, é algo que se construiu pela vontade do Senhor. É
uma “reunião” que não é obra de homem algum, mas do próprio Deus.

-A igreja não é uma reunião a esmo, sem propósito nem tampouco lugar. A igreja é o conjunto dos “reunidos para fora”, ou seja, é um povo que está “fora”, que se encontra em um lugar distinto e diferente do dos demais povos.

-Ora, sabemos que a humanidade, por causa do pecado, encontra-se longe de Deus (Pv.15:29; Is.46:12; Mc.7:6), mas, quando aceita o chamado do Senhor, crendo em Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, pelo sangue de Cristo deixa de ficar longe e passa a estar perto do Senhor (Dt.30:14; Sl.145:18; At.2:39; Ef.2:13,14).

-Por isso, a igreja é formada por aqueles que estão “fora” do pecado, “fora” do mundo, “fora” das trevas. Há, portanto, uma verdadeira oposição entre a “igreja” e o “mundo”.

-Não é por outra razão que a “igreja” é denominada pelos estudiosos como a “agência do reino de Deus na Terra”, precisamente porque é se distinguindo dos demais homens, saindo para “fora do mundo” que se passa a pertencer a ela, o que nos faz lembrar as palavras de Jesus a Nicodemos a respeito do novo nascimento, sem o qual não se pode ver nem entrar no reino de Deus (Jo.3:3,5).

-A igreja é um povo que se encontra na face da Terra mas que pertence a um reino que não é deste mundo
(Jo.18:36 “in initio”).

-Este primeiro significado de “igreja” é o que se chama, também, de “igreja universal”, entendida esta como a reunião de todos os homens que creram em Cristo em todos os tempos, a partir da obra redentora na cruz do Calvário, a “universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb.12:23a), ao “corpo de Cristo” (I Co.12:27; Ef.4:12), a “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (I Pe.2:9), o conjunto de todos os que creram em Jesus Cristo ao longo da história e que se reunirá, pela vez primeira, quando do arrebatamento da Igreja, os quais serão apresentados ao Pai pelo Filho com as seguintes palavras: “Eis-me aqui a mim e aos filhos que Deus me deu.”(Hb.2:13 “in fine”).

-Tem-se, portanto, na Igreja, que é o Corpo de Cristo, a reprodução da própria dupla natureza que encontramos em Cristo Jesus.

-Assim como Jesus é homem e Deus simultaneamente, sendo uma unidade e uma diversidade a um só tempo, também o Seu corpo, isto é, a Igreja, por Ele edificada, é, ao mesmo tempo, uma unidade, vez que se trata de o corpo de Cristo, o povo adquirido, a nação santa, mas também é uma pluralidade, pois são várias as igrejas, cada uma em um determinado lugar, em um determinado local, a chamada “igreja local”.

-“…Além de assembleia universal dos crentes em Jesus, o vocábulo ‘igreja’ refere-se a um grupo de crentes
em cada localidade geográfica [At.11:22; I Co.1:2; Gl.1:2] …” (DFAD 2.ed., X, p.150).

-O único povo de Deus apresenta-Se sob muitas formas, demonstrando que o único Deus (Rm.16:27; I Tm.1:17; Jd.25) é, também, multiforme (Ef.3:10; Hb.1:1; I Pe.4:10).

-Deus, que criou o homem como um ser social (Gn.2:18), providenciou para que esta unidade espiritual desde já instaurada pelo perdão dos pecados e pela salvação em Cristo Jesus não se mantivesse apenas como uma nação espiritual, pois isto seria insuficiente para a obra da evangelização e do aperfeiçoamento dos santos, tratando de estabelecer que a vida espiritual sobre a face da Terra, até a chamada individual de cada um para a eternidade, ou o arrebatamento da Igreja, com o término desta dispensação, se desse por meio da criação de um grupo social, onde os homens pudessem uns aos outros ajudar na dura e espinhosa jornada da fé: a “igreja universal” depende, pois, da “igreja local” para chegar, em bom termo, à sua “inauguração”, o que se dará no dia do arrebatamento da Igreja.

-Vistos estes dois conceitos de igreja, resta-nos ver o que a Bíblia tem a dizer sobre a origem da Igreja.

-Quando ela surgiu? Quando ela foi concebida? Pois bem, assim como a salvação estava prevista desde antes da fundação do mundo, de igual modo a igreja já estava estabelecida por Deus ainda antes que o mundo existisse.

-A igreja foi o “…mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são coerdeiros e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho.” (Ef.3:4-6).

-A igreja era o grande mistério de Cristo que só foi revelado pelo próprio Senhor quando fez a famosa “declaração de Cesareia”, quando afirmou que edificaria a Sua igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt.16:18).

-A igreja, portanto, é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja.

-Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história da humanidade, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destruí-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida.

-No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer.

OBS: Diante de tantos exemplos históricos, relatemos dois episódios elucidativos desta realidade. O imperador romano Juliano (331-363, imperador de 361 a 363) perseguiu impiedosamente os cristãos, depois que os cristãos já haviam sido reconhecidos por Roma, tendo ele mesmo abandonado o Cristianismo. Pouco antes de morrer, numa campanha militar em 363, é dito que exclamou em alta voz: “venceste, ó Galileu”.

Na China comunista, os cristãos foram impiedosamente perseguidos e toda obra missionária naquele país foi impedida totalmente.

Com a abertura do regime a partir de 1979, pensou-se que o Cristianismo estaria dizimado naquele país e, para surpresa de todos, o número de cristãos no período difícil do governo de Mão-Tsé-Tung (1947-1979), dobrou naquele país. Ninguém pode prevalecer contra a igreja do Senhor Jesus!

-Concebida ainda antes da fundação do mundo, como primeiro momento da congregação de tudo em Cristo Jesus (Ef.1:10), a Igreja foi revelada por Jesus na famosa “declaração de Cesareia”.

-No entanto, somente teria existência própria a partir do instante em que Jesus subiu aos céus, assentando-Se
à direita de Deus, visto que a igreja é “o corpo de Cristo”.

-Enquanto Jesus não ascendeu aos céus, não poderia haver uma verdadeira “igreja”, visto que Jesus ainda
estava com os discípulos.

-A partir do instante, porém, em que ascendeu aos céus, passamos a ter a Igreja, Igreja que iniciaria a Sua missão evangelizadora a partir da descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, ato inicial da dispensação da graça e de apresentação da Igreja ao mundo.

-Assim, podemos dizer que a Igreja começa efetivamente no dia de Pentecostes, visto que a Igreja nada mais é que “…a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pe.2:9) e isto só se deu a partir do dia de Pentecostes.

OBS: O fato de o início da atividade da Igreja ter se dado no dia de Pentecostes, não quer dizer que ela tenha sido inaugurada neste dia, como bem atesta o pastor Osmar José da Silva, cujo pensamento ora transcrevemos: ““…A Igreja de Jesus Cristo é composta de bilhões vezes bilhões de almas, uma multidão que homem algum jamais poderá calcular.

Com certeza, a Igreja será inaugurada quando todos os remidos, de todos os tempos, juntamente com os santos que morreram desde o princípio da geração, e foram evangelizados por Cristo após a ressurreição, estiverem reunidos em número incalculável, liderados pelo Senhor Jesus Cristo, que irá adiante da grande multidão e nos apresentará ao Pai, dizendo: Hebreus 2.12:’…Eis-Me aqui, e aos filhos que Deus Me deu.’

Então haverá festa nos céus, todas as hostes celestiais se alegrarão juntamente com todos os seus servos.…” (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, p.110).

II – O PAI E A IGREJA

-Sendo uma instituição criada por Deus, a Igreja, evidentemente, é fruto de uma ação do único e verdadeiro Deus, eternamente subsistente em três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

-Como já tivemos ocasião de observar, a Igreja é um projeto divino concebido antes mesmo da fundação do
mundo, o “mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens…” (Ef.3:4).

-Vemos aqui já uma similaridade entre a Igreja e a Santíssima Trindade, que o título da primeira lição deste
trimestre já identifica como “mistério”.

-“Mistério” é a palavra grega “mysterion” (μυστήριον), “…um derivado de μύω (myo, fechar a boca); um segredo ou “mistério” (com ideia de silêncio imposto pela iniciação a ritos religiosos):— mistério. Substantivo de mystes (s.f.) pessoa iniciada em mistérios sagrados, palavra que se origina de myeo, iniciar-se, aprender um segredo. Um mistério, i.e., alguma coisa em segredo.

Um mistério, i.e., alguma coisa em que uma pessoa deve ser iniciada ou instruída, antes de poder conhecê-lo; algo que, por si só, não é óbvio, e está acima da percepção humana. Em o Novo Testamento, palavra usada a respeito de fatos, doutrinas, princípios etc., não revelados previamente…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 3466, p.2307).

-A igreja, portanto, foi algo planejado desde a eternidade passada e que não foi revelado previamente até a já
mencionada “declaração de Cesareia”.

-Neste episódio, quando, em Cesareia de Filipe, é revelado o mistério da Igreja, descobrimos qual Pessoa Divina foi a que planejou a Igreja e que a manteve como mistério: o Pai.

-Sabemos que o papel preponderante do Pai, na Santíssima Trindade, é o do planejamento, a chamada “doutrina da monarquia do Pai”, segundo a qual o Pai é a fonte única da divindade, ou seja, o “princípio originador”, “o princípio sem princípio”, Aquele de quem procedem as duas outras Pessoas, numa ordem econômica ou funcional, não ontológica ou de essência.

-A Igreja, assim, não poderia ter origem funcional senão no Pai e isto é claramente revelado na “declaração de Cesareia”, pois é o Pai quem revela a Pedro que o Cristo é o Filho do Deus Vivo (Mt.16:16,17) e, a partir desta revelação, é que o Filho, assim já declarado, desfaz o mistério, revelando a Igreja (Mt.16:18) e, bem por isso, o apóstolo Paulo chama a Igreja de “mistério de Cristo”.

-A Igreja foi planejada pelo Pai e é o Pai quem envia o Filho, sobre O qual se edificará a Igreja, que é dirigida pelo Filho, Igreja que é mantida sobre a face da Terra pela ação do Espírito Santo.

-Ao planejar a redenção, o Pai previu que o Filho haveria de satisfazer a justiça divina, entregando Sua vida pelos homens (I Pe.1:2,17-20).

-Satisfeita a justiça de Deus, todos quantos cressem em Jesus como Senhor e Salvador, teriam seus pecados perdoados e, passando a ter comunhão com Deus, d’Ele podendo se aproximar (Ef.2:11-16; 3:5,6) seriam inseridos, pelo Espírito Santo, num povo (I Co.12:13), que testificaria o amor de Deus pela humanidade sobre a face da Terra e anunciaria a salvação (At.1:8; 17:30; Mc.16:15; Mt.28:19,20).

-Neste planejamento, pois, o Pai manda ao mundo o Filho (Jo.3:16), que é, a um só tempo, o fundamento e a cabeça da Igreja (I Co.3:11; I Pe.2:4; Ef.1:22; 5:23), como também envia o Espírito Santo, a pedido do Filho, para ficar como o Consolador e o Ensinador da Igreja (Jo.14:16,26; 15:26).

-A Igreja é, pois, um projeto do Pai e, segundo este projeto, a Igreja está nos lugares celestiais em Cristo, abençoada com todas as bênçãos espirituais, sendo Seu propósito sermos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em amor, predestinados para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor e glória da Sua graça, pela qual nos fez agradáveis a Si no Amado” (Ef.1:3-6).

-É o Pai que nos põe “nos lugares celestiais em Cristo”. Uma vez crendo em Jesus, Aquele que o Pai escolheu para ser o Salvador da humanidade, o Seu Filho Unigênito (Jo.3:16; I Jo.4:14), nós passamos a ocupar os “lugares celestiais”, ou seja, pelo sangue de Jesus, passamos a ficar perto de Deus (Ef.2:13), a ter acesso ao santuário (Hb.10:19), que é a habitação de Deus (Ex.25:8).

-É o Pai quem abençoa com todas as bênçãos espirituais, até porque toda boa dádiva e todo dom perfeito vem d’Ele (Tg.1:17).

Tendo o Filho Se feito maldição por nós na cruz (Gl.3:13), agora o Pai nos abençoa, porque, ao nos pôr “nos lugares celestiais em Cristo”, permite que sejamos alcançados pelo Seu amor, que nos traz, por primeiro, Jesus, que faz benditas todas as famílias da Terra (Gn.12:3), pois, nos “lugares celestiais”, passamos a pertencer à “família de Deus” (Ef.2:19).

-Somos uma “família”, porque passamos a ser “irmãos” de Jesus Cristo (Rm.8:29; Hb.2:11), porquanto, ao crermos no Senhor Jesus, tornamo-nos “filhos de Deus” (Jo.1:12; I Jo.3:1) e, “ipso facto”, passamos a ter a Deus como Pai.

-A Igreja foi projetada pelo Pai para que passássemos a ser não mais simples criaturas de Deus, mas, também, Seus filhos por adoção em Jesus Cristo. A partir do momento que passamos a fazer parte da Igreja, o Pai não é apenas o Pai de Jesus Cristo, mas também o nosso Pai (Jo.20:27).

-Temos acesso a todas as bênçãos espirituais e, deste modo, podemos chegar à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, seguindo a verdade em amor, crescendo em tudo n’Aquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor (Ef.4:13,15,16).

-O Pai, com estas bênçãos espirituais, faz com que sejamos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em amor.

-O projeto do Pai é que alcancemos a santidade e irrepreensibilidade, que sejamos “templo santo no Senhor” (Ef.2:21), “morada de Deus no Espírito” (Ef.2:22). Afinal de contas, sabemos que há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem vivemos (I Co.8:6).

-Este é decreto de Deus para a humanidade: em Cristo, tornar-se santa e irrepreensível nos lugares celestiais, como filhos de Deus por adoção, produzindo o amor como fruto e, deste modo, agradando ao Pai em Cristo, pois, quando produzimos muito fruto, o Pai é glorificado (Jo.15:8).

-A exemplo dos crentes de Tessalônica, precisamos apresentar diante do Pai a obra da nossa fé, o trabalho do amor e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo (I Ts.1:3), ou seja, demonstrar que temos as

“virtudes teologais”, disposições habituais e firmes de fazer o bem imprimidas em nós por Deus e que visam
a Deus como seu objeto.

-Esta é a religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, que Tiago, o irmão do Senhor, pastor da igreja em Jerusalém, sintetizou como visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo (Tg.1:27).

-Jesus nos faz reis e sacerdotes para o Pai (Ap.1:6). Como reis e sacerdotes, devemos permanecer na palavra da verdade que ouvimos e na qual cremos (I Jo.2:24), para que, a exemplo dos reis fiéis de Judá, seja dito que fizemos o que era reto diante do Senhor (I Rs.14:8; 15:5,11; 22:42; II Rs.14:3; 15:3; 15:34; 18:320:3; 22:2; II Cr.20:32; 25:2; 26:4; 27:2; 29:2; 34:2), bem como que bem tenhamos distinguido o santo do profano e sejamos aprovados como sacerdotes (Lv.10:10; Ez.44:23).

-Esta apresentação diante de Deus, o Pai deve ser sempre crescente até a vinda de nosso Senhor Jesus para buscar a Sua Igreja (I Ts.3:12,13; I Jo.2:24), ocasião em que os nomes dos vencedores será confessado pelo Filho ao Pai (Ap.3:5) e se terá a vida eterna.

-Não se trata de predestinar este ou aquele indivíduo para a vida eterna, como equivocadamente entendem os seguidores da doutrina da predestinação incondicional, até porque o Pai não faz acepção de pessoas (I Pe.1:17), mas de dizer que todos quantos creiam em Jesus hão de pertencer a este povo que, já habitando agora “os lugares celestiais” espiritualmente, tendo acesso ao santuário, hão de habitar na cidade celestial, na casa do Pai (Jo.14:2,3), para todo o sempre (Ap.21:3), se se mantiverem, durante sua peregrinação terrena, santos e irrepreensíveis, agradáveis ao Pai (I Pe.1:17, pois quem Lhe agrada jamais é deixado só (Jo.8:29).

-Para ser predestinado à salvação, mister se faz que estejamos em Cristo, ouvindo a palavra da verdade, o
evangelho da nossa salvação e, tendo crido em Jesus, ser selado com o Espírito Santo, passando a ser “cristão”.

-“…Um cristão, etimologicamente falando, significa o que pertence a Cristo. Segundo, o que segue a Cristo e terceiro, o que serve a Cristo. Este é o significado do nome cristão…” (Pr. ELIAS SOARES OFICIAL. O nome cristão significa “pequenos cristos”? Youtube, 23 out. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sVPPUzKZbD4&t=202s. Acesso em: 11 nov. 2025 3min12s).

-Eis porque deve este povo, a Igreja, dirigir as suas petições ao Pai em nome de Jesus (Mt.6:9; Jo.16:23,24; Ef.3:14; 5:20), porque, tendo a Igreja tido sua origem funcional no Pai, a Ele deve a Igreja dirigir-se para que seja atendida.

-A Igreja tem de adorar o Pai em espírito e em verdade, pois a tais adoradores o Pai procura (Jo.4:23).

-A Igreja crê que Jesus é o Filho de Deus e, por isso, o Pai a ama (Jo.16:27).

-A Igreja cumpre o mandamento de amar uns aos outros (Jo.13:34; 15:12) e, deste modo, está disposta a dar a sua vida pelos irmãos (I Jo.3:16) e, por conseguinte, o Pai a ama (Jo.10:17).

-O Pai é o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação e, por isso, consola a Igreja em toda a sua tribulação (II Co.1:3), visto que, no mundo temos aflições e precisamos de bom ânimo para superá-las (Jo.16:33).

-O Pai, ao nos dar esta consolação, revela-nos todo o Seu amor e graça para conosco (II Ts.2:16).

-Do mesmo modo que o Pai, no momento da agonia de Cristo no Getsêmane, escalou um anjo para confortar o Filho (Lc.22:43), agora o próprio Pai vem nos confortar quando estamos a sofrer tribulações (II Co.1:4), dando-nos condição para, depois, também consolarmos irmãos nossos que também venham a padecer.

-Mas, como termos a consolação do Pai se não O buscarmos em oração? Eis a razão por que, em nossos dias, muitos estão a sucumbir nas suas tribulações, porque não estão a recorrer ao Pai. Na ansiedade, na depressão, nas lutas desta vida, clame ao Pai, o Deus de toda a consolação!

-Mas, para termos o aconchego do Pai, mister se faz que saiamos do pecado e do mundo, que realmente estejamos nos lugares celestiais em Cristo (II Co.6:17,18), até porque que ama o mundo o amor do Pai não está nele (I Jo.2:15). Temos feito isso?

-Para tanto, o Pai nos dá em Seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, iluminando os olhos do nosso entendimento para que saibamos qual seja a esperança da Sua vocação, quais as riquezas da Sua herança nos santos e qual a sobre-excelente grande de Seu poder sobre nós (Ef.1:17-19), como também corrobora com poder pelo Seu Espírito no homem interior para que Cristo habite pela fé em nosso coração (Ef.3:14-17).

-Para que tenhamos esta santidade e irrepreensibilidade diante do Pai, produzindo muito fruto para glória de Deus, o Pai e obtenhamos a necessária consolação durante nossa peregrinação terra, a Primeira Pessoa da Trindade fornece à Igreja os “dons assistenciais”, ou “dons de serviço” ou, ainda, “dons de assistência prática ao próximo”, verdadeiras graças capacitadoras para a vida cristã em comunidade (Rm.12:6-8).

II – O FILHO E A IGREJA

-Quem revelou o mistério da Igreja foi o Filho (Mt.16:18) e, bem por isso, o mistério da Igreja é chamada
de “mistério de Cristo” (Ef.3:4).

-O Filho é, a um só tempo, a cabeça da Igreja (Ef.1:22; 5:23); o fundamento da Igreja (Mt.16:18; I Co.3:11; Ef.2:20; I Pe.2:4,6,7); o Salvador da Igreja (Ef.5:23; I Tm.4:10) e o edificador da Igreja (Mt.16:13).

-A Igreja, ao ser revelada, já é mostrada como sendo a Igreja de Cristo, pois a Igreja é d”Ele (Mt.16:18).

-A Igreja é de Jesus porque Ele a comprou com o Seu precioso sangue vertido na cruz do Calvário (At.20:28; I Co.6:20; 7:23; I Tm.2:6; I Pe.2:18,19).

-Como já dito supra, ser “cristão” é “pertencer a Cristo, seguir a Cristo, servir a Cristo”.

-Somos, pois, propriedade de Cristo e, como tal, devemos segui-l’O e servi-l’O.

-Por isso, o Filho é o Senhor da Igreja e daí ser chamado de “cabeça da Igreja”. Quem dirige a Igreja é o
Senhor Jesus, e única e exclusivamente Ele, tanto que é dito que Ele é “a cabeça” da Igreja.

-Não tem, pois, qualquer fundamento, a doutrina do Papado, segundo a qual, o Papa, o Romano Pontífice, é
a “cabeça visível da Igreja”. A Igreja tem apenas uma cabeça, que é o Senhor Jesus.

-Como o Filho é a cabeça da Igreja, a Ele incumbe o seu governo, motivo pelo qual Ele dá a Igreja os dons ministeriais (Ef.4:11), os “homens-dons” postos para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo (Ef.4:12).

-Dentre os membros em particular da Igreja, portanto, há aqueles que são dados para a igreja para serem “ministros”, ou seja, servos, servidores, para promover a edificação da Igreja em amor, o aumento do corpo e o bom ajuste e ligação pelo auxílio de todas as juntas para que se alcance tanto um quanto outro (Ef.4:16).
-Trata-se de uma incumbência exclusiva do Filho, que, pelo Espírito Santo, comunica à Igreja quais são as Suas escolhas, daí porque dever a Igreja estar atenta aos ouvidos do Espírito Santo, que diz tudo que ouvir, recebe o que é de Cristo e o anuncia (Jo.16:13,14).

-Feliz é a igreja local que age como a igreja em Antioquia, que era sensível à voz e orientação do Espírito Santo, somente separando aqueles que fossem escolhidos pelo Senhor (At.13:2,3).

-Neste papel de direção, o Filho envia os Seus servos para darem continuidade à Sua obra salvífica, assim como o Pai o enviara (Jo.20:21).

-Assim como o Filho é o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão em relação ao Pai (Hb.3:1), nós somos também Seus apóstolos na Igreja, ou seja, somos enviados a pregar o Evangelho a toda criatura (Mc.16:15), a ensinar todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo e a ensinar a guardar todas as coisas que Cristo nos tem mandado (Mt.28:19,20); a pregar o arrependimento e a remissão dos pecados em nome de Jesus em todas as nações (Lc.24:47).

-Como somos servos, não podemos nos furtar desta ordem do Senhor, realizando a Sua obra. Neste aspecto, a Igreja é a continuadora da obra salvífica de Cristo e, como temos visto ao longo do trimestre, o Filho é preponderantemente o executor das ações divinas, o realizador do quanto planejado.

-Por isso a Igreja é chamada de “corpo de Cristo”, porque, assim como ao Filho foi preparado um corpo pelo Pai para que Ele fizesse o sacrifício perfeito e consumasse a salvação da humanidade (Hb.10:5), a tornasse realidade, incumbe à Igreja realizar a salvação já operada por Cristo entre judeus e gentios, mediante a pregação do Evangelho.

-O Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego (Rm.1:16), mas não há como haver tal salvação se não houver quem pregue (Rm.10:14) e esta pregação está nas mãos da Igreja, “o corpo de Cristo” (I Co.12:27).

-O Filho é o fundamento da Igreja. Ele é a pedra sobre o qual se levantou a Igreja. Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt.16:17), o único Salvador do mundo (Jo.4:42; I Jo.4:14; At.4:12), o único mediador entre Deus e os homens (I Tm.2:5).

-A Igreja, coluna e firmeza da verdade (I Tm.3:15), somente pode se guiar, portanto, pelas Escrituras, as testemunhas de Jesus (Jo.5:39), a verdade (Jo.17:17), porque Jesus é o caminho, a verdade e a vida (Jo.14:6).

-Por isso, não se pode admitir que “todas as religiões são boas”, que “todos os caminhos levam a Deus”, que é possível a salvação fora de Jesus Cristo, que existam outros mediadores ou pessoas que promovam a ligação entre Deus e os homens.

-A prova de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, o único e suficiente Senhor e Salvador é a ressurreição (At.3:24-26; Ef.2:15-23; I Co.15:1-3,17), o testemunho dado pelo Pai (Gl.1:1) e pelo Espírito Santo (Rm.8:11) de que o sacrifício de Jesus tirou o pecado do mundo (Jo.1:29).

-Crer que Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos é indispensável para a salvação (Rm.10:9), pois só assim reconheceremos a obra salvífica do Filho e o teremos como Senhor e Salvador.

-Daí porque o Filho ser o Salvador da Igreja. Somente passa a fazer parte da Igreja aquele que for salvo por Jesus e a salvação se dá mediante a fé em Jesus.

Quando a pessoa confessa ser um pecador, arrepende-se de seus pecados e crê que Jesus é o Salvador, alcança o perdão de seus pecados, que são removidos, é justificado, nasce de novo, converte-se, é santificado, adotado como Filho de Deus e passa a aguardar a glorificação, que se dará no dia do arrebatamento da Igreja, quando, então, viverá eternamente com o Senhor na cidade celestial.

-Quem crê em Jesus, é plantado pelo Pai (Mt.15:13) nos “lugares celestiais”, como já dissemos, porquanto o
arrependimento e remissão dos pecados é o reconhecimento de o Pai mandou o Filho para nos salvar, é uma

honra ao Pai (Jo.5:23) e é impossível honrar o Pai sem honrar o Filho (Jo.8:49;15:23), daí porque ninguém pode ir ao Filho se não for concedido pelo Pai (Jo.6:65).

-A Igreja é formada única e exclusivamente por aqueles que foram salvos por Jesus, comprados pelo Seu sangue na cruz do Calvário, tanto que, na cidade santa, somente entrarão aqueles que forem lavados e remidos no sangue do Cordeiro (I Co.6:11; Ap.22:14).

-Entre os que cristãos se dizem ser, existem aqueles que, infelizmente, não têm as suas vestes brancas lavadas no sangue de Jesus (Mt.22:10-12; Ap.3:4), como aquela mistura de gente que, não tendo sido protegidos pelo sangue do cordeiro pascal (Ex.12:12,13), mesmo assim acompanharam os israelitas quando estes saíram do Egito (Ex.12:38).

-O fim destes será igual ao daquela mistura de gente: perecerão no deserto, ou seja, não chegarão aos céus. Nenhum daquela mistura de gente entrou em Canaã, não tendo nem sequer contados como integrante do povo, seja na primeira contagem (Nm.1), seja na segunda (Nm.26:63-65), já que, muito provavelmente, foram dizimados antes mesmo da primeira contagem, como se pode ver nos episódios do bezerro de ouro (Ex.32:28), de Taberá (o lugar do incêndio – Nm.11:1-4) e de Quibrote-Hataavá (os sepulcros da concupiscência – Nm.11:33,34).

-Quem não estiver ligado à videira verdadeira, que é o Filho (Jo.15:1), não dando fruto, pois, é tirado pelo Pai (Jo.15:2), que é o lavrador (Jo.15:1), lançado fora, secará, será colhido, lançado no fogo e arderá para todo o sempre (Jo.15:6).

-O Filho é o edificador da Igreja. Ele é o fundamento, a pedra principal da esquina (Ef.3:20; I Pe.2:6), mas, já na revelação da Igreja, disse que Ele seria o seu edificador (Mt.16:18).

-Ele é a pedra, a rocha, nós somos pedras vivas, pedregulhos (I Pe.2:5), assim como era o próprio Pedro, sendo este o significado do nome que foi dado pelo próprio Cristo a ele (Mt.10:2; Mc.3:16; Lc.6:14; Jo.1:42).

-A partir d’Ele próprio, o Filho promove a edificação da Igreja, o “edifício de Deus” (I Co.3:9).

-Este edifício é construído pelo Filho, que vai pondo as “pedras vivas” nos devidos lugares, como sábio construtor, pois Ele não é apenas a pessoa mais sábia que já pisou nesta Terra (Mt.12:42; Lc.11:31), como também é a própria Sabedoria (Lc.11:49; I Co.1:30).

-Não só a Igreja se apresenta como “casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (I Tm.3:15), como também como “os setes castiçais de ouro” (Ap.1:12,20), como também cada membro em particular é também um construtor, que não só deve edificar sua vida espiritual sobre Cristo (I Co.3:12,13), mas também permitir que Cristo nos edifique, pois cada um de nós é também uma casa (Hb.3:4-6).

-É bem por isso que, como o Filho é o edificador da Igreja, devemos segui-l’O (Mt.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23) e isto significa que devemos nos colocar no lugar, posição e desempenhar a tarefa por Ele determinados no “edifício de Deus”, para que sejamos verdadeiras “pedras vivas”, com condições de nos constituirmos casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecermos sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

-Somente se estivermos no posto designado pelo edificador, poderemos contribuir para a sustentação da Igreja, podendo fazer que, em realizando a tarefa a nos atribuída corretamente, fazer com que a glória de Deus se manifeste, como ocorria no templo quando todos executavam exatamente o que tinha sido determinado pelo Senhor, como vemos tanto na inauguração do tabernáculo, quanto do Primeiro Templo.

-Se, entretanto, nos comportarmos de modo rebelde e insubmisso ao Senhor, teremos o mesmo fim do tabernáculo em Siló (Sl.78:56-64) ou dos dois templos judaicos (Jr.39 e Mt.24:1,2), ou seja, a destruição pura e simples.

-Mas também seguir a Cristo é seguir o Seu exemplo (I Pe.2:21), de modo que cada um de nós deve edificar a sua própria casa espiritual assim como Cristo a edificou enquanto homem sobre a fase da Terra. Cristo é o nosso exemplo, devemos seguir as Suas pisadas, a Ele devemos olhar como autor e consumador da nossa fé (Hb.12:2), devemos andar como Ele andou (I Jo.2:6), pois só assim chegaremos aonde Ele chegou (Ap.3:21).

-O Filho, por fim, é o noivo da Igreja, o seu futuro marido e, como tal, foi preparar uma morada para onde levará a noiva para, nesta morada, celebrar as bodas e, então, com ela coabitar plenamente para todo o sempre, já que, como vive para sempre, também fará com que Sua noiva viva para sempre e a morte nunca poderá pôr fim ao laço conjugal que se criará.

-Bem por isso, o Filho haverá de vir buscar a Sua Igreja, como faziam os noivos nos dias de Jesus segundo os costumes do casamento judaico, como nos mostra a parábola das virgens. Ele mesmo disse que iria levar a Igreja para a casa do Pai (Jo.14:1-3).,

-Nota-se, pois, que, na Igreja, o Filho é o realizador, o executor da Igreja, Aquele que a funda, salva, edifica, dirige e está a preparar o lar conjugal onde sempre coabitará com ela.

IV – O ESPÍRITO SANTO E A IGREJA

-Resta-nos, pois, ver qual o papel do Espírito Santo em relação à Igreja.

-O Espírito Santo, no seu papel de controlador, avaliador e checador, aplica a salvação planejada pelo Pai e executada pelo Filho à humanidade.

-Assim que o Senhor Jesus ressuscitou e Se apresentou aos discípulos, na tarde do domingo da ressurreição, já tratou de soprar sobre eles para que eles recebessem o Espírito Santo (Jo.20:22), o “sopro da vida” pela qual a Igreja passa a existir, ainda que como “célula-ovo”, “embrião” e “feto”.

-Na Sua tarefa de edificação da Igreja, o Filho faz surgir o “princípio vital”, o “Espírito de vida” (Rm.8:2) pelo qual a Sua futura esposa, tal qual Eva, tirada do Seu lado no Calvário, com o derramamento das últimas gotas de Seu sangue (Jo.19:34), poderia se desenvolver e ter condições de nascer, vindo à luz neste mundo tenebroso, para ser a luz do mundo e o sal da terra.

-Quem vivifica é o Espírito Santo (Jo.6:68; II Co.3:16; I Pe.3:18) e, a partir de então, começa como que uma
“gestação” da Igreja, que vem a nascer no dia de Pentecostes.

-Entretanto, este nascimento não se poderia dar senão pela ação do Espírito Santo. Para que a Igreja pudesse cumprir o seu papel planejado pelo Pai, dando continuidade à obra realizada pelo Filho, mister se fazia que Deus estivesse com a Igreja, que fosse “Deus conosco” e, como o Pai não pode ser enviado, pois é O que envia e o Filho, que havia sido enviado, havia concluído Sua obra na face da Terra, tinha a Pessoa Divina que sobrara de vir a este mundo, procedendo do Pai e do Filho, para ser o Consolador, o Paráclito, Aquele que ficaria ao lado da Igreja até o dia em que o Filho a viesse buscar para com ela coabitar para sempre.

-O Espírito Santo, pois, é este outro Consolador, Aquele que viria ao mundo para ficar ao lado da Igreja, até que Jesus voltasse para buscá-la.

-No seu papel de Consolador, o Espírito Santo ficaria ao lado da Igreja, é “Deus conosco”. Assim, como sempre agiu conjuntamente com o Filho em tarefas como a criação e a salvação, agora, também, haveria de atuar com o Filho junto a Igreja.

-Se o Filho salva, funda, edifica, dirige e prepara a morada eterna da Igreja, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ficar com os discípulos e habitar no interior deles (Jo.14:16,17).

-Na tarde do domingo da ressurreição, veio habitar no interior de cada discípulo (Jo.20:22) e assim ocorre toda vez que alguém crê em Jesus como Senhor e Salvador (Jo.7:38,39; Rm.8:9,11; I Co.3:16).

-Ao habitar no interior de cada salvo, o Espírito Santo derrama no coração deste membro em particular da Igreja o amor de Deus (Rm.5:5), amor que, em mantida a comunhão do salvo com Cristo, fará com que haja o desenvolvimento do salvo, que passa a produzir o fruto do Espírito, que é o amor desdobrado em nove qualidades (amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, fé e temperança – Gl.5:22), estabelecendo uma conduta que manifestará a condição de discípulo de Cristo para as demais pessoas (Mt.7:20).

-O Espírito Santo, além de habitar no salvo e lhe trazer o amor de Deus, também será o companheiro da Igreja, orando com ela, com gemidos inexprimíveis, intercedendo aqui na Terra por ela (Rm.8:26).

-Esta Sua atuação corrige as falhas das orações dos santos, num verdadeiro papel de controlador, avaliador e checador, permitindo que as orações sejam revestidas da perfeição que lhes permite chegar até os céus (Ap.5:8; 8:4), pois lá nada imperfeito pode entrar.

-Mas, além de Consolador, o Espírito Santo também é o Ensinador, pois foi enviado para nos ensinar todas as coisas e nos fazer lembrar de tudo quanto Jesus disse (Jo.14:26).

-O ensino do Espírito Santo não é um ensino de Si mesmo, mas, sim, uma recapitulação, uma rememoração de tudo quanto o Senhor Jesus nos ensinou. O Filho mesmo, embora tivesse trazido revelações que completaram a revelação divina ao homem, nunca disse ter trazido novidades, pois dizia que a Sua doutrina era a doutrina do Pai (Jo.7:16).

-O Espírito Santo não trouxe qualquer inovação e Seu papel é de “rememorar” o que foi ensinado pelo Filho. Daí porque ser o Espírito comumente chamado de “Preceptor”, uma pessoa que orienta, supervisiona e acompanha o aprendizado ou o desenvolvimento de alguém, cuja ênfase não está em trazer “coisas novas”, mas, sim, em fazer o acompanhamento do aprendizado.

-Não se pode, pois, como dizem os romanistas, admitir que o Espírito Santo tenha trazido doutrinas e ensinamentos que o Senhor Jesus não ensinou, como se costuma alegar para justificar a existência de sete sacramentos quando Cristo deixou apenas duas ordenanças.

-O Espírito Santo faz com que nos lembremos daquilo que Jesus ensinou, o que, de pronto, exige que nós tomemos a iniciativa de aprender o que Jesus ensinou, pois é o próprio Cristo quem diz que devemos aprender d’Ele que é manso e humilde de coração (Mt.11:29).

-Este desejo de aprendizado, aliás, é motivado pelo próprio Espírito Santo, que nos convence da justiça (Jo.16:10), ou seja, convence-nos que Jesus é justo, mesmo não tendo acompanhado a Sua peregrinação terrena e, deste modo, temos interesse em estudar as Escrituras, testemunhas de Cristo (Jop.5:39), para andar como Ele andou (I Jo.2:6).

-Esta tarefa de convencimento dos pecadores do pecado, da justiça e do juízo é, também, outra ação do Espírito Santo, prova de que Seu derramamento não visou apenas a Igreja, mas estar ao lado da Igreja na Sua missão de pregação do Evangelho.

-O Espírito Santo está junto com a Igreja na pregação do Evangelho, não só fazendo lembrar o pregador da Palavra, mas, tendo conhecimento da situação dos ouvintes, trazer mensagens proféticas e aplicáveis às circunstâncias existentes de modo a que as pessoas creiam em Jesus e alcancem a salvação.

-O Espírito diz o que tem ouvido e anuncia o que há de vir, sempre no interesse da salvação das almas e da glorificação do Filho, glorificação que se manifesta também na medida em que o Espírito Santo zela para que o ensino de Jesus seja divulgado e aplicado.

-O Espírito Santo, como controlador, avaliador e checador, tudo faz para que haja a implementação da qualidade total na Igreja e, para isso, promove a santificação da Igreja, que é o crescimento espiritual, o desenvolvimento de cada salvo para que fique conforme à imagem de Cristo (Rm.8:29), para que sejamos espelhos da glória do Senhor (II Co.3:18).

-Daí porque se diz que o papel preponderante do Espírito Santo é a santificação das almas, como afirma, por exemplo, o Catecismo Maior de Pio X: “136) Que obra é atribuída especialmente ao Espírito Santo? Ao Espírito Santo atribui-se especialmente a santificação das almas.”

-O primeiro meio de santificação é a Palavra de Deus (Jo.17:17) e o Espírito Santo, tendo sido Aquele que inspirou os escritores da Bíblia Sagrada (II Pe.1:20,21), é Aquela Pessoa Divina que nos faz entender a Palavra de Deus, quando nela meditamos, pois, como diz o pastor Antônio Gilberto (1927-2018), é o autor do Divino Livro.

-O segundo meio de santificação é a oração (I Tm.4:5) e, como já vimos, o Espírito Santo é nosso companheiro na oração e está tão interessado em que oremos que faz com que oremos no Espírito Santo (Ef.6:18; Jd.20), ou seja, oremos em línguas, a fim de que tenhamos um contato direto de nosso espírito com Ele, o que promove a nossa edificação espiritual (I Co.14:2,4).

-O terceiro meio de santificação é o temor de Deus (II Co.7:1) e quem nos concede temor de Deus é o próprio Espírito Santo, pois é uma das suas facetas (Is.11:2), pois o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Sl.111:10; Pv.9:10), da ciência (Pv.1:7), é aborrecer o mal (Pv.8:13a), uma fonte de vida para preservar dos laços da morte (Pv.14:27), ou seja, algo próprio de quem é o Vivificador.

-O Espírito Santo, neste Seu papel de implementação da qualidade total, traz o indispensável revestimento de poder para que a Igreja possa, a contento, pregar o Evangelho (At.1:8; 2:4).

-Assim como o Filho, para exercer o Seu ministério público, teve de ser cheio do Espírito Santo (Lc.4:1; At.10:38), ainda mais os Seus discípulos que, ao contrário do Mestre, eram pecadores e falhos necessitam ser revestidos de poder.

-Daí porque o Senhor Jesus tenha determinado que os discípulos não iniciassem a evangelização antes de serem batizados com o Espírito Santo (At.1:5; Lc.24:49), o que ocorreu no dia de Pentecostes (At.2:4).

-Tal necessidade perdura até hoje, pois o tempo da Igreja somente cessará quando o Senhor vier buscar a Sua Igreja, o que tanto ela quanto o Espírito anseiam (Ap.22:17).

-Nesta busca da qualidade total, o Espírito Santo também distribui dons espirituais para a Igreja, repartindo particularmente como quer (I Co.7-11).

-Os dons espirituais são igualmente necessários para que haja eficácia na pregação do Evangelho e para que se permita o crescimento da Igreja, tanto que devem ser buscados com zelo (I Co.14:1).

-O Evangelho tem de ser pregado com demonstração de poder e do Espírito (I Co.2:4; I Ts.1:5). A Palavra tem de ser confirmada por sinais e maravilhas (Mc.16:20), tem de ter o testemunho divino com sinais, milagres e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuído por Sua vontade, pois só assim se poderá mostrar aos homens que não é possível escapar se não atentarmos para tão grande salvação (Hb.2:2-4).

-O Espírito Santo também nos guia em toda a verdade (Jo.16:13), ou seja, dá-nos a orientação e direção para andarmos na verdade, seguirmos no caminho apertado que leva à vida (Mt.7:14).

-Só os filhos de Deus são guiados pelo Espírito Santo (Rm.8:14), pois Ele é o espírito de adoção de filhos, que nos testifica a nossa filiação divina e nos faz ter certeza da salvação e da comunhão com o Senhor (Rm.8:15,16; Gl.4:6).

-Quando seguimos a direção e orientação do Espírito Santo, não andamos segundo a carne, mantemos a carne crucificada com Cristo e prosseguimos nossa marcha para os céus (Rm.8:1,2; Gl.5:16-18), ceifando a vida eterna (Gl.6:8).

-Daí porque o Espírito Santo ser chamado de “penhor da nossa herança” (Ef.1:14), pois é a garantia da nossa salvação (II Co.5:5), pois Seu testemunho em nosso interior permite-nos chamar o Pai de Pai (Rm.8:16) e o Filho de nosso irmão (Rm.8:29).

-A presença sentida do Espírito Santo em nós é o “selo do Espírito” (Ef.1:13), faz-nos ter a convicção de que somos propriedade de Deus (Rm.8:9; I Co.1:30; II Co.1:22).

– O Espírito Santo sempre está a renovar os membros em particular da Igreja (Tt.3:5), impedindo que haja estagnação. O Espírito são “rios de água viva que correm do interior” (Jo.7:38,39), portanto não podemos permitir que nos tornemos “cisternas rotas que não retêm as águas”, como fizeram os judaítas dos dias de Jeremias (Jr.2:13).

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Glória a Deus!!!!!!!