INTRODUÇÃO
-Na continuidade do estudo sobre o legado dos patriarcas, estudaremos o hoje o início da jornada de fé de Abrão.
-A fé de Abrão teve contínuo desenvolvimento.
I – A DESCIDA DE ABRÃO AO EGITO
-Na lição passada, deixamos Abrão num estágio de plena comunhão com Deus. Após ter seguido para Canaã, de ter visto uma terra habitada por pessoas más (Gn.15:16), Deus lhe aparece e promete dar aquela terra à semente de Abrão.
-Apesar de todas as circunstâncias contrárias, Abrão crê na palavra do Senhor, adora-O e, depois, parte para Betel (que não tinha ainda este nome, como vimos) e ali invoca o nome do Senhor.
-Era um homem que estava em plena comunhão com o Senhor, que crescia espiritualmente, pois, como diz Matthew Henry, grande comentarista bíblico, Deus estava Se revelando a Abrão gradativamente.
-Entretanto, quando havia esta comunhão e esta crescente intimidade entre Abrão e Deus, surge um sério problema na vida do patriarca: a fome.
-Dizem as Escrituras, em Gn.12:10, que havia fome naquela terra. Desta fome, Abrão não foi poupado e, assim, surge, na vida do patriarca próspero e com grande patrimônio, um problema inesperado.
Estava em terra estranha, habitada por gente que não era boa, sem residência fixa, com uma promessa de que aquela terra seria dada à sua semente, sendo que nem um filho sequer Abrão tinha e, agora, vê-se ameaçado o seu patrimônio.
-O fato de Deus não ter impedido que Abrão sofresse as consequências da fome sobre a terra de Canaã é mais um episódio que desmente os teólogos da prosperidade, que, desde os tempos do patriarca Jó, propalam que o servo de Deus jamais pode passar por dificuldades econômico-financeiras.
-Deus é o dono de todo o ouro e de toda a prata, não há dúvida alguma sobre isto, mas está muito mais interessado em que aprendamos a depender d’Ele inteiramente, a termos comunhão com Ele do que venhamos a ter riquezas e abundância de bens nesta vida, correndo, inclusive, o risco de nos apegarmos a estas coisas e, por conta disto, a exemplo do mancebo de qualidade (Mt.19:16-22), virmos a perder a nossa salvação.
Para que Abrão pudesse continuar crescendo espiritualmente, necessário se fazia que viesse a lição da dependência também nos assuntos materiais.
-Lamentavelmente, entretanto, Abrão não aprendera, ainda, esta lição. Sobrevindo a dificuldade econômico- financeira, não invocou a Deus, como fizera em Betel, nem esperou que o Senhor lhe aparecesse, como fizera em Siquém, mas decidiu “descer para o Egito”, então o país mais promissor do mundo, que começava a se apresentar como nova potência mundial, onde a abundante água do rio Nilo, o maior rio do mundo, não permitia que houvesse dificuldades econômico-financeiras.
-Era uma decisão acertadíssima do ponto-de-vista humano, uma grande demonstração de sabedoria e inteligência humanas, mas um verdadeiro desastre sob o aspecto espiritual. Com efeito, Deus não participou desta decisão, Abrão decidiu ir para uma terra que não era a mostrada nem a prometida por Deus e, ainda mais, sem consultar ao seu Senhor.
-“Descer ao Egito” passou a ser, por causa disto, uma expressão metafórica para toda decisão humana sem a orientação e a direção divinas. Passou a significar uma atitude de comprometimento com os valores humanos, com os princípios deste mundo, sem qualquer preocupação com a vontade divina.
-Infelizmente, muitos são os crentes que estavam caminhando muito bem com o Senhor e, por uma dificuldade ou outra, acabam resolvendo “descer ao Egito”.
Não nos iludamos com a abundância material, com o caráter promissor ou com a hospitalidade e boa aparência do Egito: o Egito é o mundo e nele não há o essencial, o fundamental para a vida de qualquer crente, a saber, a presença, a direção e a aprovação de Deus. O mundo está no maligno (I Jo.5:19) e do que é impuro nada virá de bom (Jó 14:4).
-Uma vista rápida e irrefletida sobre o texto mostra que Abrão se comportara como qualquer pai de família responsável. O texto afirma que ele fora ao Egito apenas para peregrinar, porque a fome era muito grande na terra (Gn.12:10).
-Entretanto, Abrão havia feito uma importante decisão em sua vida: a de seguir a Deus e a Sua orientação. Não poderia, pois, mais fazer o que quisesse de sua vida, sob qualquer argumento ou pretexto. Mesmo para peregrinar no Egito, deveria ter a ordem do Senhor, mas tudo fez por sua conta e risco.
-Vejamos que Deus não impediu Abrão de descer ao Egito, como também não evitou que as consequências deste gesto tresloucado se fizessem sentir na vida do patriarca.
Do mesmo modo, Deus respeita o livre-arbítrio de Seus servos, avisa-os, aparece-lhes, atende-os quando invocado, mantém-se pronto a ajudá-los e protegê-los, mas deixa que cada um siga o caminho que bem entender, respondendo, naturalmente, pelo que vier a fazer.
-Seguir a nossa decisão, escolhermos o que fazer sem a direção nem a orientação de Deus é algo que nos deixa em péssima condição diante de Deus e dos homens.
Temos esta experiência e podemos afirmar que as vezes em que tomamos decisões por nossa conta e risco pagamos preço muito caro, que só não nos trouxe a completa destruição porque Deus é misericordioso e Seu amor tem impedido que venhamos a ser aniquilados por causa de nossa rebeldia e desobediência.
-Nunca desçamos ao Egito. Nunca deixemos de pedir a orientação divina para as decisões de nossas vidas, não somente as decisões fundamentais e que marcam para sempre nossa história, mas as decisões que parecem extremamente singelas e até corriqueiras. Deus deseja participar de toda a nossa vida e nada devemos subtrair ao senhorio de Cristo.
-Tomemos, porém, cuidado com a busca da orientação divina. Deus apareceu a Abrão e Lhe revelou a Sua vontade. Assim também, como Cristo vive em nós, devemos ter conhecimento da voz de nosso Senhor.
-Não há qualquer necessidade de crentes irem correndo atrás deste ou daquele servo para conseguir uma palavra de Deus. O irmão está em comunhão com Deus? Conhece Jesus? Então, com certeza, conhece a Sua voz (Jo.10:14,27) e, deste modo, sem precisar ir de um lado para outro, como se fosse ovelha desgarrada sem
pastor, receberá a divina orientação no tempo, hora e lugar oportunos.
-A fé deve ser comprovada por atitudes e Abrão havia demonstrado ter fé ao partir para a terra que ainda lhe seria mostrada e de ter iniciado a sua peregrinação por Canaã, mas a fé é fortalecida e firmada quando, diante das provas, das adversidades, prosseguimos crendo e confiando no que Deus disse e não no que passamos a ver à nossa volta, às circunstâncias.
-Entretanto, diante da primeira dificuldade, que foi a fome, Abrão sucumbe, prova de que sua fé precisa ainda muito se desenvolver. Não é diferente a nossa trajetória.
Tendo crido em Jesus e dando entrada à graça por esta fé, necessitamos também nos desenvolver, a partir da firmeza, até chegarmos à maturidade espiritual, o que se dará mediante uma jornada que se inicia pela tribulação (Rm.5:1-5).
O caminho até a plenitude do amor divino em nós exige que nossa fé seja sempre acrescida, não basta apenas que nos separemos do mundo (II Pe.1:1-8).
-Fora da direção divina, deixando de andar por fé para andar por vista, Abrão começa sua jornada para o Egito, que seria um grande fracasso espiritual.
-Quando estamos em dissonância com a vontade divina, nossos passos somente nos conduzirão para o abismo, pois, como afirma a Palavra, um abismo chama outro abismo (Sl.42:7).
-É o que veremos neste período de Abrão, em que, ausentes o altar e a tenda, estarão presentes os pecados e as dificuldades decorrentes de sua prática.
-Logo ao chegar ao Egito, Abrão concerta-se com sua mulher Sarai para que contassem uma “meia- verdade”, ou seja, que Sarai se identificasse para a sociedade egípcia como irmã de Abrão, sem, entretanto, contar que também era sua mulher.
-Vemos aqui que, longe da direção de Deus, logo o homem passa a praticar a mentira, porquanto a “meia-verdade” nada mais é que uma mentira inteira.
Ao dizer que Sarai era sua irmã, Abrão não estava mentindo, mas sua intenção era a de enganar os egípcios, fazendo-os crer que Sarai não tinha marido. Este é o intuito da chamada “meia-verdade”, é contar algo verídico, mas com a intenção de engano e de engodo, o que caracteriza a mentira inteira.
-A mentira é abominável aos olhos do Senhor. Não podemos praticar nem amar a mentira. O pai da mentira é o diabo (Jo.8:44) e o diabo nada tem em comum com o Senhor Jesus (Jo.14:30)e, portanto, quando passamos a mentir separamo-nos totalmente de Cristo, passamos a fazer parte integrante do mundo.
-Nos dias atuais, o adversário tenta mascarar a mentira, trazendo conceitos como “meia-verdade”, “mentira profissional”, “omissão”, “mentira comercial”, “força de expressão” ou outros que, no entanto, devem estar ausentes da vida do sincero servo de Deus.
-Os mentirosos não herdarão o reino de Deus (Ap.21:8; 22:15). Seja nosso dizer “sim, sim; não, não”, pois o
que passa disso, disse Jesus, é de procedência maligna (Mt.5:37, Tg.2:12; 5:12).
-É interessante verificar que, assim que Abrão chegou ao Egito, já arquitetou esta mentira com sua mulher. A mentira é a primeira anfitriã que surge no mundo sem Deus e cheio de pecado. Nem poderia ser diferente, pois não há comunhão entre a luz e as trevas e, quando estamos na luz, desfrutamos da Verdade, que é o próprio Cristo (Jo.14:6).
-A mentira traz, como consequência, a hipocrisia, o engano, a duplicidade. O servo de Deus aborrece a duplicidade e, por isso, ama a lei do Senhor (Sl.119:113).
-O verdadeiro servo do Senhor é sincero, ou seja, “sem cera”, sem aparência enganosa, sem engodo, sem uma
vida dupla, em que a aparência não corresponde à essência.
-O mais vigoroso discurso de Jesus foi contra a hipocrisia religiosa (Mt.23) e o Nosso Senhor é o mesmo. Aos crentes aparentes e hipócritas, está reservado duro juízo por parte do Deus que tudo vê e tudo observa (Mt.7:21-23).
-Podemos enganar muitos por pouco tempo; poucos, por muito tempo, mas jamais conseguiremos enganar a Deus, com quem teremos de tratar (Hb.4:13). Na igreja, em especial, a mentira trará a morte e aos olhos de todos (At.5:1-11).
-Abrão, fora da direção de Deus, resolveu mentir para que fosse bem-sucedido na sua vida no Egito. Intentava, com a mentira, evitar que fosse morto por causa de eventual cobiça que se tivesse sobre sua mulher Sarai.
-Entretanto, tão esperto estratagema foi inócuo, pois, em razão da formosura de Sarai, aconteceu exatamente o que Abrão temia: Sarai foi levada para a casa de Faraó. Assim é todo crente que, para ter vantagem, prefere pecar a confiar a Deus.
Nunca nos devemos esquecer de que, embora tenhamos de fazer a nossa parte, é de Deus que vem nossa proteção e toda a sorte de bênçãos. Se O deixamos, nada poderemos fazer (Jo.15:5). Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigiará a sentinela (Sl.127:1b).
-Como já dissemos tanto nesta lição quanto na passada, a vida de Abrão mostra-nos que a prosperidade material nem sempre corresponde a um nível espiritual agradável a Deus.
-Diz a Bíblia que Faraó concedeu a Abrão muitos bens por causa de Sarai. A mentira trazia aparentes vantagens para Abrão, pois, por força da tomada de Sarai para a casa de Faraó, seu patrimônio foi aumentado e Abrão alcançou posição social de proeminência no Egito.
-Entretanto, nada disso representava coisa alguma agradável a Deus. Devemos sempre nos policiar, pois, muitas vezes, as vantagens materiais advindas de uma conduta errônea perante Deus nada significam em termos de aprovação divina, mas, muitas vezes, como foi no caso de Abrão, não passam de ciladas e artimanhas do adversário.
-Abrão teve aumentado seu patrimônio, mas não tinha comunhão com Deus, nem altar nem tenda estavam presentes. Muito pelo contrário, Abrão começava a fincar perigosas raízes numa terra que não era a da vontade de Deus.
-Pelo contrário, quando Faraó tomou Sarai e a levou para seu harém, havia posto em risco o próprio plano divino na vida do patriarca, porquanto se colocava em xeque a relação conjugal entre Abrão e Sarai, na medida em que, sendo tomada por mulher de Faraó, Sarai haveria de cometer adultério e perdida seria a necessária e indispensável pureza sexual que levaria ao inicio da formação do povo de Israel.
-As vantagens materiais dadas a Abrão por Faraó eram uma artimanha enorme para que se frustrasse o plano de Deus não só para o patriarca mas para toda a humanidade, pois o chamado de Abrão era, como dissera o Senhor, para que nele fossem benditas todas as famílias da Terra (Gn.12:3) e aqui estava em foco a semente de Abrão, a sua posteridade, que era a pessoa do Salvador Jesus Cristo (Gn.12:7; Gl.3:16).
-É sempre assim que age o inimigo de nossas almas: as suas “vantagens”, os seus “benefícios” têm sempre o mesmo preço: a nossa morte eterna. Daí o acerto da expressão popular que diz que aceitar fazer negócio com o adversário é “vender a alma para o diabo”.
-Não demorou muito, entretanto, para que Deus mostrasse Seu desagrado com aquela situação. Logo Deus feriu a Faraó com grandes pragas.
-O servo de Deus que fora chamado para ser uma bênção (Gn.12:2), agora era a causa de males e sofrimentos
para os que estavam a seu redor.
-Este é mais um vigoroso alerta da Palavra de Deus para os que se decidiram servir a Deus: Deus tem um plano em sua vida, irmão(ã), de ser uma bênção. Todavia, se houver resistência, se houver relutância, Deus, que respeita o livre-arbítrio do homem, não impedirá que haja esta recusa, mas, inevitavelmente, o(a) irmão(ã) passará a ser causa de males, sofrimentos e de pragas para os que estiverem ao seu redor.
-A Bíblia não nos informa como Faraó descobriu que a causa de todo aquele sofrimento era Abrão, mas o fato é que Deus, que estava no controle de tudo, permitiu que a verdade fosse descoberta.
-É importante aqui ressaltar que a revelação da verdade foi obra de Deus e que isto veio a lume por permissão divina, ainda que Faraó tenha chegado a tais conclusões, aparentemente, por obra dos seus magos e adivinhadores.
-Deus tem compromisso com Seus propósitos e com Sua Palavra e, para tanto, como é soberano, pode valer- se dos meios que bem entender. Sua Palavra diz, como já dissemos supra, que toda hipocrisia será revelada, pois nada ficará encoberto (Ec.12:14).
Assim, não nos surpreendamos quando houver revelações por meios estranhos ou até repugnantes (como por meio de magos, como deve ter ocorrido no Egito), pois devemos sempre ver nisto o zelo e o cuidado do Senhor, cuja soberania será somente realçada nestes episódios.
-Descoberta a mentira de Abrão, passou ele muita vergonha. Desmascarado publicamente, foi expulso do Egito, juntamente com sua mulher.
-O pecado jamais trará vantagem verdadeira e permanente para o homem. Só a bênção do Senhor enriquece e não acrescenta dores (Pv.10:22), enquanto os supostos benefícios trazidos pela vida pecaminosa, além de efêmeros, somente trazem problemas, dificuldades e derrotas.
-É por isso que o apóstolo Paulo afirma que a corrida às riquezas nunca tem um final agradável (I Tm.6:9,10). Abrão saiu, pela misericórdia divina, com um patrimônio grande, mas de forma vergonhosa, humilhante, sem qualquer autoridade moral, como um verdadeiro criminoso, tanto que foi escoltado até a fronteira pelos soldados de Faraó (Gn.12:20).
-Quão distante estava Abrão do propósito divino para a sua vida! Humilhado, escoltado, ainda que rico e cheio de bens e de servos e servas (entre os quais, muito provavelmente, encontrava-se Agar, que lhe seria, futuramente, mais um grande problema, problema, aliás, que perdura até hoje, como se pode ver no Oriente Médio).
-Como é triste para um servo de Deus sair da direção e orientação de seu Senhor. Querido(a) irmão(ã), faça um exame na sua vida e verifique se você se encontra em Canaã ou se já desceu ao Egito e lá está envolvido com a mentira, com a duplicidade, com a hipocrisia, com o engano, embora possa até estar desfrutando de uma prosperidade material. Ainda é tempo, deixe o Egito ainda hoje, fale a verdade (Zc.8:16; Tg.4:4,7-10) e seja mais do que vencedor (Rm.8:37).
-Esta passagem da vida de Abrão, portanto, traz-nos preciosos ensinamentos a respeito da necessidade de o servo de Deus sempre estar debaixo de divina orientação nas suas decisões e atitudes.
-O que devemos priorizar em nossas vidas é o agrado a Deus, é o cumprimento do propósito divino para nossas vidas. Não devemos nos guiar apenas por fatores humanos, como a prosperidade material ou a tranquilidade frente aos demais homens com o sacrifício de nossos compromissos com Deus.
-Abrão obteve prosperidade material no Egito, mas sua vida sem a direção de Deus trouxe-lhe prejuízos que, se não fosse a misericórdia de Deus, seriam irreparáveis.
-Não bastasse o mal causado a si próprio, a sua família e aos que estavam à sua volta, a vida de Abrão no Egito ainda impediu que o patriarca pudesse testificar de seu Deus para aquele povo.
-Com efeito, tendo saído envergonhado e humilhado do Egito, Abrão não teve condição alguma de dar testemunho deste Deus único Que lhe aparecera em Siquém.
-Este é o grande objetivo de nosso adversário ao querer nos desviar da direção divina: fazer com que percamos a autoridade moral e espiritual, que fiquemos sem condições de dar testemunho de Deus para os perdidos.
Sem condições de dar testemunho, calados, estaremos saindo do propósito de Deus para a igreja que é a pregação do Evangelho a toda criatura (Mc.16:15). É muito triste percebermos que fomos embaraçados pelo inimigo e que já não temos condição de sermos luz do mundo ou sal da terra. Assim estava Abrão no Egito.
-Tanto assim é que todo o tempo da dispensação patriarcal, quatrocentos e trinta anos (Ex.12:40), é contada como o tempo de “habitação no Egito”, o que tem gerado alguma confusão, pois muitos acham que foi o tempo em que Israel viveu no Egito depois de Jacó ter para lá se mudado, durante o tempo em que José era governador.
-No entanto, este tempo, na verdade, conta o período que vai desde a ida de Abrão ao Egito até a saída dos israelitas em direção ao monte Sinai (Gl.3:16,17), ou seja, o tempo que demorou para que o Egito conhecesse quem era Deus, o que não se pôde fazer precisamente em virtude deste mau testemunho de Abrão.
-Israel tinha a missão de revelar o Senhor para todas as nações da Terra, mas seu pai, na primeira oportunidade que teve para revelar a Deus à nação que despontava como potência mundial, falhou irremediavelmente neste intento e, por isso, foi necessário todo este tempo para que Deus Se revelasse aos egípcios.
-Que Deus nos guarde e que, o quanto antes, deixemos todo pecado e embaraço e voltemos a correr a carreira que nos está proposta pelo Senhor (Hb.12:1).
-Este é o principal motivo pelo qual, nos dias hodiernos, temos sentido uma mornidão espiritual crescente em muitos lugares.
Temos deixado nos desviar da divina orientação e temos aceitado nos acomodar em situações que, embora materialmente vantajosas, representam um grande prejuízo espiritual.
-Saiamos deste estado, ainda que venhamos a pagar um alto preço por isto. Não seja como o levita que corria de um lado para outro atrás de comodidade (Jz.17:9), mas que nossa caminhada seja sempre para atingir o alvo pelo prêmio da soberana vocação divina em Cristo (Fp.3:14).
-Como diz a poetisa sacra e missionária Frida Vingren (1891-1940): “Se Cristo comigo vai, eu irei. E não temerei, com gozo irei. Comigo vai. É grato servir a Jesus, levar a cruz. Se Cristo comigo vai, eu irei” (estrofe do hino 515 da Harpa Cristã). Sigamos, então, a direção de Cristo em nossas vidas!
OBS: “…Aqui, sua fé foi deficiente. Ele ainda acreditava na promessa geral e agia naquela fé referente a ela; mas ele não usou esta fé com referência à intervenção divina às circunstâncias, para as quais ela também seria igualmente aplicável.
Muitos confiam em Deus para suas almas e para a eternidade, mas não confiam n’Ele para seus corpos e para a vida atual. Para aquele que segue a Deus completamente em simplicidade de coração, todas as coisas devem ser bem-sucedidas no final.
Tivessem Abrão e Sarai simplesmente se passado por quem eles eram, não teriam incorrido em perigo algum, pois Deus, que os havia obrigado a ir para o Egito, tinha preparado o caminho antes deles. Nem Faraó nem seus cortesãos teriam notado a mulher, ela teria aparecido a eles como a mulher do estrangeiro que viera peregrinar na terra deles.
O resultado prova isto suficientemente. Todo raio de luz da verdade é uma emanação da santidade de Deus, e tremendamente sagrada a Seus olhos.
Considerando o assunto, um antigo piedoso disse as seguintes palavras, cujos educadores em prevaricação têm resolvido de forma muito vigorosa:
“Eu não contaria uma mentira para salvar as almas do mundo inteiro”, disse ele. Leitor, esteja vigilante: tu podes cair por causa de problemas relativamente pequenos, enquanto resistes resolutamente e com sucesso para aqueles que requerem um força de gigante para enfrentá-los.
Em toda questão, Deus é necessário; busca-o para o corpo e para a alma; não penses que algo pequeno ou insignificante demais para interessá-lo, pois isto diz respeito a teu presente e à tua paz eterna…” (CLARKE, Adam. Comentários, v.1, p.157, CD-ROM Master Christian Library) (tradução nossa).
II – ABRÃO SEPARA-SE DE LÓ
-Deus respeita o livre-arbítrio do homem, pois fez o homem dotado de responsabilidade e de liberdade, como bem se verifica do próprio ato criador (Gn.1:26).
-Destarte, Deus não impede que o homem tome as decisões que bem entender, ainda que contrárias à vontade divina. Por isso, Deus permitiu a Abrão que partisse de Ur com seu pai Harã e, posteriormente, que fosse a Canaã acompanhado de seu sobrinho Ló ou que fosse para o Egito.
-Todas estas decisões encontravam-se fora do plano divino para Abrão, mas Deus deixou que o tempo mostrasse isso a Abrão. Nós não somos robôs, autômatos e Deus sempre respeitará a decisão que tomarmos, sendo certo, também, que responderemos por elas.
-Devemos, sempre, atender à vontade de Deus, ainda que isto nos venha a tomar decisões desagradáveis e que contrariem os nossos sentimentos. Abrão não quis deixar seu pai Harã, o que era compreensível, dentro do sentimento de um filho leal e obediente, mormente numa sociedade patriarcal como era a dos dias de Abrão.
-Entretanto, a obediência à voz de Deus exige de nós a ruptura com todos os valores que consistam em inobservância da Palavra de Deus. Enquanto Abrão não fez a vontade de Deus, Deus a Ele não Se revelou de forma especial, o que somente se deu quando estava já na terra de Canaã.
-Do mesmo modo, enquanto nós não nos desvencilharmos do que nos prende mas está fora do propósito divino para nós, Deus não poderá cumprir o propósito que tem assinado para nossas vidas.
-Ló era um obstáculo para a realização do propósito divino na vida de Abrão. Hoje, ao lermos a Palavra, sabemos, temos consciência de que Ló, que era praticamente o herdeiro de Abrão, não poderia ficar na casa do patriarca, que haveria de ter um filho, o filho da promessa.
-Hoje o sabemos, mas Abrão não o sabia. Entretanto, Deus havia dito a Abrão que dele faria uma grande nação e, portanto, como a ordem era exclusiva a ele (e a sua mulher, que era carne de sua carne, osso de seus ossos), seu sobrinho não se encontrava nesta promessa e dela não poderia compartilhar. Observemos que Ló é apontado na Bíblia como justo e que, portanto, não havia erro na vida de Ló. Simplesmente, o propósito de Deus para Abrão exigia a separação de Ló.
-Deus, então, na Sua infinita misericórdia, ante a persistência deste obstáculo, permitiu que houvesse um problema na convivência entre tio e sobrinho.
-Diz o texto sagrado que a terra “não tinha capacidade para poderem habitar juntos, porque a fazenda era muita, de maneira que não podiam habitar juntos”.
Havia uma situação de incompatibilidade entre Abrão e Ló, não pelos seus sentimentos, não pelas suas vidas, mas por causa da falta de espaço. A prosperidade material de ambos havia tornado impossível a convivência.
Apesar desta constatação, nem um, nem outro ousaram propor a separação e o resultado foi que surgiu o conflito, a contenda.
OBS: ” Rashi (nome pelo qual é conhecido o comentarista bíblico e talmúdico Rabi Salomão ben Isaac (1040-1105), observação nossa) detém- se no motivo desta contenda: os pastores de Lot deixavam seus rebanhos pastar nas terras dos cananeus e perizeus.
Alertados pelos pastores de Abrão, os primeiros alegaram que toda aquela terra fora prometida a Abrão e, como ele não tinha filhos, ela seria herdada por Lot, o que lhes dava o direito de já usufruírem dela.
Por isso a Torá diz : ‘e o Cananeu e o Perizeu viviam então na terra’, ou seja, Abrão não era o legítimo dono da terra, ainda…” (TORÁ: A lei de Moisés. Trad de Meir Matzliah Melamed., com. Gn.13, p.31).
-Devemos ser vigilantes e evitar a todo custo que haja contenda entre nós e os demais seres humanos. Diz a Bíblia que devemos ter paz com todos, no que depender de nós (Rm.12:18). Assim, deve todo cristão perceber as situações em que há “falta de espaço”, ou seja, em que não é possível a convivência de duas pessoas, até por causa da prosperidade.
-Se não percebermos estas situações, brevemente haverá conflitos e surgirá a contenda. A contenda pode ser evitada, pois somos pacificadores (Mt.5:9).
Abrão sabia que Ló não estava nos planos de Deus para ele, mas o mantinha por sentimento familiar, por afeição, mesmo havendo uma circunstância objetiva: a falta de espaço da terra para ambos. Quando houver “falta de espaço”, tomemos a iniciativa e busquemos manter a paz, afastando-nos, criando espaço.
-Veio a contenda e, então, o patriarca acordou. Embora gostasse muito de Ló e o amasse, Abrão percebeu que não havia mais condições para que seu sobrinho com ele continuasse convivendo.
-Abrão demonstrava estar crescendo espiritualmente, pois, ao propor a separação a Ló, não visou a vantagem, o benefício imediato, nem acusou o sobrinho de estar criando a contenda. Ao invés de buscar culpados, de “fazer justiça”, analisou a situação, ponderou e verificou que o melhor era a separação, era fazer a vontade de Deus.
-Quantos crentes não arrumam sérios problemas na sua vida porque não querem enxergar as dificuldades por que estão passando do ponto-de-vista espiritual? Buscam culpados, procuram “fazer justiça”, mas, o que devem fazer, que é a o autoexame, a reflexão do propósito de Deus para suas vidas, não fazem e a contenda não cessa, só aumenta.
-Abrão acordou espiritualmente, viu que sua atitude de mantença de Ló contrariava a vontade de Deus e decidiu pôr fim à contenda, assumindo a responsabilidade pelo seu aparecimento, a ninguém culpando e nada visando a não ser o cumprimento da vontade de Deus.
-Abrão dirigiu-se a seu sobrinho e lembrando que estavam numa mesma família, disse-lhe da necessidade de separação em virtude da contenda, algo que não era adequado para uma casa onde Deus estava reinando e guiando os passos de todos.
-Que belo exemplo! Será que temos tido a preocupação de, em nossas relações familiares, darmos testemunho do nome do Senhor? Será que temos tido a preocupação, na igreja do Senhor, de testificarmos que “irmãos somos”? Esta foi a principal preocupação do patriarca, preocupação que lhe fez, inclusive, abrir mão do seu direito de escolha em favor de seu sobrinho.
OBS: Adam Clarke assim comenta a expressão “porque irmãos somos” proferida por Abrão, segundo o texto sagrado:
“…Nós somos da mesma família, adoramos o mesmo Deus da mesma maneira, temos as mesmas promessas e buscamos o mesmo fim.
Por que então deveria haver contenda ? Se ela parece ser inevitável nesta situação atual, deixe que a situação seja mudada num instante, pois nenhuma vantagem deste mundo pode
contrabalançar a falta de paz…” (Comentários, v.1, p.159. CD-ROM Master Christian Library) (tradução nossa).
” Este convite à paz, de Abrão, está dirigido a todos os homens da terra, assim como o proclamou o profeta Malaquias 2:10: ‘ Não é um mesmo o Pai de todos nós ? Não foi um mesmo Deus quem nos criou ? Por que razão, então, despreza cada um de nós o seu irmão ? ‘
É necessário que as palavras de Abrahão e Malaquias se façam ouvir no seio de toda a família humana. ‘Somos irmãos ? Vivamos em união e harmonia 1 Somos filhos de um mesmo pai ! Por que odiarmos uns aos outros ? ‘ ” (TORÁ: a Lei de Moisés. Trad. de Meir Matzliah Melamed, com. Gn.13, p.31-2).
-Quando não buscamos o que é próprio, quando não agimos com ganância ou cobiça, o Senhor abençoa-nos ricamente. Abrão buscava vencer a contenda, eliminar aquela situação que era fruto de uma inobservância da ordem divina. Assim, confiante em Deus, propôs a seu sobrinho Ló que escolhesse que parte da terra queria para si.
-Este gesto, humanamente errôneo, estava revestido da direção e da aprovação divinas. Ao sair para o lugar aparentemente melhor, não foi Ló que recebeu a visita e a promessa de Deus, mas, sim, Abrão. Por quê? Porque Abrão agiu segundo a vontade de Deus.
O crente deve, também, não buscar o que é propriamente seu, mas sempre considerar os outros superiores a si mesmo (Fp.2:3,4). É este o sentimento que teve Nosso Senhor (Fp.2:5) e devemos ser Seus imitadores (I Co.11:1).
-Ló, entretanto, não teve este sentimento. Seus olhos eram puramente voltados para as coisas desta vida e o que viu foram somente as campinas verdejantes da planície. Viu a fortuna, a prosperidade material, a abundância de pasto para seus rebanhos. Não conseguiu ver a maldade e impiedade dos moradores de Sodoma e das demais cidades da planície.
-Uma visão puramente materialista é algo que pode ocorrer na vida de uma pessoa justa, como era Ló. Não podemos olhar com os olhos carnais, não devemos conduzir-nos por vista, mas por fé (II Co.5:7).
Como temos agido no cotidiano de nossas vidas? Verificado as circunstâncias que nos cercam e raciocinado única e exclusivamente segundo as variantes e os fatores humanos, ou temos procurado entender o significado
espiritual das situações em que nos encontramos? Estamos olhando para os montes ou para o Senhor (Sl.121:1,2)?
OBS: Clarke assim comenta a escolha de Ló : “… Ele (Ló, observação nossa) certamente deveria ter deixado a escolha para o patriarca e deveria ter se guiado pelo seu conselho, mas ele tomou seu próprio caminho, confiando no seu próprio julgamento e se guiou apenas pela vista de seus olhos.
Ele contemplou toda a planície do Jordão, que era bem irrigada etc. então escolheu a terra, sem levar em conta o caráter dos habitantes ou quais as vantagens e desvantagens que isto poderia representar para ele nas coisas espirituais.
Esta escolha, como veremos na seqüência, trouxe- lhe não muito tempo depois a ruína do corpo, da alma e da família…” (Comentários, v.1, p.159-60. CD-ROM Master Christian Library)
” A grande falha de Ló foi amar as vantagens pessoais, mais do que abominar a iniquidade de Sodoma (vv.10-13). (1) Se ele tivesse amado profundamente a retidão… isso o manteria separado dos maus caminhos e daquela geração ímpia.
Ele, porém, tolerou o mal e optou por morar na cidade decaída de Sodoma (v.13). Talvez tenha raciocinado que as vantagens materiais, a cultura e os prazeres de Sodoma compensariam os perigos, e que ele tinha forças espirituais suficientes para permanecer fiel a Deus.
Com isso em mente, ele juntamente com sua família, ficaram expostos à imoralidade e à impiedade de Sodoma. Só então, ele aprendeu a amarga lição de que sua família não era forte o suficiente para resistir às influências malignas de Sodoma…(2)
Os pais de família devem tomar cuidado para não se envolverem de igual modo, nem a seus filhos, com nenhuma ‘Sodoma’, para não se arruínarem espiritualmente, como aconteceu à família de Ló…” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, nota a Gn.13:12, p.52).
-Neste episódio, vemos que dois justos podem ter decisões completamente distintas, caso não estejam animados pelo Espírito de Deus. Abrão conscientizou-se da necessidade da separação para que se cumprisse a vontade de Deus e o plano divino para sua vida. Buscava agradar a Deus.
-Ló, entretanto, que até ali havia estado com seu tio por livre e espontânea vontade, mesmo sendo justo, quis levar vantagem, quis tirar proveito da circunstância. Era alguém que vagueava sem que tivesse qualquer chamada divina. Alguém que desfrutava das bênçãos por conta da fidelidade e resposta ao chamado de Abrão. Era um nítido “crente de carona”, aquele que é abençoado em virtude da vida santa e bem dirigida de quem está a sua volta.
-Que tipo de servo é o(a) irmão(ã). Tem atendido ao chamado de Deus na sua vida ou está indo na companhia de algum chamado? Tem consciência do propósito de Deus na sua vida ou está apenas tirando vantagem, sobrevivendo e até prosperando por conta do chamado de outro?
Estejamos conscientes da vontade de Deus para nossas vidas. Isto deve algo sempre presente na mente do cristão. Daí porque, no Pai nosso, Jesus ter incluído a frase “seja feita a Tua vontade”, numa clara demonstração de que o crente deve estar plenamente ciente da vontade de Deus para ele, algo que Jesus prometeu sempre nos informar (Jo.15:15,16).
OBS: “… Ló escolhe a região onde estão localizadas cidades-estado como Sodoma e Gomorra; assim ele entra no âmbito de uma estrutura que se sustenta graças à exploração e opressão do povo.
Abrão, ao invés, fica aberto para uma história nova, fundada unicamente na promessa e no projeto de Javé. Não tomando a dianteira para escolher a sua parte, mais uma vez Abrão entrega-se a Deus na fé, para que este lhe aponte o caminho “(BÍBLIA Sagrada. Edição Pastoral, nota a Gn.13:1-18, p.26).
-Após a escolha feita por Ló, Abrão teve mais uma manifestação de Deus. Deus apareceu a Abrão, diz o texto sagrado, “depois que Ló se apartou dele” (Gn.13:14), o que demonstra o que já dissemos, ou seja, que Ló era um obstáculo a mais a ser removido na vida de Abrão para que o plano de Deus pudesse se realizar plenamente.
-O aparecimento de Deus a Abrão foi uma confirmação ao patriarca de que havia sido superada a fase de desobediência e de desatendimento à vontade de Deus na sua vida. Terminava um período de prova espiritual para Abrão, Deus renovava Suas promessas e o patriarca encontrava-se vitorioso.
-Havia vencido a mentira, o sentimento de autossuficiência, a ganância e dava um decisivo passo de fé na sua caminhada espiritual. O homem que, ao sentir a fome, correra para o Egito, agora era um homem que abrira mão do seu direito patriarcal de escolher a melhor terra e resolvera viver na dependência exclusiva de Deus.
OBS: ” Depois da separação de Lot, Deus repete a promessa feita a Abrão anteriormente (Gên. 12:7), para enfatizar que a terra seira dada exclusivamente à sua semente, e não a Lot. ” (TORÁ: A Lei de Moisés. Trad. de Meir Matzliah MELAMED, com. Gn.13:15, p. 32).
-Ponto interessante é que Abrão, ao se abster de escolher uma parte da terra, teve a promessa de Deus de receber toda a terra. O Senhor prometeu-lhe a banda do norte, do sul, do oriente e do ocidente (Gn.13:14), ou seja, tudo (Gn.13:15).
-Assim continua ocorrendo na vida dos servos fiéis. Se nos abstivermos das coisas deste mundo, se não buscarmos as coisas desta vida, teremos aqui cem vezes tanto e, no porvir, a vida eterna (Mt.19:27-29).
Nunca nos esqueçamos de que o que temos é muito mais valioso que o mundo inteiro e que a glória que nos está reservada não dá para comparar com coisa alguma desta vida (Rm.8:18).
Como disse o poeta sacro Jonathan Bush Atchinson (1840-1882) : “Metade da glória celeste, jamais se contou ao mortal!” (metade final do estribilho do hino 625 da Harpa Cristã).
OBS: “… Todo o território que Abraão contemplou para o norte, o sul, o leste e o oeste, pertencia a ele, e então seria o mesmo transferido à sua posteridade. Deus nada lhe negaria. Sua misericórdia é tão vasta quanto o mar.
A Abraão foi prometida a grandeza:
1. A grandeza inclui uma significativa missão espiritual e a visão de vê-la e reconhecê-la, para então ativar-se a fim de desenvolvê-la
2. A grandeza de um homem reflete- se nas coisas que ele procura promover.
3. A grandeza de um homem é garantida por sua capacidade de persistir em seus propósitos e levar suas ideias à plena fruição.
4. A grandeza de um homem reflete-se em sua capacidade de sofrer perdas, mas recuperar-se e renovar o seu zelo.
5. Um grande homem está sempre em uma cruzada. Ele nunca descansa em Sião.
6. A vitalidade e a força não residem nas coisas materiais, mas na fé que cultivamos. Abraão erguia um altar por onde quer fosse.
7. Ao homem nômade foi prometida uma pátria grandiosa, por ser ele o homem escolhido para aquela hora, a fim de cumprir o propósito de Deus.
A vontade de Deus sempre coincide com a verdadeira grandeza…” (CHAMPLIN, Russell N.orman. O Antigo Testamento interpretado, Gn.13.15, p.108).
-Não bastasse isso, Abrão recebeu, ainda, a promessa divina de que sua semente seria como o pó da terra. Se os “filhos de Abraão” são inúmeros do ponto-de-vista carnal (veja-se a população de árabes e judeus através dos séculos), que dirá do ponto-de-vista espiritual, ou seja, todos os servos sinceros e fiéis a Deus que, durante as dispensações, têm se levantado para honrar e adorar o verdadeiro Deus. São multidões, milhões e milhões, como se vê no Apocalipse (Ap.5:11; 19:6).
-Quando se diz que a descendência de Abrão é como o pó da terra, vemos, também, aqui uma observação divina a respeito de Seus servos.
Assim como o pó é imperceptível aos olhos humanos, mas está presente e faz diferença onde se encontra, assim são os servos de Deus.
-Não há lugar onde não se encontrem servos do Senhor nesta face da terra. Mesmo que haja perseguições, que haja preconceitos, que haja uma luta incessante do maligno para calar e desviar os servos do Senhor, sempre há aqueles que não se dobram a Baal e que exaltam e testificam do Senhor.
-Conhecidas são instituições em todo o mundo, mesmo no Brasil, onde há verdadeiro preconceito e cruel perseguição aos servos do Senhor, mas, como o povo de Deus é como o pó da terra, por mais que pelejem contra eles, eles ali estão, vencendo em nome do Senhor e fazendo com que os homens glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus por causa de suas boas obras (Mt.5:16). É promessa de Deus desde os tempos de Abrão!
-Mas, após renovar Sua promessa com Abrão, o Senhor faz algo importante. Manda ao patriarca que se levantasse, que percorresse a terra, no seu comprimento e na sua largura. E por que deveria fazer isto? Responde o Senhor: porque a darei a ti.
-Embora Deus a tivesse prometido, era necessário que Abrão nela peregrinasse, ou seja, que demonstrasse sua fé com ações, com atitudes, com obras. É por isso que Tiago diz-nos que a fé sem obras é morta (Tg.2:17).
-Conquanto nada tivesse (e nada haveria de ter) em Canaã, Abrão deveria percorrê-la como se já a possuísse. Deveria andar nela como se ela já estivesse sob seu poder. Somente agindo assim, mostraria a sua fé em Deus e poderia testificar de sua crença diferente para todos os povos, em especial os próprios cananeus.
-É isto que é viver por fé e não esperar que todos tomem atitudes em seu favor, a começar do próprio Deus. Quando Jesus prometeu uma pesca maravilhosa aos discípulos, foi necessário que eles lançassem as redes, pois, caso contrário, os peixes não viriam (Lc.5:4-6).
-Jesus não tinha poder para que os peixes aparecessem nas redes dentro do barco? Certamente que sim! Mas, pergunto, qual seria a edificação daqueles pescadores que seriam chamados para o apostolado? Nenhum!
-Portanto, vejamos que a Abrão Deus ordenou que percorresse a terra da promessa. Como Deus não muda, Ele continua mandando que ajamos, que percorramos a terra das promessas que nos foram feitas, em todo o
seu comprimento e largura, para que, edificados e testificando da fé, dando glória a Deus (Rm.4:20), sejamos fortificados e fortifiquemos aos outros.
– Sem os obstáculos criados por ele mesmo, Abrão atende à ordem do Senhor, arma suas tendas e foi habitar nos carvalhais de Manre, edificando um altar ao Senhor (Gn.13:18). A comunhão estava plenamente restabelecida. Voltavam a tenda e o altar.
Não havia mais Ló nem a ganância, muito menos o medo e a inércia. O nosso patriarca iniciava o percurso na terra, armando suas tendas e edificando seus altares. Começava a vida de fé.
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12274-licao-2-a-fe-de-abrao-nas-promessas-de-deus-i


